Dubai quer que 15% dos novos edifícios sejam impressos em 3D

A ambição é essa até 2025 e poderá tornar a construção mais barata e menos dependente de força humana.

Foto de Moh via Unsplash

O objectivo é reduzir a força humana em 70% e os custos de construção em 90%. Segundo o World Economic Forum, o Dubai quer que 25% de cada novo edifício seja impresso em 3D. Um objectivo para 2025, que começará com uma percentagem de 2% já no próximo ano.

“Em 2025, com base nos regulamentos do Município do Dubai, cada novo prédio no Dubai será 25% impresso em 3D”, explica a Dubai Future Foundation, uma fundação liderada pelo Príncipe do Dubai e com o propósito de pensar e definir o futuro desta cidade. “Esta mudança arrancará 2019, começando em 2% com um aumento gradual até o objectivo estratégico.” O plano passa por imprimir a três dimensões tudo o que seja iluminação, juntas de construção, edifícios para causas humanitárias e ainda casas portáteis.

Não é só na construção que o Dubai prevê aplicar a impressão 3D, mas também noutros sectores – nomeadamente na medicina e no consumo (produtos domésticos, óptica, jóias de moda, jogos infantis e fast food) –, como parte de uma estratégia de aposta nesta tecnologia anunciada em 2016 por Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Primeiro-Ministro dos Emirados Árabes Unidos.

A impressão 3D na construção pode resolver o sério problema que o Dubai enfrenta com a exploração de migrantes na indústria da construção civil, com relatos de abusos generalizados de direitos humanos e de prática de escravidão. Nesse sentido, como nota o site Fast Company, substituir a força humana por máquinas não parece ser uma má ideia. A impressão 3D pode também tornar a construção civil mais sustentável e eficiente, reduzindo a pegada de carbono daquela indústria – aspecto que, todavia, não é consensual.

O “Escritório do Futuro” (foto via Dubai Future Foundation/DR)

Em 2016, a Dubai Future Foundation criou aquele que apelidou de ser o primeiro edifício do mundo em impressão 3D. Chamou-lhe “Escritório do Futuro” e trata-se de um pequeno prisma com 6 metros de altura e 12 de largura, que demorou 17 dias a ser impresso e aproximadamente três meses entre instalações, arranjos interiores e espaço exterior. Segundo a fundação, a construção deste edifício (e deste tamanho) foi 50% mais barata que se tivessem sido aplicados os processos tradicionais. Para a impressão 3D foi preciso apenas um técnico para monitorizar a impressora; de resto, 7 pessoas instalaram o edifício no local com o apoio de uma equipa de 10 electricistas e engenheiros mecânicos.

O “Escritório do Futuro” foi impresso em 3D por uma empresa chinesa chamada Winsum, que fez notícia em 2014 por ter usado essa tecnologia para produzir dez casa num só dia. Tal como a Winsum, outras companhias por todo o mundo têm vindo a desenvolver a impressão 3D, tornando-a mais comercializável e eficiente em grande escala. Ainda há muito amadurecimento pela frente para ser possível construir casas com um único clique num botão, um ficheiro CAD e robôs gigantes; mas talvez a impressão 3D seja o futuro da construção civil.