A política tira férias, mas os políticos parece que não

Este Verão tem sido rico em boa comunicação política.

Meses de Julho e Agosto são sinónimo de silly season, de férias e de praia. Com os trabalhos parlamentares a banhos, os telejornais dividem-se entre incêndios, futebol e périplos por romarias e festas de gastronomia. Porém, o mundo não deixa de girar nem o país fecha para balanço, o que leva a que os políticos estejam activos num meio mediático a meio gás.

Se pensarmos bem, esta é uma oportunidade de ouro para certas figuras políticas aparecerem e fazerem passar a sua mensagem, já que noutras alturas do ano em que a agenda dos media está sobrecarregada, não o vão conseguir. Mais, neste período de férias (e também nas “reentrés” políticas), há material de marketing político a brotar e que se faz notar a quem tenha tempo para ler um jornal na praia, ouça uma emissão de rádio pela fresca ou assista ao noticiário enquanto o churrasco não sai.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não tem falta de oportunidade nos meios de comunicação social; todavia, resolveu dar uma aula de comunicação política em directo na semana mais quente do ano. Nas férias pelo interior do país, fortemente afectado pelos incêndios o ano passado, levou diversos jornalistas na comitiva que iam reportando as actividades de veraneante de um especialista nas lides políticas. O termo “levar jornalistas” foi absorvido de tal forma pelos profissionais de comunicação que estes subiram a bordo do automóvel do Presidente e no banco de trás trabalhavam. Esta forma de fazer jornalismo deve fazer pensar os clientes das televisões e os consumidores de informação.

Naturalmente que a presença do Presidente de todos os portugueses nestas zonas serve a causa de chamar pessoas para estas zonas turísticas, ainda assim não deixa de constituir uma decisão discutível na construção da imagem junto da opinião pública, abafando qualquer tema menos positivo que pudesse ganhar dimensão – por exemplo, o badalado veto antes das férias.

As semanas que passaram trouxeram mais um incêndio grave, desta vez na zona de Monchique. Era importante que o executivo mostrasse trabalho visível, nomeadamente em matéria de comunicação interna e externa, face aos acontecimentos do ano passado. E assim parece ter sido, António Costa elaborou uma publicação no Twitter que muitos caracteres fez escrever mas que foi eficaz naquilo que era o seu propósito.

Se António Costa tivesse dito aquilo que está no tweet em frente às câmaras de televisão, seria apenas mais uma declaração com impacto mediático nulo. Neste caso, e estando o foco nas fotografias, demonstrou operacionalidade e cuidado na comunicação, independentemente da troça que podem fazer sobre a estética em circuitos fechados nas redes sociais.

É igualmente importante salientar o trabalho de comunicação política da 2.ª Comandante operacional nacional da Proteção Civil, Patrícia Gaspar. Não se trata de uma política de profissão, nem alguém que necessita do espaço mediático para sustentar a sua profissão; todavia, é alguém que demonstra uma competência acima da média no contacto com os media e no discurso público. Assertividade, segurança e convicção são sentimentos que Patrícia Gaspar consegue transparecer para quem a ouve, levando a que o mérito do sucesso das operações tenha de lhe ser dado numa percentagem muito elevada.

Os políticos tiram férias? Tiram, mas não param. Não param de formar novos funcionários políticos na Universidade de Verão do PSD, não param de ser fotografados nas praias em família, ou a apanhar lixo, como Assunção Cristas ou Passos Coelho, não param de colaborar na realização da Festa do Avante, não param de acampar em Liberdade pelo Bloco, nem param de chegar a Quarteira para a Festa do Pontal. No fundo, a política tira férias mas os políticos e partidos não; aproveitam estes momentos para capitalizar interna ou externamente em acções de comunicação estratégias ou nas já famosas universidades de verão.