Uma L’Agosta à solta na cidade Berço

Todas as cidades precisam de dinâmica e deste tipo de iniciativas, por isso em 2019 ficamos à espera da terceira edição do “L’Agosto”.

The Parkinsons @ L'Agosto / Dia 10 de Agosto (c) Jaime Silva

A segunda edição do festival urbano vimaranense, realizou-se nos jardins de um edifício icónico da cidade: O Paço dos Duques de Bragança. O Shifter foi aos três dias e falou com um dos organizadores – José Manuel Gomes – para conhecer melhor o “L’Agosto” e perceber o seu conceito.

Após o sucesso da primeira edição, Guimarães repetiu a dose de “L’Agosto”. O festival urbano, ocorreu desta vez no jardim do Palácio dos Duques de Bragança – na sua estreia foi no Museu Alberto Sampaio – e levou mais uma vez boa música à cidade berço com um aspeto a manter-se: o ritmo africano.

Organizado pela Elephant Musik, Estúdio Lobo Mau e pela Câmara Municipal de Guimarães, o “L’Agosto” tem como uma das suas principais premissas oferecer World Music ao público local e forasteiro. Apresenta-se, a nível musical, como um festival eclético e mutável, minimizando o risco de repetição e continuando a trazer novidades à cidade.

Segundo José Manuel Gomes, que esteve na génese da ideia, o festival evoluiu e consolidou-se a partir de vários projetos anteriores, mas surge diretamente do “Passa a Praça” de 2016, que apresentou bandas nacionais emergentes ao Centro Histórico de Guimarães. Desde então foram feitas algumas alterações, inclusive no local e na data, que resultaram na criação de um novo conceito, nome e imagem por parte da organização. Foi em 2017 que o “L’Agosto” se estreou em Guimarães e por lá passaram no total dos dias cerca de 7000 pessoas.

José conta que a concretização do festival acabou por ser também um desafio pessoal. Para ele e para Tiago Silva, Giliano Boucinha e José Pedro Caldas, os responsáveis na criação do mesmo. Um desses desafios foi o nome, que depois de alguns brainstormings, surgiu em tom de brincadeira entre eles, acabando por se tornar crucial até para a imagem do festival. As semelhanças de L’Agosto com “Lagosta” levaram mesmo os responsáveis a comprar online uma Lagosta insuflável enorme, habitual residente no Festival de Marisco de Faro que acabou por dar nas vistas na primeira edição e se tornou imagem de marca do festival, explorada pela organização num tom humorístico. Este ano, lá estava ela de novo sorridente e à espera do público.

L’Agosto / Dia 10 de Agosto (c) Jaime Silva

Nesta segunda edição do festival houve algumas diferenças em relação à primeira. Na sua estreia o “L’Agosto” foi gratuito, ao contrário deste ano em que houve venda de bilhetes. A medida é compreensível já que dá folga para melhorias, principalmente na escolha dos artistas. Em relação ao recinto, o público pôde contar com música num dos locais mais icónicos da cidade.

Com cartaz versátil e multicultural, o festival urbano teve diversas vertentes de Rock, Eletrónica e Ritmos Africanos, atraindo público de todas as faixas etárias. Na primeira noite, houve algumas peripécias e contratempos. Problemas com o som e atrasos deixaram, por exemplo, a atuação de PAUS a meio, após os sons de afrofunk e de funaná cabo verdiano de Pedrinho e Fogo Fogo. A partir daí, a organização recuperou do sucedido e deu boa resposta até ao fim. A segunda noite do “L’Agosto” foi talvez a que teve mais público, ainda que no geral a afluência deste ano tenha sido mais tímida do que na estreia, provavelmente pela quantidade de eventos que se realizaram ao mesmo tempo pelo Norte do País ou pelo factor bilhete. Nesse dia, dedicado ao Rock, Imploding Stars abriram uma noite onde a loucura dos The Parkinsons se apoderou de Guimarães e abanou as estruturas do recinto. Com os ânimos mais calmos, os italianos Soviet Soviet fecharam a noite antes do After. Por fim, na última noite, o instrumental dos Ghost Hunt, o ritmo frenético de Diron Animal e a fusão eletrónica de Branko transformaram a noite de Sábado na mais dançável de todas. E assim chegou ao fim o “L’Agosto”.

L’Agosto / Dia 10 de Agosto (c) Jaime Silva

Todas as cidades precisam de dinâmica e deste tipo de iniciativas por isso em 2019 ficamos à espera da terceira edição do “L’Agosto”, que se continuar como promete, vai levar mais novidade à Cidade Berço.

 

Texto: Paulo André

Revisão: João Ribeiro