Michael Pederson leva as redes sociais para a rua para nos lembrar da vida real

"Esta não é a minha profissão. Ocasionalmente vendo algumas pessoas, mas isto é sobretudo algo que gosto de fazer nos meus tempos livres. Acho que chega a ser um pouco terapêutico, gosto de explorar novas ideias em espaços públicos."

Michael Pederson artista

O trabalho de Michael Pederson cruzou-se connosco entre as milhares de imagens que nos cruzam o olhar pelo feed e pelas Stories do Instagram. Os detalhes do seu trabalho levaram-nos a querer observar de perto e percebemos que poucas atenções estão viradas para este artista australiano.

Na verdade, sobre o seu perfil, a sua ocupação ou sequer a sua localização pouco se sabia e se escrevia com certeza; por isso, entrámos em contacto com ele. As perguntas foram directas e a pedir respostas curtas, depois de um entendimento mútuo com o Michael de que não queríamos que a entrevista pudesse ofuscar as potentes mensagens do seu trabalho.

Uma vez que não conseguimos encontrar nada sobre ti na web, começo por uma pergunta óbvia: quem és e de onde és?

Chamo-me Michael Pederson e sou de Sidney, Austrália. (Deve existir mais informação sobre mim na web com esse nome.)

É esta a tua profissão ou fazes isto como uma espécie de terapia pessoal?

Esta não é a minha profissão. Ocasionalmente vendo algumas pessoas, mas isto é sobretudo algo que gosto de fazer nos meus tempos livres. Acho que chega a ser um pouco terapêutico, gosto de explorar novas ideias em espaços públicos.

Nos teus trabalhos, mencionas muitas vezes a solidão usando referências visuais das redes sociais. Achas que é uma relação inevitável?

Sim, penso que sim. As redes sociais têm os seus benefícios, mas do que vejo as pessoas geralmente não se estão a sentir menos sozinhas com elas.

Isso não é um paradoxo? Como devemos nós, enquanto sociedade, lidar com isso na tua perspectiva? Aumentar a consciência individual será suficiente?

Aumentar a consciência individual através da arte e das redes sociais é definitivamente um paradoxo e não é suficiente para fazer uma mudança real em relação à solidão, mas pode ser um catalisador. É uma questão difícil que não consigo responder facilmente aqui, mas incentivar os indivíduos a envolverem-se mais com o mundo em seu redor, concentrando-se mais em coisas como voluntariado e menos em competir uns com os outros, seria um bom começo. Eu, certamente, não tenho todas as respostas para este problema.

Agora, de volta ao teu trabalho. Levantas grandes questões com pequenas peças. É essa a tua forma de lembrares as pessoas a prestarem atenção aos detalhes do seu dia-a-dia?

Sim, as peças são muitas vezes pequenas e não são facilmente vistas. Gosto da ideia de as pessoas conseguirem descobrir as peças e mudar as suas perspectivas sobre o mundo em seu redor até certo ponto.

E daqui adiante: tens planos para levar a tua arte para outro nível? Dado que segues uma linha conceptual em vez de uma linha formal, parece que podes escalá-la infinitamente, usando novas referências.

Estou definitivamente interessado em explorar trabalhar numa escala maior e ando neste momento a avaliar a possibilidade de usar som em algumas peças. Existem possibilidades infinitas, sim.

Todas as tuas peças estão na tua cidade-natal ou produzes onde quer que vás? Poderia essa ser uma forma de internacionalizar o projecto? Achas que o teu projecto poderia ser destacado em galerias de arte ou museus?

As minhas peças estão sobretudo em Sidney ou à volta de Sidney, mas estou aberto a espalhá-las por mais sítios. Já tive uma exposição na galeria Above Second em Hong Kong há um par de anos, mas sou um pouco reticente em relação a galerias pois o meu trabalho é predominantemente específico dos espaços. Mas é algo sobre o qual ainda estou a pensar.