No mês de Agosto a procissão também é “All for Techno”

Neopop transforma Viana do Castelo na capital do techno

Por 4 dias, em pleno mês profano e religioso, Viana do Castelo atende uma outra procissão com peregrinos vindos de Espanha, França e de muitas partes do país, fiéis à música eletrónica, techno e afins. A cidade de Viana do Castelo encheu-se assim de visitantes de óculos escuros, suados e roupa de dancefloor.

Durante 4 dias a reza foi outra; djs como Ben Klock, Jeff Mills e Nina Kraviz fizeram as suas missas ecoar por toda a cidade e arredores, como um polvo que estende os tentáculos a vários espaços e locais. A câmara de Viana do Castelo, cada vez mais receptiva ao festival, concedeu os espaços para os fiéis professarem sua religião a qualquer hora do dia.

Estamos a falar do NeoPop onde este ano marcaram presença os franceses Ivan Smagghe e St. Germain e o português Rui Vargas, a 8 de Agosto. Ben Klock, Solomun, Apollonia, Agents of Time, DJ Nobu, Dopplereffekt e Tijana T no dia 9. Jeff Mills e Ricardo Villalobos no dia 10, com a companhia de Paula Temple, Rebekah, Cardia, Anna Haleta ou Conforce. E Nina Kraviz, Josh Wink, Marco Carola, Paul Ritch, 400PPM e James Holden & The Spirit Animals, entre outros, para fechar o dia 11.

A convite do festival Neopop o Shifter esteve presente para testemunhar o “all for techno” e o ambiente da cidade que abraça a eletrónica e se torna a capital portuguesa do techno.

O ambiente Neopop e Viana do Castelo

Os sócios fundadores do festival, Phil [Filipe Rodrigues] e Raul Duro, dizem que a ideia foi surgiu por acaso, mas a verdade é que o maior festival de música electrónica português já é sinónimo de Viana do Castelo.

Inicialmente tinha como nome “Anti-pop”, mas a partir de 2009 passou a denominar-se Neopop para melhor representar a modernidade das músicas presentes num festival que cresce de ano para ano e já trouxe nomes grandes como Kraftwerk em 2017.

O privilegiado recinto, Forte de Santiago da Barra no estuário do Rio Lima, faz por si só um palco especial enquadrando a natureza com o ambiente industrial das gruas das docas. Os painéis de vídeo no palco principal, no centro e em meia lua ladeando o palco, criam em fusão com o artista, um espetáculo de imagem e som; uma experiência única de sons, luzes, bits, beats e pixels. Já o palco anti stage, mais sossegado, é um convite à viagem pelo underground industrial, com um corredor ladeado de contentores a indicar o caminho para um palco minimalista com uma iluminação intimista, onde o Dj se funde com o publico.

Caminhando pelas ruas da cidade vigiada pelo Santuário de Santa Luzia, os anfitriões muitas vezes a preceito folclórico misturam-se e convivem sem muitos preconceitos com estes neo-fiéis que já fazem parte da cidade há quase duas décadas.

Outrora contestado pela pacata cidade, este evento, hoje em dia, convive em harmonia com os locais. O Neopop tornou-se mesmo uma espécie de evento do ano neste concelho, enchendo restaurantes, hotéis e comércio.

Apesar do evento apresentar Viana do Castelo como a capital portuguesa do techno pouco se nota o costume na cidade. Não se encontra nenhuma loja de discos ou comércio com apologia a música eletrónica mas isso não significa que as coisas não se possam transformar.

RedBull Music

Numa experiência inédita em Portugal, associada ao festival Neopop, a Red Bull Music voltou a surpreender com uma abordagem e um conjunto de convidados que deixaram uma forte marca em Viana do Castelo. Para a experiência ser mais intimista, em vez do palco principal o encontro foi marcado para o histórico Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo e nós estivemos lá.

A noite começou com GPU Panic, num live act onde música ambiente e a voz eram combinadas por batidas fortes. Mais tarde foi a vez de Clark apresentar um espetáculo para o qual ninguém estava preparado – Death Peak (live). Uma experiência entre música eletrónica, dança e trabalho de luzes. A música em live act era acompanhada de performance de dança e luzes causando uma surpresa visual frenética em perfeita comunhão com a música do produtor britânico. O Teatro Sá de Miranda foi o local certo para receber Death Peak (live), onde a mestria do design de luz tanto rasgava a plateia e iluminava o lindo candeeiro do teatro.

Substâncias Psicoativas

Em conversa com o serviço de drug checking assegurado pela Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES) na edição deste ano do festival Neopop, ficámos a saber que foram analisadas 55 amostras de substâncias psicoativas, que revelaram “pouca adulteração”.

Segundo Joana Pereira, colaboradora da APDES, “no ano passado metade das amostras de cocaína analisadas não tinham cocaína nenhuma”, este ano “isso não está a acontecer, refletindo dados de outras equipas noutros países”.

As análises são feitas às amostras entregues pelos festivaleiros no espaço da APDES no recinto do Neopop, tendo sido analisadas mais de 50 amostras, sobretudo de MDMA, seguido de cocaína e de “algumas anfetaminas”.

Enquanto isso no campismo….

Para aqueles que não precisam de mais para descansar, o festival oferece o NeoCamping. As tendas são abertas para uma praia fluvial com palcos de DJs a actuarem desde as 14:30 que vão aquecendo os festivaleiros e preprando-os para o recinto.

A completar esta harmonia está um excelente vista para a ponte Eifell em Viana do Castelo, com um ambiente de convívio e festa. No espaço NeoCamping respira-se música eletrónica “no stop” para aqueles que chegam do after e querem logo continuar o dia com beats eletrónicos mas… um bocadinho mais calminhos.