Já estreou a mais violenta e crua temporada de Orange Is The New Black

Os 13 novos episódios chegarm à Netflix na passada sexta-feira, dia 27, e passam-se na ala de segurança máxima da prisão de Litchfield.

(!!!Tentámos que não, mas este artigo pode conter alguns spoilers!!!)

A quinta temporada coleccionou críticas negativas – o motim de três dias foi estendido por 13 episódios, uma revolução muito antecipada pelos fãs da série, bem-vinda, mas que acabou por tornar a história confusa. A criadora Jenji Kohan parece ter aprendido a lição e ao sexto ano traz uma trama revigorada e mais relevante do que nunca.

Depois do motim, as presas foram separadas em vários autocarros e separadas por diferentes prisões espalhadas pelos Estados Unidos. O principal foco da temporada continua ainda assim bem perto: a história desenrola-se na unidade de segurança máxima de Litchfield, que finalmente conhecemos depois de anos a imaginar como seria sempre que pairava sobre as detidas a ameaça de lá ir parar. É lá que acompanhamos Piper (Taylor Schilling), Red (Kate Mulgrew), Gloria (Selenis Leyva), Crazy Eyes (Uso Aduba), Tayestee (Danielle Brooks), Daya (Dascha Polanco) e Nicky (Natasha Lyonne), entre outras velhas conhecidas.

À justiça feita, em alguns casos, pelas próprias mãos, junta-se a morte inesperada de Poussey (que continuará a assombrar toda esta sexta temporada) e o facto de nem tudo ter corrido como planeado (provavelmente pela própria falta de planos). Com as autoridades a porem fim ao motim de Litchfield, após rebentarem com as paredes e chegarem à piscina abandonada estavam barricadas algumas das mais carismáticas presidiárias da série, é tempo de segurança máxima, literalmente. Agora, as gargalhadas que nos provocavam as conversas filosóficas, os convívios disparatados, os carinhos, afectos e o sexo, dão lugar à aflição de engolir em seco. Aliás, nesta sexta temporada o tom cómico e mordaz da série desvanece, e não é para menos – e afinal de contas não é assim tão estranho, ou não fosse o cenário da série uma prisão, com tudo o que isso implica. O primeiro episódio é, no mínimo, macabro e desvenda alguns detalhes até agora desconhecidos dos três dias de rebelião, através dos olhos não-medicados e muito alucinados de Suzanne.

Há novas personagens, um leque de guardas prisionais que ainda não conhecíamos, sem o carisma ou a graça dos anteriores. Impõem-se com cenas de violência desgarrada e insustentada, demonstrando que o poder (e os seus abusos) continua do lado de quem manda, em cenas incómodas logo nos primeiros episódios.

Entre as presidiárias, a combinação era fazer crer que Piscatella, o chefe dos guardas prisionais, as teria feito reféns. Já os polícias, engendraram a história de que este foi morto a sangue-frio pelo grupo de mulheres. Durante a investigação, que há de chegar a julgamento, umas estão na lista das líderes do motim, outras encabeçam a lista de assassinas, mas todas correm o risco de ver as suas penas agravadas.

Foto de: Netflix

No topo da agenda de Orange Is The New Black continuam todas as questões delicadas ligadas ao sistema prisional norte-americano, injustiças sistémicas, relações de poder entre Governo, empresas e media e tensões raciais. Nesta sexta temporada, a série foca-se em específico no tema da imigração, através da história de Blanca Flores (Laura Gomez) a dominicana despenteada que em várias entrevistas admitiu ter-se inspirado na infeliz realidade que os Estados Unidos enfrentam actualmente.

Foto de: Netflix

O resultado de tudo isto é uma temporada consistente, tensa e dramática, que parece preparar o terreno para um possível final (OITNB está renovada para uma sétima temporada). A produção acabou por arranjar uma forma fácil de se livrar de algumas das personagens antigas com a história da transferência das detidas para outras cadeias, para assim dar espaço – nem sempre justificado – a novas vilãs e guardas que, na sua maioria, pouco acrescentam à trama. Ainda assim, os criadores conseguiram deixar ainda mais sublinhada a capacidade já demonstrada para desenvolver o passado e humanidade das personagens, de uma forma tão subtil que dificilmente é igualada por outras séries, sem as exaltar ou demonizar. Uma construção de personagens que valeria o suficiente para garantir o sucesso de uma próxima temporada, que deve entretanto tornar-se alvo de muitas especulações na sequência das reviravoltas deixadas no final.