Previsões apontam para mais calor, muito calor, nos próximos anos

Investigadores dizem que de 2018 a 2022 vai ser "anormalmente quente". Esperam-se temperaturas elevadas no planeta Terra, tanto fora do mar como dentro dele.

Foto de Tadeusz Lakota via Unsplash

Em Portugal, Julho foi bastante frio e Agosto começou com uma onda de calor pouco usual – os termómetros superaram os 40º C de norte a sul. Se por cá foi assim, noutras partes do mundo também não tem sido um Verão típico. Especialistas têm vindo a avisar que este será “o novo normal”, fruto das alterações climáticas. As secas e ondas de calor já têm sido mais frequentes e intensas ao longo dos últimos anos, confirmando-se as previsões feitas no passado.

E os cálculos não indicam melhor ou um regresso à normalidade para o futuro. Até 2022 espera-se um clima “anormalmente quente” com uma maior probabilidade de temperaturas extremas na superfície e nos oceanos. O alerta é dado na revista científica Nature e assinado por Florian Sévellec e Sybren S. Drijfhout, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

“Num clima em mudança, há uma necessidade social cada vez maior por previsões interanuais precisas e fidedignas”, lê-se na investigação publicada.

A Terra está a aquecer, mas isso não significa que cada ano seja mais quente que o anterior. A tendência é temporalmente mais ampla: a década seguinte tende a ser mais quente que a anterior, mas existem variações anuais no que toca à temperatura global, que são importantes para actuar perante “precipitações extremas, secas severas ou actividade de furacões intensa, por exemplo”.

Os cientistas concluíram que a Terra vai aquecer mais além do que se prevê que seja provocado pelo aquecimento global, causado pelo homem. A sustentar essas previsões estão factores naturais, como a oscilação dos oceanos, que constituem aquilo que é conhecido como “variabilidade interna” e que fazem variar a temperatura global de ano para ano. Por exemplo, durante o conhecido “hiato” do aquecimento global, que ocorreu na primeira década deste século, estes factores naturais ajudaram a manter a Terra mais fresca do que, de outra forma, estaria. Agora, essas mesmas variáveis podem fazer o oposto, refere esta investigação.

 

Os investigadores dizem que há uma uma probabilidade de 64% para a atmosfera e de 74% para o oceano para que fiquem anormalmente quentes entre 2018 e 2022. As altas temperaturas previstas resultam também de uma baixa probabilidade de episódios de frio intenso. Para estas conclusões, foram usados dados de 10 modelos de alterações climáticas já existentes e métodos estatísticos. Esta metodologia de previsão utilizada por Florian e Sybren pode decorrer num computador portátil e os resultados chegam em pouco tempo; não são necessários supercomputadores como nos modelos de simulação climática tradicionais.

Os últimos três anos foram os mais quentes desde que as temperaturas começaram a ser registadas. Apesar do Acordo do Clima de Paris, assinado em 2015 e no qual quase todos os países mundiais se comprometeram em manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2º C em relação à era pré-industrial, o planeta caminha em direcção a um aumento global da temperatura de 3° C. Apesar do impacto que a supra referida “variabilidade interna” pode ter na temperatura da Terra, esse é apenas um factor que, combinado com o das alterações climáticas, pode pintar um cenário negro daqui para adiante. Estaremos cá para ver.