Uber vai apostar mais em bicicletas e trotinetas eléctricas, e menos em carros

O CEO da Uber diz que esta pode não ser uma estratégia financeiramente boa a curto prazo mas pensa que, a longo prazo, terá proveitos para a empresa.

Foto via Uber

“Durante a hora de ponta, é uma forma muito pouco eficiente um chaço de uma tonelada de metal transportar uma pessoa por 10 quarteirões”, explicou Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, ao Financial Times. O executivo anunciou através daquele jornal o plano global da empresa para apostar mais em bicicletas e trotinetas eléctricas, e menos em carros.

Dara referiu que a curto prazo esta pode não ser uma estratégia financeiramente boa a curto prazo mas pensa que, a longo prazo, terá proveitos para a empresa, pois prevê que os utilizadores andarão mais vezes em bicicletas e trotinetas eléctricas, apesar de serem trajectos mais curtos e mais baratos. Por outras palavras, o CEO da Uber acredita que, no futuro, graças às formas suaves de mobilidade, as pessoas vão interagir mais vezes com a Uber, ou seja, o engagement com a marca será maior. Não deverá ser alheia a esta mudança a exigência verde dos consumidores para quem acaba por ser mais impactante as mensagens de marketing do que a realidade das empresas.

Por sua vez, os automóveis deverão orientados para viagens mais longas, com menos trânsito e mais rentáveis – um ganho para os motoristas segundo Dara. Em Abril deste ano, a Uber tinha já comprado a plataforma de partilha de bicicletas elétricas Jump, actualmente disponível em oito cidades norte-americanas, incluindo Nova Iorque e Washington, e que em breve será lançada em Berlim, na Alemanha. Do lado das trotinetas eléctricas, a tecnológica norte-americana investiu na empresa Lime, que também tem um negócio de bicicletas.

O momento da Uber

Este anúncio da Uber surge como mais um marco na trajectória conturbada para a empresa liderada por Dara Khosrowshahi, que só em 2017 perdeu 4,5 mil milhões de dólares fruto da sua estratégia. No primeiro trimestre de 2018, a Uber conseguiu ser lucrativa, em 2,5 mil milhões, depois de ter vendido os seus negócios na Rússia e no Sudeste Asiático, à Yandex e à Grab, respectivamente. No trimestre seguinte, a firma voltou a registar perdas, de 891 milhões de dólares, fruto da sua actividade corrente.

A Uber deverá entrar em bolsa no próximo ano. Com as bicicletas e trotinetas, a tecnológica espera reforçar a sua presença no mercado de mobilidade que vale 6 mil milhões de dólares, enquanto paralelamente aposta noutras estratégias como o Uber Eats que vão mascarando as perdas globais da empresa.

O desinteresse da empresa pela performance financeira a curto prazo não é um elemento estranho na estratégia desta ou doutras com um modelo semelhante. A Uber tem gasto dinheiro (do seu leque de investidores) também no desenvolvimento de um sistema de condução autónoma e embora este pareça um investimento desconexo pode ser o trunfo da companhia. Os sistemas de condução autónoma totalmente funcionais poderiam significar para a empresa a possibilidade de dispensar uma grande percentagem de motoristas, levando a reduções na despesa.