Paredes de Coura faz história com regresso apoteótico dos Arcade Fire e muito ecletismo

O festival voltou a demonstrar claramente preocupação e dedicação em apresentar o que há de mais interessante a acontecer na música actual.

A 26ª edição do Vodafone Paredes de Coura, entre os dias 15 e 18 de Agosto apresentou um cartaz eclético capaz de reunir aqueles que procuram um festival alternativo, um evento familiar ou somente uma celebração da música.

Inicialmente anunciado com Björk como cabeça de cartaz, a organização foi obrigada a fazer alterações depois da cantora islandesa ter cancelado sua passagem pelo festival minhoto. A resposta foi rápida e precisa com a confirmação de que os Arcade Fire voltariam ao sítio onde foram felizes, e onde também fizeram tanta gente feliz, 13 anos depois.

O festival voltou a demonstrar claramente preocupação e dedicação em apresentar o que há de mais interessante a acontecer na música actual. Dentre o alinhamento, houve música de protestos ao som de Pussy Riot e Skepta, soul com Marlon Williams e Curtis Harding, a eletrónica de produção com os The Blaze, e folk com Kevin Morby e Fleet Foxes, para dar um exemplo. Mas o grande cabeça de cartaz continuou a ser o rio Coura. Na praia fluvial do Taboão muitos festivaleiros confessam vir ao festival não só pela música mas sim pelo ambiente que os contagia nas suas várias idades.

Entre os “sobe e desces” da vila, do recinto ou do campismo,  o festival Paredes de Coura exige “boas pernas” mas nesse ambiente o sentimento generalizado é de união e felicidade. Paredes de Coura está no sorriso, na dança, na leitura, na música mas acima de tudo no respeito. O ecletismo ultrapassa o alinhamento e dentro do festival é possível observar vários tipos de culturas (leitura, contos, natureza) em total harmonia.

Este ano Paredes de Coura conseguiu surpreender com novidades. O conforto notou-se nas extremidades do recinto sem que tenha sido aumentado, mas agora com uma mini varanda para os sunsets surgida pouco depois do famoso portal das fotografias, com ofertas de comida e bebida que ultrapassam o óbvio. A nascer das árvores notam-se pequenos bloquinhos a simular livros de grandes nomes lusófonos, Torga, Lídia Jorge, Mia Couto, Lobo Antunes, Camilo, Eça, com um letreiro “Quantas histórias tem o teu festival?” que apela a que se faça o download dos romances através de um leitor QR code. É um incentivo à leitura nas tardes de sol do Taboão, que sempre viu livros pousados nas suas margens.

Dia 1: psicadelismo e surpresas do continente oceânico

A primeira noite contou com nomes como Linda Martini, Conan Osiris, The Blaze, Marlon Williams, King Gizzard & Lizard Wizard e muita emoção à mistura. As atenções foram alternando com o decorrer do dia entre o neozelandês Marlon Williams, espontâneo e à vontade, e os autralianos King Gizzard & The Lizard Wizard, mais expansivos, e os The Blaze com uma boa produção cénica mas a soar redundantes. Pelo palco principal passaram ainda os portugueses Grandfathers’s House ainda tímidos e Linda Martini com o estatuto de culto para o festival.

Marlon Williams apareceu em palco sozinho, discreto, pegou na guitarra acústica, começou a cantar “The First Time Ever I Saw Your Face” e de repente estavam todos calados e focados à sua volta. O público e o artista a encontraram-se pela primeira vez em Portugal e a recepção foi rápida e clara por parte do cantor: “I love it” exclamou, com um sorriso estampado na cara. A seguir, em “Come to me” já contou com a banda alinhada a seu lado e com uma guitarra eléctrica. À medida que o reportório sucedia, a disposição e abertura aumentava e o público também acabou por se entregar por completo.

Do dispositivo nacional agendado para o primeiro dia, os Linda Martini eram os que melhor conheciam o território (foi a quarta passagem pelo festival), mas desta vez actuaram, com a noite caída, em pleno horário nobre. Com um concerto a soar um pouco a noise mas sem deixar de espalhar o charme do seu rock a derivar para o pós-rock . Passaram pelos cinco álbuns e terminaram o concerto junto do público.

Os australianos dos King Gizzard & The Lizard Wizard apareceram em Paredes de Coura com uma energia que transbordava (depois de em 2017 terem lançado 5!!! álbuns de rajada). Atacaram de imediato com “Digital Black”, com um ecrã atrás da banda a reproduzir trovoada e televisão mal sintonizada. Assim começava o ritual e a partir daqui ninguém os parava. Não há como escapar a estes sete australianos que em “Robot Stop” provocaram mesmo uma avalanche de crowdsurfing obrigando até os seguranças a participar no climax.  Só pararam para se despedir, de forma abrupta, numa assentada só (“thank you, than you, we love you”) sem dar margem para encores.

Com a plateia ainda histeriónica com os australianos, coube aos The Blaze fechar o palco principal. Havia uma pequena expectativa em torno do duo composto pelos primos Guillaume e Jonathan Alric que se juntaram casualmente para dar origem a este projecto que cruza música electrónica com brilhantes criações cinematográficas servindo de videoclipe para os seus principais lançamentos. Faltava saber como isso se reproduziria para o palco.

A música começou com os irmãos escondidos atrás de dois biombos, que logo se transformaram em telas de projecção. Aos poucos, abriram-se para desvendar o duo que parecia fechado numa espécie de caixa. Com o iniciar de uma batida que até contagiava a audiência, iniciou-se a narrativa visual projectada nas telas montadas no palco. O concerto, infelizmente, resumiu-se a isso, apesar de tocar o público o som parecia não crescer muito.

Dia 2: o momento chill dos Fleet Foxes e o neo soul dançante dos Jungle

Durante o dia há saltos e bóias no rio Coura, gargalhadas entre velhos e novos amigos no campismo, sessões de leitura e até concertos secretos. À noite, a mood muda e o ambiente sonoro é outro. Jungle, Fleet Foxes, Japanese Breakfast, The Legendary Tigerman e X-Wife tomaram conta do palco e tornaram a noite de 16 de Agosto uma mistura de ritmos e sensações. Rock, punk, indie-pop, electrónica, funk e soul: houve de tudo no segundo dia de festival Paredes de Coura, incluindo momentos para homenagear Aretha Franklin.

O segundo dia foi encabeçado pelos Fleet Foxes, dois anos após a passagem destes norte-americanos pelo Nos Alive, onde apresentaram o mais que inspirado Crack-up, editado após um pequeno hiato forçado pela necessidade de fuga aos holofotes por parte do vocalista, guitarrista e compositor Robin Pecknold. Dificilmente encontrariam melhor auditório para revisitar o último álbum do que aquele que tiveram no Taboão.

Abriram os primeiros acordes da noite, com “White Winter Hymnal”, com uma plateia não muito preenchida mas muito dedicada – A cantar, sem muita timidez, cada um dos versos.  As cores do entardecer combinaram perfeitamente com as harmonias luminosas dos Fleet Foxes. Em Paredes de Coura, os Fleet Foxes foram angelicais e proporcionaram uma experiência chill folk magistral.

Igualmente magistrais foram os Jungle que seguramente surpreenderam muito do público que não arredou pé depois dos Fleet Foxes. Ainda hipnotizados com a subtileza chill da actuação anterior, o público chocou de frente com a força soul e funk que os Jungle apresentaram com a música de abertura “Platoon”, e foi obrigado a dançar. Uma dança entretanto diferente, mais sedutora, mais envolvente. Os Jungle fizeram do Paredes de Coura uma disco setentista cheia da sua nova soul e de groove. Um baixo ultra balançado, duas vozes firmes e poderosas, e entuasiasmo contagiante: “não conseguíamos imaginar um sítio mais bonito que este, com pessoas tão bonitas, para dançar esta noite” foi a declaração de amor da banda ao festival.

Quase no final do concerto homenagearam a rainha do soul Aretha Franklin em “I miss you”, música que Aretha também dançaria orgulhosa. Os Jungle terminaram o concerto em apoteose com um público extasiado pelo seu espetáculo a céu aberto.

Dia 3: a música de protestos e o shoegaze

No 3º dia do Paredes de Coura, as palavras sobrepuseram-se à música com José Eduardo Agualusa e Kalaf Epalanga a darem voz à escrita no palco Jazz na Relva da Praia Fluvial do Taboão. Um dia caloroso e de grandes mergulhos para refrescar. O campismo manteve-se em modo descanso até mais tarde e houve pouca afluência no final da tarde. Aos poucos os festivaleiros foram aparecendo (muitos deles com a camisa do FC Porto) para verem desta vez Kevin Morby, DIIV, SKEPTA e Slowdive, uma proposta ainda mais eclética.

A promessa – dizia-se que Morby ia tocar equipado à Porto – não se cumpriu, contra a expectativa dos adeptos do FC Porto que se vestiram neste dia de azul e branco. Kevin Morby apareceu apenas com um macacão azul, sem qualquer produção, embelezado apenas pelas letras de tristes amores, dos instrumentais que nos ajudam a embarcar nesse imaginário e pelo sunset melancólico do anfiteatro natural.

Teve um alinhamento mais dedicado ao último álbum City Music e pouco interagiu com o público. Ao fim disse que era sempre bom voltar a um dos seus países favoritos e ainda acrescentou, “about the FC Porto jersey”, que não percebia nada de futebol e que com aquilo do instagram só queria dizer “gosto de todos vocês.”  Foi sem dúvida uma das actuações mais respeitadas e sensíveis do dia e talvez de todo o festival.

A seguir seguiram-se os DIIV num momento em que o público dispersou no recinto para o momento jantar de fast ou mesmo slow foods. Disseram que era um prazer tocar antes dos Slowdive (inspiração óbvia do seu shoegaze) e constantemente faziam joguinhos com os patrocinadores do festival. Apesar de uma expectativa promissora dos albums Oshin e principalmente de Is the Is Are, os jovens pareceram ainda muito perdidos em palco, como se ali se tratasse de um ensaio da banda.

Zachary Cole Smith, líder da banda, balbucia entre os longos intervalos das canções, com uma aparência bastante consumida. Pareceu ter consciência disso, alertando aos fãs: “make DIIV cool again”. Talvez tivessem encaixado melhor no outro palco, sem o peso de um anfiteatro inteira à sua frente.

Em grande chegaram os Slowdive, a banda de Neil Halstead e Rachel Goswell que é um dos pilares do shoegaze e ajudou a criar as fundações do dream pop. Duas décadas depois do hiato a banda inglesa retornou com um álbum surpresa com o mesmo nome, Slowdive. Paredes de Coura já tinha testemunhado o seu desempenho dois anos mas agora o alinhamento era dedicado ao novo álbum e, por isso, menos revivalista. Praticamente não houve telemóveis a apontar ao palco, só cigarros acesos e olhos vibrantes para o vibrante som que ecoava. Os Slowdive de ‘Catch the Breeze’, ‘Alison’ ou ‘When the Sun Hits’ gravaram nas memórias a sua passagem com guitarras distorcidas, uma voz que parecia vir do além e uma bateria sem pressa de nos acordar.

A mudança de género musical não podia ser maior, seguiu-se Skepta a apresentar a sua grime. O vencedor de um Mercury Prize, que com artistas como Dizzee Rascal, Kano ou Lethal Bizzle segura o estandarte do género hip-hop nascido e propagado nas rádios piratas londrinas, ao entrar com o seu Dj Maximum fez a plateia separar-se. De um lado ficaram os curiosos a assistir de longe ao espectáculo e do outro os entusiastas que fazem da frente do palco o playground do moche. Com letras de forte protesto e muito dedo do meio apontado para cima, o espetáculo é pausado com uma reclamação do cantor pelo lançamentos de objetos de merchandising de um dos patrocionadores do festival para o palco. Ultrapassadas as neuras, Skepta retornou em grande e deixou a plateia ainda mais animada. Por ironia depois de sua gang invadir o palco, em Praise the Lord, o concerto acaba com Skepta a lançar merchandise própio para a platéia.

Apesar de uma aposta arriscada por parte da organização em trazer pela primeira vez o género musical ao festival, o concerto foi bem aceite pelo público mas não se destacou como era esperado

Não eram cabeça sde cartaz, mas a atenção estava voltada para o palco secundário e todos estavam atentos à experiência que as Pussy Riots podiam trazer. Esperava-se muita luta, resistência e feminismo. A meio do mês passado algumas Pussy Riot, banda e grupo activista declaradamente anti-Putin, foram mais uma vez condenadas a uma pena de prisão, por conta da invasão de campo que protagonizaram na final do mundial de futebol realizado na Russia. Quatro activistas foram condenadas a 15 dias de cadeia, mas as Pussy Riot vieram a tempo de poderem estar em Paredes de Coura.

O espetáculo começou com duas dezenas de factos enumerados numa lista de mensagens políticas projetadas na tela do fundo do palco. Terminadas as mensagens contra corrupção, ganância e abuso de poder, e a favor da “inclusion and equality is what we need”, a ovação foi deitada cá para fora assim que os quatro membros encapuçados entraram em palco.  Ao chegar o momento da actuação musical o descontentamento foi generalizado, uma enchente de pessoas começam a sair do palco decepcionados com os beats baratos, vozes desafinadas e as dancinhas de liceu. Apesar da forte componente política e de protesto as Pussy Riot mostram que qualquer um com um bom discurso e coragem pode ser uma Pussy Riot em palco.

Dia 4: a incontestável noite dos Arcade Fire

Há muito que o dia 18 de Agosto, o último dia do Vodafone Paredes de Coura, estava esgotado. O sucesso fazia-se prever, com um cartaz que prometia e cumpriu. Big Thief, Curtis Harding, Dead Combo e Arcade Fire encerraram da melhor forma a 26º edição do festival.

Ao fim da tarde, uma multidão considerável já ‘segurava lugar’ para os Arcade Fire ao som de Curtis Harding. O sol pôs-se ao som do blues rock com alma do já experiente norte-americano que só ficou conhecido quando “Need Your Love” chegou a nossos ouvidos.

O concerto durou pouco mais que uma hora de uma soul visivelmente contaminada de blues e R&B clássico; Harding apresentou-se de óculos de sol com armação pejada de brilhantes, acompanhado por uma banda totalmente vestida a condizer com a música que cantava.

Posto isto, Big Thief, banda de indie/folk liderada por Adrianne Lenkerm, cantou com suavidade suas angustiantes canções.  Emocionada e por vezes aparentemente desnorteada,  Lenkerm trouxe para apresentar a maior parte músicas do seu último album Capacity.

A seguir, e já com o recinto todo voltado para o palco principal, os Dead Combo, apesar da doença de Pedro Gonçalves,  mostraram uma energia incrível e uma ótima ligação com o público. A banda alfacinha abriu o concerto com “Deus Me Dê Grana” que acordou de imediato o público desejoso de ouvir o concerto que se seguia. Em temas como “The Egyptian Magician”, “Cuba 1979” e “Esse Olhar Que Era Só Teu”, os Dead Combo revelaram a capacidade única de juntar diferentes estilos musicais, unindo o rock ao tradicional fado, com boas guitarradas que fazem lembrar Carlos Paredes.

Em seguida, Tó Trips convidou Mark Lanegan a juntar-se aos portugueses em palco. Lanegan cantou 3 canções, sendo o momento alto da combinação o poema de Fernando Pessoa “I Know, I Alone”. Com a saída do norte-americano de cena, os Dead Combo reiniciaram com “Desassossego”, mais uma música inspirada em Pessoa. Para finalizar tocaram “Lisboa Mulata” com a felicidade dos músicos espelhada nos seus rostos e um sentimento de vitória mais do que merecido.

E pronto… chegou o grande momento do festival… Dificilmente era possível furar para as zonas mais próximas do palco. Os Arcade Fire regressam em horário nobre para encerrar o festival em grande. Com o novo álbum, Everything Now, editado em 2017, longe da genialidade do primeiro, Funeral, não havia nada que indicasse que a banda iria tentar replicar o que aconteceu há mais de uma década.

No topo do palco, podia ver-se uma bola de espelhos enorme e dois ecrãs em diagonal apontados para o centro do palco. Recebidos como heróis os Arcade Fire iniciaram o concerto com a canção título do ultimo album Everything Now ovacionada por todos os presentes.

Seguiu-se “Funeral: ‘Neighborhood #3 (Power Out)'” e “Rebellion (Lies)” cantada pela banda nesse momento iluminada por luzes encarnadas e por todo o público. Ainda a reviver o passado, chegamos a “No Cars Go”, outro ‘monumento’ para cantar em coro. A versão de Neon Bible, fez brilhar o violino de Sarah Neufeld ao mesmo tempo que o povo juntou, outra vez, a sua voz à da banda.

Já com a plateia totalmente rendida, o líder Win Butler faz uma pausa para recordar a primeira vez que vieram a Portugal e que aqui estiveram “Muitos dos que aqui estavam na primeira vez ainda eram miúdos. Nós também éramos. Hoje voltamos.”

Electric blue é cantado a seguir por Régine Chassagne no tom infantil, agudo e desafinado que a caracteriza. O cenário teatral montado no palco mostrava movimentos frenéticos de todos os elementos da banda. A produção das imagens no ecrã, acompanhavam as suas trocas de posição, misturando-se em tempo real com outros materiais audiovisuais.

Seguiram-se Put your money on me, e a rara Cars and telephones, que Win Butler explica ter escrito quando sua família não acreditava em sua carreira musical, Intervention, um recado “para Donald Trump”, e The suburbs, com uma forte levada blues.

Antes do ponto final, os Arcade Fire passaram ainda por Ready to startSprawl II (Mountains beyond mountains) e Reflektor com toques melancólicos de All your friends dos LCD Sound System. Terminaram como tinham começado em 2005, com Wake up entoada pela plateia de 27 mil pessoas. Pareciam não querer sair do palco mas fecharam como devia fechar. Arcade Fire voltaram a Portugal pela segunda vez este ano e deram o concerto que toda a gente ansiava por ver. Tê-los de volta foi tudo o que se esperava.

Paredes de Coura, para o ano há mais…

O diretor do Paredes de Coura, João Carvalho, confirmou mais um ano de sucesso em 2018 e já confirma datas para o próxima edição. O Paredes de Coura acontecerá entre os dias 14 a 17 de Agosto de 2019 com os habituais três dias antecedentes dedicados ao Sobe à Vila, “um festival dentro do festival, aumentando a cumplicidade entre a população e o evento” uma forma que o Festival Paredes de Coura agradece à localidade que recebe o evento.

O desafio para as próximas edições por parte da Vodafone, parceira do festival, “é melhorar o que já está perfeito. Este festival é muito mais do que música, é o festival com mais cultura em Portugal e isso também se notou na aposta dos ‘downloads’ de obras literárias (1300 obras gratuitas descarregadas)”, referiu Leonor Dias, diretora da marca Vodafone em Portugal.

Fotografias de: Nuno Diogo