Aphex Twin: o génio da electrónica saiu da cave… outra vez

Com Collapse EP, um dos produtores musicais mais misteriosos da contemporaneidade sai da cave para nos levar em mais uma viagem.

Aphex Twin, alter-ego de Richard D. James, é um dos produtores musicais mais misteriosos da contemporaneidade. Não porque se disfarça através de extravagantes vestimentas ou porque embarca em ondas teatrais em palco assumindo personagens, mas simplesmente porque despreza a maioria dos canônes da indústria onde se move.

Assim, Aphex Twin fez em mais um lançamento praticamente de surpresa. Collapse EP foi antecipado pelo surgimento misterioso do logo de Aphex em vários locais, como estações de metro londrinas, a cidade italiana de Turim ou uma das paredes da loja de discos Amoeba Music, em Los Angeles, tendo sido mais tarde confirmado pela sua editora Warp.

Com esses teasers, Aphex Twin traçava assim mais um caminho paralelo ao tradicionalmente percorrido pela indústria musical, aparentemente sem se preocupar muito com a directa aceitação. De resto, até o comunicado de imprensa  enviado às redacções parecia dificultar propositadamente a tarefa dos jornalistas com o texto num estado de distorção complicado de se ler.

Collapse EP é o sucessor de Cheetah, um trabalho que o produtor britânico teve a oportunidade de apresentar em Portugal num concerto épico no NOS Primavera Sound, onde os efeitos visuais serviram de complemento. Foi lançado apenas um ano depois de Cheetah – algo que denota no músico um ritmo surpreende (Aphex é conhecido pelos seus longos e misteriosos hiatos, o maior foram 13 anos), mas que se pode explicar pela breve duração do registo (são apenas cinco faixas).

O single de Collapse, “T69 Collapse” é acompanhado de um vídeo a fazer lembrar os visuais do tal concerto do Primavera do Porto e, por exemplo, a actuação de Squarepusher (os dois já partilharam editora). Esse mesmo vídeo teve estreia marcada para o canal norte-americano Adult Swim, que acabou cancelada por o produto audiovisual chumbar nos testes de Harding, sendo potencialmente desencadeador de ataques epilépticos.

Collapse EP é um registo único como todos os desta leva de produtores de música electrónica, incentivos e disruptivos, mas não foge à estética que pudemos ouvir quer em Cheetah. É mais um exemplar de género único – Aphex é aliás um dos nomes associados ao Drill ‘n’ Bass, um subgénero da electrónica. Ao longo das 5 faixas, é raro encontrar 15 segundos iguais; as variações de ritmo são a constante que dá vida a melodias, umas mais surpreendentes que outras, resultando em músicas difíceis de descrever.

Aphex Twin é um daqueles produtores em que o abstracto mais do que aleatório significa intencional e emotivo, não sendo, por isso, difícil relacionarmo-nos com os ambientes sonoros criados pela sua música, imaginando cenários e histórias que completem o seu significado. Collapse EP, sintonizado até pelo vídeo do single, assemelha-se a uma viagem em constante aceleração perante um momento de estímulos múltiplos, repetitivos, à beira… do colapso; um universo contínuo onde parece ser impossível travar a fundo ou desacelerar.

A capa de Collapse EP

Collapse EP (tracklist)

  1. “T69 Collapse”
  2. “1st 44”
  3. “MT1 t99r2”
  4. “abundance10edit[2 R8’s, FZ20m & a 909]”
  5. “pthex”