Novo disco de Carlão sai dia 14 com Slow J, Manel Cruz e Zambujo entre os convidados

Entretenimento? conta com outros artistas e produtores que ajudaram Carlão a questionar as actuais formas e contexto de entretenimento, da uma forma crítica e criativa a que já nos habituou.

Carlão (foto de Nash Does Work/DR)

Depois de Quarenta, LP editado em 2015, e de Na Batalha, EP que saiu em 2016, Carlão apresenta o sucessor deste: Entretenimento?. O novo disco – um longa-duração – será lançado no próximo dia 14 de Setembro e conta com 12 temas originais, entre eles, os singles que foram sendo divulgados ao longo dos últimos meses: “Agulha no Palheiro”, “Viver Pra Sempre” e “Contigo”.

Em 2015, Quarenta marcou o regresso de Carlão (ex-Pacman dos Da Weasel) à rima; um disco carregado de questões existenciais e minudências do quotidiano. Este registo reflexivo, pessoal e autobiográfico, manteve-se de certo modo em Na Batalha, um conjunto de quatro faixas que teve apenas edição digital. Agora, com Entretenimento?, que terá formato físico, os quatro temas do EP de 2016 passam a estar disponíveis em CD, ao lado das novas 12 músicas.

Entretenimento? sai apenas dia 14 mas já pode ser encomendado quer através do iTunes, quer através da Fnac. Todos os discos adquiridos na Fnac durante o período de pré-venda serão autografados pelo artista. No caso da pré-venda digital, via iTunes, será oferecida uma faixa extra e exclusiva – “Marca Registada”.

Entretenimento? conta com convidados de destaque como António Zambujo, Manel Cruz e Slow J, entre outros artistas e produtores, que ajudaram Carlão a questionar as actuais formas e contexto de entretenimento, da uma forma crítica e criativa a que já nos habituou.

Kalaf Epalanga, membro dos Buraka Som Sistema e co-fundador da editora A Enchufada, através da qual Carlão edita, escreveu o seguinte sobre o novo disco do amigo:

Na cadência confessional que é indubitavelmente já sua assinatura, Carlão, diante de um espelho e olhando de frente para imagem reflectida, cuspiu o seguinte: “…sou só uma lenda na minha cabeça/sou só uma lêndea na tua cabeça”. Corria o minuto 2h45 da faixa que dá título e abre esse Entretenimento? que ele nos oferece em forma de disco. Naquele instante, imaginei-o nesse diálogo íntimo, no confronto entre o homem e o MC. Num jogo do mostra tudo, onde é tudo imagem, ideia e conceito.

Aqui pululam punchlines assertivas: “Entretenimento é rei e todos prestam vassalagem”. Desengane-se o ouvinte que pensar que na imagem reflectida no espelho, não esteja também a nossa. Somos nós que queremos ser entretidos. É também nossa a fome e a vontade de comer. E anestesiados, subscrevemos à “#Demasia” – “Quem morreu eu não sei/ Mas gostei da homenagem”.

O corpo não foi esquecido. Na faixa assistida por Manel Cruz, produção e refrão que fecha com o desabafo-convite “Vou ganhar coragem pra fazer a mudança”, bato o pé no compasso e apanho balanço para a dança. Carlão, mais uma vez, volta a mostrar sem muito alarido, que não só de boom bap vive o homem. Se em “Cerejas” respiramos pop 80s, na faixa “Contigo” mergulhamos na onda sonora dessa Lisboa contemporânea que a dupla Branko & Pedro (Enchufada) sabem rendilhar com mestria. Nos versos, Carlão, volta a trazer a coolness da vida conjugal. Quem conhece os desafios da vida familiar sabe que nenhum outro MC soube rimar as vicissitudes do matrimónio de forma tão arrebatadora. Tal como disse Pusha T e bem – “If You Know You Know”.

Lucidez, é o termo que melhor define esse conjunto de canções. Há muito que os discos de Carlão não se circunscrevem a um género apenas. Em “Bebe Um Copo” que divide com António Zambujo, não se inibe, colocando-se à beira do abismo vocalmente, arriscando o canto, tímido é certo, mas canto ainda assim. A voz desprende-se frágil, porque a história de uma despedida penosa revelada na canção, assim o exige.

Em “Brilha”, uma faixa carregada de ternura e amor paternal para com as suas tenentes, uma frase destacou-se: “Às vezes eu penso que nada disto vale a pena”. Uma das maiores realizações na vida depois dos quarenta é que o corpo passa para segundo plano e a maior preocupação passa a ser a nossa saúde mental: “se te falo em depressão/ isto não é um capricho / é um monstro, é um bicho”. Se existe algo que o rap pode aprender com o rock, é exactamente isso, o deixar de ter receio de abordar assuntos que nos tocam a todos. Independentemente do nosso escalão do IRS, género ou grupo demográfico.

Em “Viver Para Sempre”, um tema-oração produzido por Boss AC, um regresso às raízes cabo-verdianas de ambos e desenhado para galvanizar multidões num festival de verão. Nos versos, Carlão sublinha “a vida são dois dias / mas eu quero o terceiro / que se lixe o dinheiro / saúde primeiro”. Um disco maduro, que fecha da melhor forma, com um “Até Já”, produzido por Xxoy, o mesmo que assina o tema de abertura. E ainda que 12 seja o número perfeito para revelar as histórias e interrogações que compõem esse Entretenimento?, mais haverá por questionar, pois levamos à letra as confissões do autor quando este revela: “se calhar ainda consigo fazer o disco da vida / se calhar já o fiz numa noite perdida”. E se esse almadense acredita que o melhor ainda está para vir, só nos resta dar-lhe espaço enquanto ele atina, e quando a rima finalmente se fizer soar, só teremos que nos deixar fluir.

Capa de Entretenimento?

Carlão – Entretenimento? (tracklist):

  1. “Entretenimento”
  2. “#Demasia”
  3. “Cerejas, Só Isso” (feat. Manel Cruz)
  4. “Contigo”
  5. “Bebe Um Copo” (feat. António Zambujo)
  6. “Agulha No Palheiro” “feat. Bruno Ribeiro)
  7. “Repetido” (feat. Slow J)
  8. “Na Margem” (feat. Nelson Correia)
  9. “Foge De Mim” (feat. Edi Ventura)
  10. “Brilho” (feat. Bruno Ribeiro)
  11. “Viver Pra Sempre”
  12. “Até Já”
  13. “Na Batalha” [exclusivo na edição física]
  14. “Hardcore” (feat. Bruno Ribeiro) [exclusivo na edição física]
  15. “Uma Vez É Demais” (feat. Bruno Ribeiro) [exclusivo na edição física]
  16. “A Minha Cena” [exclusivo na edição física]