Executivo do YouTube diz que Artigo 13 “enfraquece a economia criativa”

Para Robert Kyncl, director de negócios do YouTube, a proposta em discussão nas instâncias europeias pode sufocar a liberdade criativa dos criadores.

Foto de James Baldwin via Unsplash

Um dos principais responsáveis pelo YouTube publicou, esta quinta-feira, um texto a propósito da proposta de directiva sobre o direitos de autor que irá a votos no Parlamento Europeu na próxima semana. Para Robert Kyncl, director de negócios do YouTube, o Artigo 13 (e outras parte da proposta) “potencialmente enfraquece a economia criativa, desencorajando ou até mesmo proibindo plataformas de hospedar conteúdo gerado pelos utilizadores”.

Para Robert, a proposta em discussão nas instâncias europeias pode sufocar a liberdade criativa dos criadores, mas “pode também ter consequências negativas e graves para os fãs, para as comunidades e para as receitas que todos vocês trabalham arduamente para conseguir”, escreveu, dirigindo-se aos youtubers. No entender deste executivo, que serve de porta-voz para toda a empresa, a internet aberta – tal como a conhecemos – possibilitou que qualquer um pudesse produzir e publicar conteúdo, criando “uma nova economia criativa global para criadores e artistas”.

Na mesma publicação no blogue do YouTube Creator, o executivo explica que já existem na plataforma diversas ferramentas que protegem os direitos de autor, quer seja evitando que conteúdo de outros seja republicado ou que músicas sejam usadas sem autorização em vídeo. Contudo, elas não interferem com a criatividade dos criadores. “Os detentores de direitos de autores têm controlo sobre o seu conteúdo: podem usar essas ferramentas para bloquear ou remover os seus trabalhos, ou podem deixá-los no YouTube e ganhar receitas da publicidade. Em mais de 90% dos casos, escolhem deixar estar o conteúdo. Permitindo esta nova forma de criatividade e interacção com os fãs, os artistas conseguem uma promoção global em massa e ganhar ainda mais receitas”, lê-se.

Por outras palavras, músicos e outros artistas podem ganhar mais dinheiro no YouTube deixando que outros usem os seus trabalhos, podendo decidir quando não querem que outros usem esses conteúdos que criaram. O YouTube não é a única plataforma de criadores preocupada com a reforma de direitos de autor em discussão na União Europeia. Também empresas como o Patreon, o WordPress ou o Medium não vêem com bons olhos o Artigo 13, juntando-se a personalidades como Tim Berners Lee ou youtubers como Phil DeFranco.