Extrema-direita ganha terreno por toda a Europa. Agora na Suécia

Partido que hasteia a bandeira da anti-imigração chega a 3ª força de poder.

Foto de Anders Wiklund via AP

Se há quem diga que a principal onda migratória que caracterizou a crise de refugiados que assolou a Europa nos anos recentes já terminou, as suas consequências estão longe de ter terminado. Por outro lado, algumas delas começam cada vez mais a fazer-se sentir e, sobretudo, a ganhar poder institucional.

Entre esses problemas, o mais evidente e destacável dos demais é, sem dúvida, o crescimento dos partidos de extrema-direita com programas políticos simplistas e que se focam no discurso anti-imigração e anti-integração na União para colher votos. Foi em Itália, na Hungria e agora na Suécia que vimos, nas várias configurações, movimentos populistas subir ao poder.

Este domingo, dia 9 de Setembro, os suecos foram às urnas, numa eleição participada por 82% da população, e podem não ter dado uma vitória objectiva ao partido de extrema-direita, mas deram-lhe uma importante vitória simbólica – um peso para negociar participação em eventuais coligações de poder.

O partido – liderado por Jimmie Åkesson e que curiosamente, ou não, dá pelo nome de Democratas – foi fundado por simpatizantes nazis no final dos anos 1980 e atingiu em 2018 uma votação superior a qualquer outra da sua história, 17,7%, a demonstração de que os ideais propagadas começam a ecoar de outra forma fazendo deste o 3º partido mais votado.

O feito é particularmente assinalável por representar a subida de um partido radical num país onde a ordem política, isto é, o establishment, tem uma tradição de décadas apenas com pequenas mudanças.

Para além da subida deste partido e do crescimento do seu peso relativo, as eleições suecas levantam outra grande questão sobre o futuro do país. Stefan Löfven, Primeiro-Ministro em exercício, eleito pelos Social Democratas, viu toda a coligação que dá suporte ao seu governo (à esquerda, entre sociais democratas e verdes) ficar à frente na representação parlamentar por apenas um assento e não deverá ter tarefa fácil na revalidação do acordo de governo.

O Partido Social Democrata de Stefan Löfven foi o mais votado, seguido dos Moderados, liderados por Ulf Kristersson, ainda que ambos tenham perdido pontos percentuais face ao último acto eleitoral em 2014 – pontos esses que, segundo analistas locais, deram força ao partido radical que se infiltrou na corrida.

Os próximos dias, semanas ou meses serão agora passados à mesa das negociações até se encontrar uma solução governativa que agrade todos os parlamentares ou, dito de outra forma, a solução governativa que desagrade a menos. O país nórdico é de resto conhecido pela sua tradição pragmática e democrática, sendo que a única dúvida é mesmo se alguém aceitar dividir o poder com os Democratas.

Ao tornar-se no 3º partido mais votado, o partido de extrema-direita tem algum poder negocial para tentar fazer parte da solução de governo e já demonstrou vontade de o fazer.