Facebook anuncia novidades da Oculus, sem a presença dos seus fundadores

Mark Zuckerberg e os seus executivos anunciaram esta quarta-feira um novo produto de realidade virtual, os Oculus Quest. Em palco, não vimos os fundadores da Oculus, empresa que o Facebook comprou em 2014.

Zuckerberg anuncia Oculus
Mark Zuckerberg durante a apresentação dos Oculus Quest (foto via Facebook/DR)

Em 2012, o Facebook adquiriu o Instagram por mil milhões de dólares. Em 2014, agarrou por 19 mil milhões o WhatsApp. Nesse mesmo ano, a empresa de Mark Zuckerberg comprou por 3 mil milhões (afinal) a Oculus VR, entrando, assim, no mercado de realidade virtual.

Ora, desde 2014, o Facebook e a Oculus lançaram três produtos, começando em 2015 pelos Gear VR, em parceria com a Samsung e compatíveis com smartphones desta marca. Em 2016, chegou os aguardados Oculus Rift, uns óculos que, com a ajuda das capacidades gráficas e de processamento de um PC com determinados requisitos, permitem obter uma experiência de realidade virtual de excelência. Os Rift começaram por custar 599 dólares com os comandos Oculus Touch a serem vendidos em separado por 199 dólares. No final de 2017, o Facebook e a Oculus decidiram reduzir o preço para 399 dólares e juntar tudo – óculos e comandos – na mesma caixa.

Os Oculus Rift (foto via Oculus/DR)

Na mesma altura em que os Rift baixaram de preço, foram anunciados os Oculus Go, uns óculos sem fios, pensados para a portabilidade. Desenvolvidos em conjunto com a Qualcomm e a Xiaomi, os Go são comercializados por 199 dólares e apresentados como a forma mais fácil de entrar no mundo da realidade virtual, juntando a mobilidade dos Gear VR à qualidade superior dos Rift. Os Go têm um ecrã integrado e o processamento acontece também nos próprios óculos, pelo que não precisam de ser conectados a um smartphone ou computador.

Como está a realidade virtual?

No segundo trimestre de 2018, as vendas de equipamentos de realidade virtual (VR) diminuíram 33,7%, segundo dados da analista IDC, que, no entanto, diz entender essa quebra como temporária. Outra consultora, a SuperData, avança que no mesmo período terão sido vendidas 289 mil unidades dos Oculus Go, equipamento que – acrescenta – ajudou a contrariar a tendência de quebra sentida no geral no mercado de realidade virtual. Também a Thinknum traça um cenário negativo, recorrendo a dados de vendas da Amazon. No fundo, apesar de um ou outro equipamento conseguirem ter algum sucesso, esse sucesso não consegue passar de algo momentâneo, muitas vezes associado à altura em que os produtos são lançados ou impulsionados por descidas de preço.

Para a realidade virtual chegar ao mainstream faltam conteúdos que justifiquem o investimento dos consumidores em produtos desta categoria de mercado – falta aquela killer app ou aquele killer game (o gaming é, sem dúvida, a área onde o VR mais se enquadra, sendo inclusive os óculos da PlayStation os mais vendidos). Falta o hardware ser acessível economicamente e descomplicado tecnologicamente, oferecendo uma experiência de realidade virtual de qualidade sem o processador de um computador, o ecrã de um telemóvel ou cabos e sensores espalhados pela sala. A IDC prevê que os óculos independentes, como os Oculus Go, venham a representar 48% do total de vendas em realidade virtual e aumentada em 2020 (representaram 5% em 2017).

Oculus Quest: a próxima estrela da Oculus

O Facebook é uma das empresas que mais tem insistido na realidade virtual e anunciou esta quarta-feira uns novos óculos em nome da sua subsidiária. O novo equipamento chama-se Oculus Quest; ainda não está pronto, mas a Oculus afirma que em 2019 vai estar no mercado. Sem fios como o Go, os Oculus Quest posicionam-se como os sucessores dos Rift. No interior, haverá dois ecrãs com resolução de 1600 x 1440 pixels, um por olho, que nos permitirão imergir num ambiente de realidade virtual. Terá também altifalantes integrados.

Os Oculus Quest (imagem via Oculus/DR)
Os Oculus Quest (imagem via Oculus/DR)

Todo o processamento gráfico ocorre no interior dos óculos, que não requerem também sensores dispostos numa sala. Em vez disso, a Oculus recorre a algoritmos de visão computacional e a quatro sensores de grande alcance integrados nos próprios óculos para determinar a posição exacta e em tempo real do utilizador. A Oculus chama a este sistema de Oculus Insight. Quando for lançado no mercado, a subsidiária do Facebook conta ter uma biblioteca de mais de 50 jogos disponíveis, além dos títulos que se se popularizaram com os Oculus Rift. O preço será o mesmo destes: 399 dólares.

Oculus sem os seus fundadores

O anúncio dos Oculus Quest aconteceu na 5ª edição da Oculus Connect, cujo palco não foi pisado por nenhum dos cinco fundadores originais da Oculus VR – Palmer Luckey, Brendan Iribe, Jack McCauley, Michael Antonov e Nate Mitchell. Em vez deles, vimos Mark Zuckerberg, director executivo do Facebook, Andrew Bosworth, vice-presidente de VR/AR no Facebook; e Hugo Barra, vice-presidente de VR, a anunciar as últimas novidades, conforme aponta o TechCrunch.

A “estadia” da Oculus no Facebook tem sido algo atribulada. No ano passado, o Facebook teve de enfrentar um processo de 3 mil milhões da ZeniMax Media, que acusou a Oculus de ter roubado propriedade intelectual sua; a empresa de Zuckerberg acabou a pagar 250 milhões. Por outro lado, Palmer Luckey, um dos co-fundadores da Oculus, foi apanhado a financiar um movimento anti-Clinton durante as eleições norte-americanas, causando algum mal estar interno e levando à sua saída do Facebook. Contudo, anteriormente a esse caso, já Mark Zuckerberg tinha reorganizado a sua equipa dedicada à realidade virtual, colocando Hugo Barra, da Xiaomi, à frente de todos os esforços, reportando directamente a ele.

Em edições anteriores da Oculus Connect, os co-fundadores da Oculus já tinham tido um papel de menor destaque, apesar de estarem sentados na audiência; no ano passado, só Nate Mitchell participou em palco. Recorde-se que esta semana os dois fundadores do Instagram anunciaram a sua demissão, seguindo-se aos fundadores do WhatsApp.