Fundadores do Instagram abandonam Facebook devido a desentendimentos

Ambiente entre o Instagram e o Facebook já não estaria muito bom, avança o TechCrunch.

Kevin Systrom, ex-CEO do Instagram, e Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, juntos em 2015 (foto via Mark Zuckerberg/Facebook)

Foi em Abril de 2012 que o Facebook anunciou a compra do Instagram. O negócio – fechado em mil milhões de dólares, um valor que hoje seria bastante baixo mas que na altura representou o primeiro grande negócio da empresa de Mark Zuckerberg – consistiu na aquisição de uma app com pouco mais que 30 milhões de utilizadores no iOS e cuja versão Android tinha apenas uma semana mas cm um potencial tremendo.

Seis anos depois, o Instagram reúne para cima de mil milhões de utilizadores, dos quais 500 milhões estão activos diariamente. Nestes seis anos, a equipa do Instagram cresceu de 13 pessoas para mais de mil, espalhadas por vários escritórios, e foi ficando mais ligada à equipa do Facebook, à medida que o Instagram foi sendo integrado na rede social azul (e vice-versa). Apesar de o Facebook ter prometido independência para o Instagram, o certo é que as duas redes foram-se aproximando, não só com opções para que os utilizadores partilhem conteúdo do Instagram no seu Facebook, como também com estratégias mais assertivas (e que nem sempre passaram da fase de teste) como atalhos para saltar entre uma app e a outra, ou notificações do Facebook no Instagram.

Kevin Systrom e Mike Krieger recebem um prémio pelo Instagram em 2012, na 16ª gala Annual Webby Awards (foto de Jason Kempin/Webby Awards via Flickr)

Paralelamente, o Instagram foi ganhando funcionalidades, deixando de ser uma simples app para partilha de fotos quadradas com filtros artísticos, para abraçar também vídeo, mensagens privadas, videochamadas de grupos, Stories e fotos que desaparecem ao fim de alguns segundos, anúncios, um feed não algorítmico, etc. Durante os seis anos, o Instagram conseguiu lançar aplicações populares, como o Boomerang, que se tornou parte integrante da app principal; e outras que ainda que ainda têm de provar o espaço espaço, como o IGTV, dedicada a vídeo vertical.

Pondo os milhões de dólares de parte, o Instagram beneficiou, claro, da união ao Facebook, principalmente ao nível de equipa técnica, de crescimento internacional e de vendas. A empresa de Mark Zuckerberg tem recursos fruto da sua dimensão e do seu histórico. Contudo, nem tudo são rosas. Kevin Systrom e Mike Krieger, os dois fundadores do Instagram, que ainda trabalhavam na empresa proprietária do Facebook, decidiram abandonar esta segunda-feira os respectivos cargos: director executivo e director técnico, respectivamente. A notícia foi avançada primeiro pelo New York Times e mais tarde confirmada através de um comunicado publicado por Kevin: “O Mike e eu estamos gratos pelos últimos oito anos no Instagram e seis anos na equipa do Facebook”, escreveu o co-fundador e agora ex-CEO do Instagram.

“Estamos a planear tirar algum tempo para explorar a nossa curiosidade e criatividade novamente. Construir novas coisas requer que deixemos outras, percebamos o que nos inspira e tenhamos em conta aquilo de que o mundo precisa; é isso que planeamos fazer”, acrescentou, referindo que continuam entusiasmados com o futuro do Instagram e do Facebook nos próximos anos mas que agora são dois meros utilizadores em mil milhões.

Mark Zuckerberg e Kevin Systrom em 2012, discutindo a integração do Facebook no Instagram (foto via Mark Zuckerberg/Facebook)

Kevin e Mike não foram os únicos responsáveis máximos pelo Instagram a abandonar o barco recentemente, conforme escreve o TechCrunch. Nicole Jackson Colaco, directora de relações públicas, saiu no início do ano; e Marne Levine, directora de operações, abandonou tal posição há duas semanas para liderar as parcerias no Facebook, não tendo sido substituída. O TechCrunch fala num desconforto já duradouro entre o Instagram e o Facebook.

Em Maio deste ano, Adam Mosseri, outrora vice-presidente do News Feed, tornou-se vice-presidente de produto no Instagram e juntamente com Chris Cox, director de produto do Facebook, diz-se que conseguiria pressionar o Instagram a fazer o que o Facebook queria. “O Adam tem uma personalidade muito forte”, comentou uma fonte com o TechCrunch; e o “Chris e o Kevin nunca se deram bem”. “Quando Chris começou a ter iniciativa e com Adam como parte da equipa old-school do Facebook, ficou claro que não seria agradável. Eu vi que esse gajo [Systrom] iria ser espremido”, acrescentou. Contudo, outra fonte ouvida pelo TechCrunch relatou que Adam Mosseri foi bem recebido quando passou a integrar o Instagram e que Chris Cox era cooperativo com o director executivo da pequena app colorida. Refere também o TechCrunch que Kevin Systrom e Mark Zuckerberg davam-se bem, apesar de terem ocasionalmente opiniões divergentes, nomeadamente quanto à aproximação das duas plataformas – Instagram e Facebook.

Kevin, Mike e a sua equipa do Instagram (foto via Instagram/DR)

Não se sabe como teria sido a vida do Instagram e, em particular, de Kevin e de Mike se não tivessem vendido a sua start-up ao Facebook, mas este tem-se tornado um aniquilador poderoso de toda a concorrência, como é o caso do Snapchat, cujo crescimento desacelerou depois de o Instagram ter copiado com sucesso as suas principais funcionalidades, principalmente as Stories.

Em Abril deste ano, recorde-se, outra grande aquisição do Facebook, outra saída. Jan Koum, até então director executivo do WhatsApp, empresa que o Facebook adquiriu por 19 mil milhões de dólares, anunciou que iria abandonar o “barco” de Mark Zuckerberg. E Brian Acton, o outro fundador do WhatsApp além de Jan, já tinha abandonado o projecto em Setembro de 2017. Já no início deste ano, Brian publicou no Twitter as palavras “Delete Facebook” à margem do escândalo da Cambridge Analytica que abalou todo o Facebook.