Uma amostra do que acontece à Internet quando “desligam” o Facebook

O Facebook desapareceu por 45 minutos e as pessoas começaram a ler notícias directamente nos sites e apps dos jornais.

O Facebook em decadência (trabalho de Andrei Lacatusu/Behance)

São dados estatísticos e valem o que valem. No dia 3 de Agosto, o Facebook esteve em baixo durante 45 minutos praticamente em todo o mundo. Durante esse período, a Chartbeat, uma empresa de análise que trabalha com diversos grupos de media ajudando-os a chegar melhor à sua audiência, registou um aumento de 11% no tráfego directo para os sites,  22% na abertura de outras apps e de 8% no tráfego via pesquisa. No total, sem o Facebook, o tráfego para os sites subiu 2,3%.

“Deixámos essencialmente de ver qualquer tráfego do Facebook globalmente. Caiu quase por inteiro e só existia porque algumas pessoas tinham páginas do Facebook abertas no momento em que este falhou”, referiu Josh Schwartz, que supervisiona a parte de ciência de dados na Chartbeat, durante uma conferência recente. “A pergunta que podemos fazer é: num mundo onde o Facebook não é uma forma para as pessoas receberem notícias, o que acontece?” Para o responsável da Chartbeat, foi fascinante ver o tráfego aumentar globalmente nos sites com o desaparecimento – ainda que temporário – de uma das maiores fontes de tráfego online.

Imagem de Magnus Bjerg via Twitter

Josh mostrou que, durante os 45 minutos sem Facebook no dia 3 de Agosto, mais pessoas acederam aos sites de notícias directamente (aumento de 11%) e ainda mais pessoas abriram as apps de jornais e outros órgãos de comunicação social (22%). “Os consumidores queriam mesmo aceder às notícias, não queriam simplesmente afastar-se uns minutos [da internet]. E quando uma fonte de notícias não funcionava, mudaram para outra app”, disse, acrescentando que existiu também um ligeiro aumento do tráfego via Google (8%) durante o mesmo período. “Esses visitantes tendem a fazer visitas com mais qualidade”, acrescentou. “Se alguém chega directamente, tende a permanecer mais tempo no site. Quem abre uma app, tende a ficar lá também”, algo que a Chartbeat verificou também na janela temporal em que o Facebook não esteve disponível. Para determinar estes números, a analista usou dados dos seus próprios clientes – publicações como The New York Times, CNN, The Atlantic, UOL e Le Monde, que juntas fazem mais de 50 mil milhões de pageviews por mês.

Josh Schwartz vê estes dados obtidos durante os 45 minutos em que o Facebook esteve em baixo como uma pequena experiência que mostra o que pode acontecer se este canal desaparecer, ressalvando que é um tema muito mais complexo do que o espelhado nesta análise. Durante a sua apresentação no encontro ONA18, que decorreu de 13 a 15 de Agosto em Austin, Texas, o responsável da Chartbeat apresentou outras tendências sobre o mercado das notícias online.

Em traços gerais, o tráfego via mobile já ultrapassou o tráfego via desktop, e que nos últimos dois anos registou-se uma descida significativa do número de pessoas que chegam aos órgãos de comunicação social através do Facebook. Paralelamente, o tráfego directo cresceu 30% desde Janeiro de 2017.