O homem mais rico do mundo cria fundo de 2 mil milhões para ajudar sem abrigo

O fundador e CEO da Amazon não é um rosto visível no mundo filantropo e é tudo menos famoso pela sua solidariedade.

Jeff Bezos
Jeff Bezos num simpósio em 2016 (foto de Matthew Staver/Bloomberg)

Apesar de ter uma fortuna estimada de 163,8 mil milhões de dólares, o fundador e CEO da Amazon não é um rosto muito visível no mundo filantropo, tendo feito através da Bezos Family Foundation apenas algumas doações para apoiar a educação de crianças ou a investigação sobre o cancro. Os esforços de Jeff Bezos em nada se comparam aos de Bill Gates, que só em 2017 doou 4,78 mil milhões de dólares através da sua Bill And Melinda Gates Foundation.

Jeff Bezos e a sua mulher, MacKenzie Bezos, decidiram lançar esta quinta-feira um fundo de 2 mil milhões de dólares para ajudar famílias e pessoas sem casa e criar uma rede pré-escolar sem fins lucrativos junto de comunidades com baixos rendimentos. O passo, como escreve a Bloomberg, catapulta o homem mais rico do mundo para o grupo de filantropos multimilionários, a que pertence, entre outros, Bill Gates ou Mark Zuckerberg, dois homens ligados também ao mundo da tecnologia que recorrem a esta estratégia para tentar de algumo modo recompensar a sociedade.

De acordo com o dono da Amazon, o Bezos Day One Fund irá focar-se em duas iniciativas. Por um lado, servirá para financiar organizações sem fins lucrativos existentes e premiar anualmente entidades que façam um “trabalho compassivo e agitado” para abrigar famílias jovens e responder às suas necessidades imediatas. Por outro, irá permitir a operação de uma rede pré-escolar de qualidade para que todas as crianças tenham acesso à educação.

O fundo de Jeff Bezos surge numa altura em que a Amazon, a sua empresa, está num bom momento, ao mesmo tempo que aumenta o escrutínio público relativamente ao seu poder crescente e impacto na economia, refere a Bloomberg. Só este ano o património líquido do CEO da Amazon aumentou 64,7 mil milhões de dólares com a subida das acções da gigante tecnológica – 32 vezes mais do que o fundo agora disponibilizado. “Usaremos o mesmo conjunto de princípios que impulsionaram a Amazon. O mais importante entre eles será a genuína e intensa obsessão do cliente. A criança será o cliente”, escreveu Bezos no Twitter.

No ano passado, Bezos perguntou através do Twitter qual seria a melhor forma de usar a riqueza para ajudar as pessoas. Na altura, disse estar interessado em projectos que respondessem a necessidades urgentes e produzissem impacto a longo prazo.

Recorde-se que o homem mais rico do mundo tem sido severamente criticado sobretudo por Bernie Sanders por pagar salários abaixo do considerado aceitável; a empresa que já beneficiou de mais de 1,5 mil milhões de dólares em apoios estatais paga um valor aos seus trabalhadores, que obriga muitos deles a recorrer aos food-stamps, o programa de suplementação nutricional do Governo americano. De resto, a empresa tem sido também notícia um pouco por todos os meios de comunicação social mundial acusada de práticas menos lícitas de comunicação como pagar aos empregados para se defenderem publicamente a empresa no Twitter.

Também durante este ano uma reportagem feita pelo Business Insider dava conta de más condições e cultura de trabalho para os empregados do homem mais rico do mundo; nessa peça há relatos de empregados que dizem que colegas seus urinavam em caixotes do lixo perto da linha de montagem para evitar perder tempo a ir à casa de banho; histórias que começaram a ser reveladas há dois anos pelo jornalista de investigação britânico James Bloodworth que depois de passar 6 meses infiltrado como trabalhador da Amazon descreveu o ambiente da empresa como o de uma prisão numa crítica que abrange tanto os trabalhadores nos Estados Unidos como no Reino Unido.