Sabias que a União Europeia está a desenvolver um microprocessador próprio?

Esse chip será criado por um consórcio intitulado European Processor Initiative (EPI) e que reúne 23 parceiros de 10 países europeus.

Foto via Comissão Europeia/DR

A supercomputação é para a União Europeia uma prioridade de investimento. No início deste ano, a Comissão Europeia anunciou os seus planos para investir, em conjunto com os Estados-membro, na construção de uma infraestrutura europeia de computação de alto desempenho (EuroHPC). Esta rede de supercomputadores terá na base um microprocessador de baixa energia e que será também desenvolvido “em casa”, que é como quem diz, dentro da União Europeia.

Esse chip será criado por um consórcio intitulado European Processor Initiative (EPI) e que reúne 23 parceiros de 10 países europeus. De acordo com a Comissão Europeia, este consórcio é composto por especialistas em computação de alto desempenho (HPC), pelos principais centros de supercomputação da Europa, por agentes da indústria electrónica e do silício (elemento utilizado em circuitos e componentes electrónicos), e por potenciais utilizadores industriais e científicos da tecnologia. Juntos irão desenhar, desenvolver e lançar no mercado um microprocessador de baixa energia que servirá de base à rede de supercomputadores que Bruxelas quer implementar.

Um dos objectivos, tanto com este chip como com a infraestrutura de supercomputação, é garantir que uma parte significativa da tecnologia utilizada é europeia, e que os principais beneficiadores sejam também entidades científicas e industriais da Europa, que possam, assim, aceder a supercomputadores super eficientes energeticamente. O microprocessador, todavia, será aplicado noutros campos além da supercomputação, como é o caso do sector automóvel (nomeadamente em carros autónomos) e dos centros de dados.

A Comissão Europeia promete publicar mais detalhes sobre os esforços em relação ao seu microprocessador no final deste ano. A European Processor Initiative (EPI) contará com um investimento de cerca de 120 milhões de euros, integrado no programa Horizon 2020. Já a infraestrutura de computação de alto desempenho, anunciada no início deste ano, e cujo desenvolvimento estará a cargo da EuroHPC, constará de sistemas com desempenhos pré-exaescala (100 mil biliões – ou 1017 – de operações por segundo) e de sistemas de desempenho à exaescala (1018 ou um trilião de operações por segundo). Serão baseados em tecnologias europeias e uma realidade até 2022-2023.