Milhões de Festa começa devagar e bem

Mesmo o 'devagar' do Milhões seria supersónico noutros acontecimentos – a diferença aqui é de escala num festival onde se esperam nomes como Squarepusher ou Gazelle Twin a rasgar por completo.

Ensemble Insano, Indignu, a residência da família Favela, 700Bliss, The Mauskovic Band e Aeróbica X foi o line-up, em ritmo crescente, que marcou o primeiro dia de Milhões de Festa. No arranque, tradicionalmente mais calmo e aberto a toda a população de Barcelos, a organização optou por não acelerar a fundo mas não deixou desiludido quem gosta de abrir as festividades com um passinho de dança. É que mesmo o ‘devagar’ do Milhões seria supersónico noutros acontecimentos – a diferença aqui é de escala num festival onde se esperam nomes como Squarepusher ou Gazelle Twin a rasgar.

O festival abriu com os Ensemble Insano, no Palco Cidade, em jeito de convite à população mas foram os Indignu, banda da terra e sete anos depois da sua primeira passagem pelo Milhões, a abrir as hostes no recinto propriamente dito.

Neste regresso ao anfiteatro do Milhões de Festa, os Indignu trouxeram Umbra o seu mais recente registo onde contam com convidados como Manel Cruz ou Ana Deus que também subira ao palco do festival. A banda que começara por ter uma componente lírica no seu longínquo início em 2004, dedica-se agora por completo à composição para instrumentos mas não é por aí que a sua música perde alma.

Renato Santos/Milhões de Festa
Renato Santos/Milhões de Festa

Entre cada concerto no palco principal era tempo para mais uma demonstração de loucura da Favela Discos no Palco Taina, e a cada novo nome podiam sentir-se os bpms a aumentar ao longo da noite. Depois dos Indignu, o primeiro momento musical “à séria”, digamos assim – com direito a assento com vista para o palco –, foi a vez de rumar ao Taina para ver o que a Favela tinha preparado e a surpresa não podia ser maior ao nos depararmos com um palco invadido por uma espécie de gang à minhota numa espécie de trip criativa, era a Adega Cooperativa de Marte a dar um ar da sua graça.

Renato Santos/Milhões de Festa

Seguiram-se as norte-americanas 700bliss que, com um set-up claramente mais virado para o electrónico, fizeram aumentar o ritmo da dança. Misturam batidas, distorção e emoção. DJ Haram solta as batidas que Camae Ayewa vai decorando com alguns elementos electrónicos ou assumindo por completo com a sua voz pujante em momentos que vão do mais arrockalhado a verdadeiras sequências de rap.

Renato Santos/Milhões de Festa

Mais uma pausa, mais um “momento Favela” no Taina. Seguiram-se os The Mauskovic Dance Band, os holandeses que mais parecem vindos do caribe. Com camisas florais, cabelos compridos e efeitos na voz que tornavam imperceptível uma única palavra da interação com o público deram um concerto que não deixo ninguém indiferente nem um pé parado. Se o nome prometia, a actuação confirmou.

Renato Santos/Milhões de Festa
Renato Santos/Milhões de Festa

Para fechar a Festa, estavam escolhidos os muito divertidos Aeróbica, que, mais do que um simples DJ set, protagonizaram um momento de boa disposição contagiante patrocinada pela música. Como que a lembrar que é regra neste festival que nada se leve demasiado a sério.

Rafael Farias/Milhões de Festa