Uma noite em grande, em ambos os sentidos

Não fosse este um festival mais do que musical, criativo e artístico onde pequenos pormenores ganham sobeja importância...

Rafael Farias/Milhões de Festa

Para te poupar a maçada que é ler sobre algo que ainda por cima gostarias de ter visto ao vivo – e para te fazer sentir um bocadinho mais próximo da pacata cidade de Barcelos que por estes dias se agitam –, decidimos gravar durante os próximos dias dias o Expresso dos Milhões. Uma conversa entre colegas – para não dizer amigos – em que digerimos a noite anterior do festival, directamente da esplanada da famosa Piscina do Milhões de Festa.

Depois de uma quinta-feira naturalmente mais calma em que os locais Indignu, os fritos da Favela Discos, as norte-americanas 700bliss e os holandeses The Masukovic Dance Band foram cartadas de abertura. Esta sexta-feira já foi dia de alguns dos pesos pesados do Milhões subirem ao palco.

Os concertos arrancaram quando o sol atingiu o seu ponto mais alto, por volta do meio dia, e contra todas as recomendações – porque se pode, em dia de festa – foi de à beira da piscina que se escutaram os primeiros acordes. Se o mote deste ano é que a tradição já não é o que era, pelo menos num ponto tudo se mantém a gosto dos conservadores: o Milhões continua a dar palcos a projectos ecléticos e inovadores, à prova de qualquer tipo de discriminação.

Tudo começou na piscina com o promissor projecto que junta o vocalista dos Efterklang e o já lendário músico português Shella – de projectos como Riding Pânico –, Cacilhas. A geografia rapidamente se alterou da margem sul do Teja até à outra ponta do globo para as russas Mirrored Lips. A fechar a piscina, e literalmente no mergulho final, estiveram os Grabba Grabba Tape, uma das surpresas do dia.

Fotografia de Renato Santos/Milhões de Festa

A abrir o recinto estiveram as Sereias e reza a lenda composta por quem viu: vale a pena averiguar. Das surpresas para os clássicos foi um tirinho e, logo a seguir, pudemos assistir ao concerto especial preparado por Manuel Lourenço ou Primeira Dama, e toda a sua Banda Xiita, em conjunto com a já lendária Lena D’Água.

Fotografia de Renato Santos/Milhões de Festa

Do momento mais português do dia no festival passámos directamente para um momento finlandês com a performance – sim, mais do que um concerto – dos Circle. Seguiu-se um dos nomes mais aguardados do festival, o britânico Squarepusher que deixou todo o público de queixo caído.

Fotografia de Renato Santos/Milhões de Festa

De volta às vibes nacionais, mas com o melhor espírito multicultural que cada vez mais nos caracteriza, foi a vez de Scurú Fitchadu assumir o controlo do público. Deu em palco a energia que já ia faltando nos presentes e ressuscitou uma plateia que ia ficando cansada e assustada pela trovoada. Mas foi DJ Lynce que, com a colaboração do colectivo de artistas visuais Berru, fechou com chave de ouro o 1ª grande noite de Milhões. Uma noite em grande em ambos os sentidos, auditivo e visual, ou não fosse este um festival mais do que musical, criativo e artístico onde pequenos pormenores ganham sobeja importância. Actuações com um carácter visual forte vão assim ganhando espaço nas margens do rio Cávado até se tornarem tradição.

Fotografia de Renato Santos/Milhões de Festa