Milhões de Festa: e assim terminou um festival único

The Heliocentics, Mouse on Mars e Os Tubarões eram os pratos do dia para uma noite farta.

Renato Cruz Santos-MdF

O último dia de Milhões de Festa era uma autêntica surpresa por desvendar, com a mistura de ondas e géneros a deixar-nos sem saber muito bem como iria ser o fim de um festival até aqui único. Certo era que tudo ia acabar mais cedo do que o normal (porque domingo), mas, até lá, as actuações prometiam compensar. The Heliocentics, Mouse on Mars e Os Tubarões eram os pratos do dia para uma noite farta.

A vibe começou a moldar-se durante a tarde; num choque de culturas entre a cena queer londrina, a cena suave tuga e a frieza do rock finlandês começava a perceber-se que seria um dia de fusão de abordagens. Queen Bee Supergroup, Suave Geração, Pharaoh Overlod e Johny Hooker foram os grandes embaixadores deste universo livre e criativo.

Milhões Dia 9 (Rafael Farias-MdF)

As britânicas trouxeram até Barcelos o ambiente que costuma dominar as suas festas no underground londrino, os portugueses transportaram-se numa viagem nostálgica por canções, algumas de cassete, doutros tempos e com sabor a Verão, os finlandeses injectaram alguma da sua frieza energética enquanto que o brasileiro mostrou como anda a franja mais extravagante da nova mpb. Tudo isto depois de a dupla do Independent Podcast, de que te falámos aqui, ter gravado ao vivo um dos seus episódios.

Milhões Dia 9 (Rafael Farias-MdF)-2

A noite no recinto começava numa toada jazz com os The Heliocentrics, numa espécie de ode musical ao sol a iluminar a noite já cerrada. Deram um concerto claramente em crescendo que pareceu terminar quando estava a engrenar por completo, o que, por um lado, é bom porque fez com que a banda nos deixasse com uma boa memória.

Mouse on Mars eram aposta de alguns não sendo um nome conhecido da maioria. Agarraram o público nos primeiros minutos com batidas a que era absolutamente impossível resistir. Os alemães que inovam na música electrónica explorando todo os seus limites dançaram e fizeram dançar numa das actuações mais consistentes do festival. Foi 1h20 mas não pareceu.

Renato Cruz Santos-MdF
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Renato Cruz Santos-MdF

Falar em surpresas é o pretexto ideal para apresentar os senhores que se seguiram: Os Tubarões. Uma das surpresas do cartaz e desconhecidos de alguns dos festivaleiros trouxeram até às margens do Cávado uma belíssima dose de funaná. E é seguro dizer que foi um dos concertos em que se dançou mais durante todo o festival. Em pares, reais ou imaginários, descalços, despidos, pasmados ou de olhos fechados cada um dos elementos do público dançava por seu turno perante uma banda de excelência. Resultado da improvável mistura gerou-se entre o público e a banda uma química especial; Os Tubarões foram os primeiros a pedir ao público para cantar em uníssono e este não se envergonhou. A banda saiu de palco em clara contra vontade mas já depois da hora prevista, o que mostra bem a sua vontade de lá ficar.

Seguiu-se UKAEA ou, por outras palavras, o espéctaculo mais freak do festival. As roupas dos artistas faziam lembrar uma seita e o concerto não se ficou por aí. No meio do público abriu-se um quadrado e pelo meio do festival desfilou uma autêntica procissão com uma mulher vendada sobre o andor.

Renato Cruz Santos-MdF

E assim terminou para nós o Milhões de Festa. Um festival promissor em tanta coisa, mas cuja análise fica para depois. Para saberes mais sobre os concertos que nos marcaram e as bandas que sem dúvida vamos adicionar às nossas listas de audição, não deixes de ouvir o nosso express-podcast.