Como está de saúde a nossa querida Internet?

A circulação de notícias falsas através das redes sociais, a segurança da Internet das Coisas e a dependência de grandes empresas são os três principais destaques do Internet Health Report 2018, da Mozilla Foundation.

A Mozilla Foundation, responsável por aplicações como o Firefox e o Thunderbird, apresentou no início deste ano um relatório sobre “a saúde da Internet”. Disponível aqui, faz um ponto de situação deste precioso meio, destacando os seus actuais problemas e desafios.

A circulação de notícias falsas através das redes sociais, a segurança da Internet das Coisas e a dependência de grandes empresas (Amazon, Facebook, Apple, Google…) são os três principais destaques deste Internet Health Report 2018, que, segundo Mark Surman, director executivo da Mozilla Foundation, “é mesmo um olhar sobre a vida humana na Internet”, citado pela Wired.

Preocupada com a privacidade e segurança, com a abertura e a inclusão digital, a literacia web e a descentralização, a Mozilla refere que nem tudo é mau na Internet de hoje: mais do que nunca, mais pessoas estão conectadas à grande rede, que se tem tornado mais barata e também mais segura, com as apps e os sites encriptados (HTTPS) a serem o novo normal. Paralelamente, mais pessoas estão a despertar para o impacto da Internet na nossa sociedade, economia e bem estar.

Sobre as grandes empresas, o Internet Health Report 2018 dá conta da dominância de empresas norte-americanas e chinesas no meio online, o que, segundo o relatório, prejudica a inovação e o acesso de populações e entidades mais pequenas ao mercado. Esta consolidação de poder por parte de empresas como a Amazon ou o Facebook não é, escreve a Mozilla, “apenas uma história de negócio, levanta questões geopolíticas e pessoais”.

O Internet Health Report 2018 fala ainda das notícias falsas, afastando-se da narrativa simplista da Rússia e das eleições norte-americanas de 2016 e abordando a temática da desinformação nas redes sociais numa perspectiva global. “Pista: a economia da publicidade online está quebrada e é facilmente distorcida por fraudes e abusos. Além dos propagandistas, consideramos os adolescentes que fazem dinheiro facilmente com anúncios digitais e as pessoas que partilham histórias incendiárias porque ainda não conhecem melhor”, lê-se.

Por fim, mas não menos importante, a Mozilla aborda o problema da cibersegurança, em especial da segurança (ou falta dela) no que toca à Internet das Coisas, isto é, à Internet que liga tudo o que é electrodoméstico, incluindo webcams, monitores de bebés e outros equipamentos que podem ser usados como armas cibernéticas e aparelhos de espionagem. “A segurança da Internet das Coisas vai ser um desafio de corrigir o software fraco, o hardware e as práticas governamentais que tornam a Internet frágil”, escreve a Mozilla, numa altura em que o mundo se prepara para ter 30 mil milhões de dispositivos ligados à rede até 2020.

A Mozilla fala também, neste relatório, da censura, do assédio online e do consumo energético, indicadores negativos que mexem com a complexidade da Internet. Mas há esperança… “Existem inúmeras pessoas que estão a tentar construir uma Internet melhor, mas tentar contar isso numa forma que vá verdadeiramente chamar à atenção dos outros e dedicar recursos a esse objectivo é difícil”, refere Mark Surman, na mesma entrevista à Wired.