140 coletes salva-vidas dão uma escultura impressionante em Viseu

Integra o Poldra, um festival de escultura pública apoiado pela Câmara Municipal de Viseu e que levou três artistas até à Mata do Fontelo com peças criadas propositadamente para o local.

Pedro Pires

Se há circuito mediaticamente viciado no espaço considerado Portugal Continental é o da arte. Confinados aos preconceitos, tendemos a imaginar que as grandes criações têm lugar nas grandes cidades (nomeadamente Lisboa e Porto), mas cada vez mais iniciativas locais dispersas pelo resto do país tendem a destruir este preconceito.

Desta feita, falamos do Poldra, um festival de escultura pública apoiado pela Câmara Municipal de Viseu e que levou três artistas até à Mata do Fontelo com peças criadas propositadamente para o local. Uma iniciativa que decorre dois meses depois dos Jardins Efémeros, um outro festival de arte que vai colocando esta cidade no roteiro do imperdível. Cristina Ataíde, Neeraj Bhatia e Pedro Pires foram os artistas convidados a criar as peças no Poldra, com a obra do último, artista angolano, a merecer especial destaque pelo seu potencial impactante.

Pedro Pires deu forma a “14.000 Newtons”, um crânio de dois metros e meio feito de coletes salva-vidas. Como o artista explicou, a sua obra reflecte o tema da migração, tendo surgido depois de uma viagem que fez a Lesbos, onde trabalhou como voluntário e viu chegar vários barcos com refugiados/migrantes. Aqueles momentos deixaram impressões fortes que dois anos depois o artista materializa numa escultura impactante, em forma de crânio com os olhos feitos do plástico das embarcações.

A obra de Cristina Ataíde, a artista portuguesa envolve uma formação rochosa sobre a qual interveio usando precinta. Intitulada “Por favor, segue a Linha Vermelha”, a obra é um desenho tridimensional elaborado na e com a paisagem, patenteando várias frases inscritas que “convidam o visitante a olhar para o envolvimento e a interagir com ele”, explicou durante a inauguração.

Já o canadiano Neeraj Bhatia, responsável pelo atelier The Open Workshop, inspirado pelas pinturas de Grão Vasco e com o intuito de transformar um lugar de passagem num lugar de paragem e contemplação, desenhou um espaço composto por três elementos que entre eles formam um triângulo exterior e uma praça interior. Intitulado “Garden of Framed Scenes”, a estrutura, com várias aberturas permite que estejamos permanente ligados à sua envolvente, recontextualizando-a.

Podes saber mais sobre o Poldra e os seus artistas aqui.