RBG: o documentário sobre a juíza Ruth Bader Ginsburg que virou sensação

Documentário será seguido por um filme interpretado Felicity Jones e com estreia prevista para Dezembro deste ano.

Imagem de RBG via Magnolia Pictures

RBG, um documentário produzido pela divisão cinematográfica da CNN e distribuído pela Magnolia Pictures, conta a história de Ruth Bader Ginsburg, uma das duas mulheres que exerceram a função de juíza no Supremo Tribunal de Justiça norte-americano após Sandra Day O’Connor, nomeada em 1981 pelo 40º Presidente dos EUA, Ronald Reagan.

Ruth Bader Ginsburg nasceu a 15 de Março de 1933, filha de uma mãe operária que não teve a oportunidade de ir para a universidade (pois os pais decidiram dar essa oportunidade ao seu irmão). Foi essa amargura que levou a mãe de Ruth dedicar todos os seus esforços para que a filha pudesse ter uma boa educação. A mãe acabou por morrer de cancro quando Ruth ainda estudava no secundário, mas, mais tarde, esta acabou a estudar em universidades como a Cornell University, a Harvard Law School e a Columbia Law School.

Ruth, que neste momento tem 85 anos, foi rejeitada uma posição de assistente de um juiz no início da sua carreira, devido ao seu género. Durante alguns anos, viveu na Suécia, onde fazia parte de uma pesquisa extensiva para um livro sobre os procedimentos civis do país, o que influenciou a sua opinião sobre a igualdade de género. Em 1970, esta fundou o primeiro jornal que abordava exclusivamente a temática dos direitos das mulheres.

Foi o 42º Presidente norte-americano, Bill Clinton, quem a nomeou para o Supremo Tribunal, no dia 14 de Junho de 1993. Considerada uma juíza com opiniões liberais, “de esquerda”, tinha vindo a discutir tópicos como o aborto, defendendo que essa decisão não devia ser tomada por um governo constituído por homens, e a discriminação baseada no género. Mais recentemente, a juíza foi importante para a legalização de medidas como a implementação do sistema nacional de saúde Obamacare e a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os 50 estados do país.

Ruth Bader Ginsbur com Jimmy Carter (imagem de RBG via Magnolia Pictures)

Em 2015, Ruth Bader Ginsburg foi reconhecida pela revista Times como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. A notoriedade desta figura começou a ser reconhecida pelas massas também depois de Sandra Day O’Connor ter deixado de exercer a sua função, tendo Ruth tornado-se a única juíza de alto cargo. Ruth já foi comparada ao rapper Notorious BIG, tendo-lhe sido atribuído o título de “Notorious RBG”; o seu livro biográfico chegou a bestseller e a juíza lançou também, mais tarde, uma auto-biografia. É também personagem recorrente no programa Saturday Night Live, onde é retratada em modo caricatura por Kate McKinnon.

Imagem de RBG via Magnolia Pictures
Imagem de RBG via Magnolia Pictures

O documentário, realizado por Betsy West e Julie Cohen, teve a sua estreia em Janeiro no aclamado Sundance Film Festival. Desde então, tem vindo a ser um filme criticamente aclamado pelos mais conceituados críticos norte-americanos e também pelo público em geral, tendo conseguido também um percurso sólido nas bilheteiras americanas.

No final deste ano, está ainda previsto sair uma biopic sobre Ruth, protagonizada pela actriz Felicity Jones, nomeada com um Óscar de Melhor Actriz pelo trabalho em Theory Of Everything e protagonista de Star Wars: Rogue One. Felicity Jones representará uma Ruth mais jovem no grande ecrã, ao lado de Armie Hammer, um dos protagonistas do aclamado filme Call Me By Your Name, com o seu marido Martin D. Ginsburg. Em papeis mais pequenos, o filme conta ainda com a participação de Justin Theroux e Kathy Bates.

O trailer deste – intitulado On the Basis of Sex – também já se encontra disponível. Enquanto o documentário não está previsto passar pelas salas portuguesas, o filme de Mimi Leder tem data prevista de estreia em Portugal no dia 27 de Dezembro deste ano.

Texto de Inês Devezas