@Sweden: quando são cidadãos a gerir as redes sociais do seu país

Ninguém conhece melhor um país que aqueles que nele vivem. Por isso, a Suécia convidou os seus cidadãos a falar sobre o seu país e tudo o que quisessem no Twitter.

Suécia Twitter

@Sweden começou por ser uma conta institucional de promoção turística como a que muitos outros países têm, mas, em Dezembro de 2011, o Governo sueco decidiu transformá-la numa conta comunitária e original. A premissa terá sido qualquer coisa como: e se qualquer pessoa da Suécia, sueco ou não, pudesse tweetar sobre o país e aquilo que lhe apetecesse?

Nos últimos seis anos, a conta @Sweden foi alimentada por 356 curadores diferentes, escolhidos pelo Swedish Institute. Foram mais de 200 mil tweets, entre observações sobre a Suécia, sobre a Humanidade e sobre o poder das redes sociais, como resume a Wired. Aos curadores – um novo por semana – era dada total liberdade; podiam falar sobre as sua vida, mostrar os seus hobbies, partilhar opiniões e, claro, responder a perguntas sobre a Suécia. Só não podiam incorrer em ilegalidades.

“Ao ter uma pessoa diferente a cada semana conseguem-se visões e opiniões diferentes sobre a Suécia e os suecos”, disse à Wired Anna Rudels, do Swedish Institute, a agência governamental encarregue de promover o país no estrangeiro. O @Sweden teve desde um agricultor a partilhar fotos de ovelhas a um guarda prisional a mostrar o interior de uma prisão sueca.

O primeiro e o último curador

Se o último curador de @Sweden é Mattias Axelsson, um professor e blogger, o primeiro foi Jack Werner, um rapaz de 22 anos que se destacou no panorama de media sueco ao escrever sobre a cultura web. A Wired escreve que Jack acabou por definir o tom que viria a ser seguido naquela conta de Twitter: um tom sincero e cativante, com a personalidade do curador e, por isso, não representativo de toda a Suécia. O jovem sueco falou desde dubstep à morte da sua avó, e quando um seguidor lhe perguntou como lida com os Invernos suecos sugeriu… masturbação. Nos primeiros dias, perdeu alguns dos 8 mil seguidores que a conta de Twitter tinha, mas, depois de algumas publicações norte-americanas terem escrito sobre o @Sweden, a conta ganhou perto de 10 mil seguidores. Tem hoje mais de 146 mil.

“Queríamos fazer algo cativante, autêntico e real”, explicou Anna. “Assim, chegámos a esta ideia de deixar as pessoas da Suécia falarem sobre a Suécia.” O Swedish Institute constituiu um comité para seleccionar os novos curadores, tentando obter uma lista diversa que não fosse restrita a pessoas de nacionalidade sueca e que abrangesse qualquer um que estivesse a viver no país. Ou mesmo suecos que tinham emigrado. Segundo a Wired, o grupo recebia cerca de 20 nomeações para novos curadores todos os meses – qualquer pessoa podia nomear outra mas não a si própria.

O fim da epopeia

A conta @Sweden vai fazer a sua última publicação esta domingo. “A principal razão pela qual vamos fechar agora é que o alcance geográfico é sobretudo constituído por seguidores dos EUA, Reino Unido e Suécia. Claro que esses seguidores são importantes para nós, mas queremos chegar ainda mais longe”, comentou Anna com a Wired, acrescentando que o Swedish Institute está agora à procura de algo novo. “Estamos de mira no YouTube.”

A Wired avança outro motivo para o fim da conta @Sweden: o Twitter de 2011 não é o Twitter de 2018. Era um espaço pacífico, onde “se podia conhecer um estranho, experimentar uma nova piada ou fazer micro-blogging da nossa vida mundana”, escreve a revista. No ano passado, a conta sueca foi bloqueada por mais de 14 mil utilizadores do Twitter por ameaças a migrantes, mulheres e pessoas LGBTQ.

Podes revisitar todos os curadores de @Sweden nesta página.

Actualizado às 9h45 de 1/10/18: adicionado o vídeo anterior