Como a tecnologia permite mostrar a meteorologia da forma mais realista possível

Os grafismos do Weather Channel para mostrar os perigos das cheias foram desenvolvidos em conjunto com uma empresa de realidade aumentada e usando uma popular plataforma de desenvolvimento de videojogos, o Unreal Engine.

Screenshot via The Weather Channel

Já todos nós, muito provavelmente, acompanhámos uma noite eleitoral na televisão e vimos, por exemplo, o pivô acompanhado de gráficos que parecem “crescer” do chão do estúdio. As eleições costumam ser, pelo menos nos canais portugueses, sinónimo de grafismos especiais, mas nunca nenhuma estação produziu um trabalho gráfico como aquele que o canal norte-americano Weather Channel apresentou recentemente num contexto alarmante.

Os Estados Unidos enfrentam, na costa atlântica, um dos piores furacões em décadas. O Florence, como se chama, já obrigou a uma ordem de evacuação abrangendo cerca de 1,5 milhões de pessoas. Ventos fortíssimos, chuvas torrenciais, inundações e deslizes de terras colocaram os estados de Carolina do Norte, Carolina do Sul, Virgínia e Maryland em estado de emergência.

O Weather Channel quis mostrar visualmente os perigos das cheias que já começaram a afectar partes da costa leste. As previsões apontam para que as águas possam subir entre meio metro e 3 metros, mas saber exactamente o que esse número significa nem sempre é fácil. Por isso, o Weather Channel decidiu apostar num grafismo que mostra as águas a subir ao lado dos meteorologistas do canal. O trabalho foi feito em conjunto com a empresa de realidade aumentada The Future Group, utilizando uma popular plataforma de desenvolvimento de videojogos, o Unreal Engine.

“Em vez de criar efeitos e de os renderizar em pós-produção, o processo usado para criar visuais para a maioria dos filmes, o Unreal Engine cria efeitos em tempo real”, explicou o jornalista Ren LaForme ao Poynter, quando o Weather Channel apresentou este tipo de grafismos imersivos pela primeira vez. Desde então, tem usado esta tecnologia em várias emissões. “O tempo é uma coisa visceral, física, e nós estamos a tentar recriar isso da forma mais realista possível”, referiu Michael Potts, vice-presidente de design do Weather Channel, ao The Verge.