Transportes públicos de toda a área de Lisboa a 40 euros/mês é a proposta de Medina

O autarca sugere dois passes mensais: um de 30 euros para circular de transportes na cidade de Lisboa; e outro de 40 euros que dá acesso a 18 municípios.

Foto de Manuel Ramada via Flickr

Ao longo dos últimos meses, Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Área Metropolitana da capital (AML), tem falado no elevado custo dos transportes públicos e apresentou agora uma proposta para o reduzir. Medina propõe um passe mensal de 30 euros para circular em Lisboa e outro de 40 euros para circular na área em redor da capital.

Dessa forma, quem vive em Sinta, no Montijo, em Setúbal ou num dos outros 18 municípios que compõem a Área Metropolitana de Lisboa poderia viajar nesta e na capital por 40 euros/mês. “32% da população da Área Metropolitana vive em zonas onde os passes mensais custam mais de 70 euros, que representam apenas 5% das vendas. A decisão racional, para essas famílias, é vir de carro. Fica muito mais barato. Temos de reverter esta tendência”, escreveu Fernando Medina no Twitter. “Todos os anos entram mais carros em Lisboa, já são 370 mil por dia, e cada vez menos pessoas usam o transporte público. 57% das deslocações diárias em Lisboa são feitas de carro.”

É essa grande percentagem de carros na capital que Medina quer resolver, atentendo que é bem inferior noutras cidades europeias (entre 20 e 30%). Para isso, propõe também que os passes sejam gratuitos para crianças até 12 anos e que exista uma opção familiar, para todo o agregado familiar até aos 18 anos, e que custe apenas o dobre do passe normal: 60 euros em Lisboa; 80 euros na Área Metropolitana de Lisboa.

Proposta enquadrada no OE para 2019

A proposta do presidente da CML e da AML, foi apresentada ao Primeiro-Ministro, António Costa, e ao Ministro das Finanças, Mário Centeno, para ser introduzida no próximo Orçamento do Estado (OE), que terá de ser apresentado até 15 de Outubro. Segundo Medina, no cenário mais pessimista, os dois passes teriam um custo anual ao Estado de 65 milhões de euros. O autarca não falou com os parceiros do Governo – BE, PCP e Os Verdes –, nem obteve ainda luz verde, mas, em entrevista ao jornal Expresso, revela que acredita que esta é uma proposta “verdadeiramente transformadora do sistema de mobilidade em Lisboa” e que “responde a um problema central do país”. Para o presidente da AML, é uma melhor solução que baixar o imposto sobre os combustíveis em 2 cêntimos sem nenhuma garantia de que as gasolineiras reduzam efectivamente o preço.

“Esta proposta não só incentiva a utilização e melhora as condições par as cerca de 700 mil pessoas que hoje já estão integradas no sistema de passes intermodais, mas sobretudo integra no sistema 900 mil pessoas que estão de fora”, explica Fernando Medina na mesma entrevista. Para quem vive em Lisboa, significa também uma redução de 6 euros no valor do passe Navegante, que custa actualmente 36 euros, incluindo Carros, Metro e CP. No limite, escreve o Expresso, um casal que viaje de Palmela para Lisboa com um combinado Fertagus/TST/Carris/Metro, poupará 262 euros em relação aos 342 euros que paga actualmente.