WikiLeaks tem um novo editor-chefe devido ao isolamento forçado de Julian Assange

Wikileaks forçada a mudar de editor por Julian Assange estar forçadamente offline desde Março, na Embaixada do Equador em Londres.

Julian Assange Wikileaks
Julian Assange no documentário Risk (foto DR)

Desde a criação da WikiLeaks, Julian Assange tornou-se o seu principal rosto, não só por ter fundado o projecto – destinado a publicar todo o tipo de informação confidencial cuja veracidade consiga ser confirmada –, mas também por ter assumido o cargo de editor-chefe, coordenado desde 2010 a publicação dos leaks. Mas a WikiLeaks tem agora um novo editor-chefe.

Chama-se Kristinn Hrafnsson e é um jornalista islandês (Assange é australiano), que foi porta-voz da WikiLeaks entre 2010 e 2016. Tornou-se um dos amigos mais próximos de Julian Assange, fruto de uma relação que começou em 2009, depois de Hrafnsson ter exposto um escândalo envolvendo o maior banco islandês, levando à queda do Governo do país da altura e à sua saída da estação de televisão em que trabalhava.

Julian Assange em “tortura” de isolamento

A escolha de um novo editor-chefe para é justificada com o facto de Assange estar desde Março sem acesso à Internet, depois de a embaixada do Equador no Reino Unido, onde se encontra exilado, ter decidido cortar-lhe a conectividade. O contacto de Assange com o mundo exterior tem sido bastante reduzido, até porque está impossibilitado de receber visitas ou de manter o contacto com amigos e familiares. Assange só pode ser visitado pelos seus advogados.

O site/movimento Justice For Assange pede que seja feita justiça, retirando o australiano deste regime de isolamento. O antigo Presidente do Equador, Rafael Correa, que concedeu exílio ao fundador da WikiLeaks em 2012, considerou o tratamento por parte do actual Governo como “tortura”. Se Assange deixar a embaixada do Equador em Londres arisca-se a ser preso e/ou imediatamente extraditado para os Estados Unidos. Apesar de a Wikileaks ter divulgado segredos sobre a Guerra do Afeganistão, também partilhou conversas de líderes democratas, numa altura em que Hillary Clinton concorria à presidência norte-americana. Não tardou até Assange ser acusado de estar do lado de Trump ou da Rússia.

Em comunicado, a WikiLeaks fala nas “circunstâncias extraordinárias” para justificar a troca de editor-chefe, ressalvando que “Mr. Assange continuará a ser o publisher da WikiLeaks”. Na mesma nota, encontra-se uma declaração de Kristinn Hrafnsson: “Condeno o tratamento feito a Julian Assange e que leva ao meu novo papel, mas saúdo a responsabilidade de garantir a continuação do importante trabalho baseado nos ideais da WikiLeaks.”