Yuval Harari: o intelectual-sensação que profetiza o futuro da sociedade

Harari tem estado por todo mundo e até há pouco tempo pouco se sabia dele.

Yuval Noah no World Economic Forum (foto de Ciaran McCrickard/World Economic Forum)

Quem passa no Goodreads verifica que as credenciais do senhor são mesmo boas aos olhos da legião de fãs que tem online, alguns deles sendo o antigo presidente dos EUA, Barack Obama, e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Daí se consegue ver que as obras dele têm um foco especial em tecnologia e sociedade, ou a forma como nós evoluímos e evoluiremos devido aos avanços tecnológicos vertiginosos constantes.

São oito milhões vendidos do Sapiens: História Breve da Humanidade (editado em Portugal em 2015,  Elsinore). Homodeus (2017,  Elsinore) segue-lhe os passos.

Qual a origem do fenómeno?

Israelita, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, doutorado em Oxford, 42 anos. Quando tudo parecia que a carreira deste professor de história ia ser normal, publicando obras com títulos relativamente desinteressantes para um público que não tem interesse académico em história, Sapiens foi a explosão.

O estilo é coloquial e com um sentido de humor a roçar o sarcasmo. A leitura fica fácil, com o desafio à reflexão sendo inevitável acessível com títulos provocatórios. Chamar à agricultura a “maior fraude da história” é um exemplo. O ponto principal é ter uma visão geral do movimento da humanidade desde o tempo em que o homem era um primata sem importância até dominar o mundo pela ciência, passando pela descoberta do fogo e dinheiro. São as ideias partilhadas e histórias partilhadas ao longo de espaço e tempo que nos torna poderosos.

Mais do que elencar eventos, é o relacionamento entre acontecimentos do passado e as suas implicações para o mundo do presente. Parece que Ridley Scott e Asif Kapadia vão adaptar o livro a um documentário! Esperamos pacientemente porque há material e metáforas visuais incríveis para serem feitas.

E o futuro?

A segunda grande publicação de Harari foi Homodeus. O objectivo é procurar nos padrões do passado a resposta para a pergunta para onde vai a humanidade. As premissas são: o Homo sapiens subjuga a natureza, procura a felicidade e bem estar, substitui o trabalho manual por robôs e robôs tomam conta do Homo sapiens.

Ler o livro é um pouco angustiante especialmente quando nos lembramos da série de televisão Black Mirror e até parece que Harari se inspirou na série para fazer a explicação lógica do que se viu em certos episódios. Apesar do autor fazer descrições plausíveis em que uma cópia da nossa personalidade online faz os nossas entrevistas de trabalho por nós ou que o nosso smartphone nos proíbe de ir a determinado encontro romântico porque o nosso perfil não coaduna como o do parceiro, ele explica que as mudanças serão naturais. A única pergunta é se conseguimos fazer a habituação ao mesmo ritmo da mudança tecnológica e não nos fazer inúteis quando comparados a computadores e máquinas.

E agora?

O homem não gosta de chamar às suas ideias profecias mas mais possibilidades pensadas. Lançou agora um livro 21 Lições para o Século XXI, no qual escreve sobre problemas como terrorismo, ambiente e desenvolvimento da inteligência artificial. O Público entrevistou-o recentemente, onde também traçou o estilo de vida, ligado à natureza, meditação e vegetarianismo.

Deixamos aqui a TED Talk que deu em 2015, no início do sucesso, um dos muitos vídeos onde podes de outro modo contactar com o seu pensamento: