Crescimento do acesso à internet desacelerou globalmente e chegou a um estado alarmante

Em 2014, as Nações Unidas previram que metade do mundo tivesse acesso à internet em 2017, mas com esta desaceleração tal meta poderá ser alcançada apenas em Maio do próximo ano.

Foto de Robin Worrall via Unsplash
 

A notícia avançada em exclusivo do The Guardian, que teve acesso antecipado a um relatório que será publicado na próxima semana pela organização Web Foundation, fundada pelo inventor da WWW, Tim Berners-Lee, e no qual são analisados dados das Nações Unidas. Conclui a Web Foundation que o crescimento do acesso à internet desacelerou numa perspectiva global, significando que “a revolução digital vai permanecer um sonho distante para mil milhões de pessoas nas zonas mais pobres e isoladas do planeta”.

Se em 2007 o acesso à internet a nível global crescia 19%, no ano passado o crescimento era de apenas 6%. Das 3,8 mil milhões de pessoas que permanecem desconectadas, uma “proporção alarmante” são mulheres, escreve o The Guardian. “As mulheres são mais propensas a ficar de fora por causa das desigualdades económicas e, em grande parte, das normas sociais”, disse Nanjira Sambuli, que lidera os esforços da Web Foundation para promover o acesso igualitário à internet. “Em algumas comunidades, toda a ideia de mulheres possuírem algo próprio, até mesmo um telemóvel, não é bem vista.”

Pobreza e isolamento, factores tantas vezes associados a zonas rurais, são também as coordenadas de quem ainda não está online. Para as empresas de telecomunicações essas áreas – por vezes remotas – são demasiado dispendiosas, e as pessoas que lá vivem não estão dispostas a pagar preços altos e nem sempre vêem vantagens em estar ligado — neste capítulo o The Guardian lembra que vários estudos encontraram evidências de que o acesso à internet impulsiona o crescimento económico. Quem está offline não pode beneficiar de todas as oportunidades de educação e negócio que a internet pode proporcionar. E fica também de fora de debates públicos que decorram online, de grupos sociais e de serviços digitais disponibilizados pelos Governos e por outras entidades.

Em 2014, as Nações Unidas previram que metade do mundo tivesse acesso à internet em 2017, mas com esta desaceleração tal meta poderá ser alcançada apenas em Maio do próximo ano. As Nações Unidas definem ter acesso à internet como ter usado este serviço num qualquer dispositivo, independentemente da localização, pelo menos uma vez nos últimos três meses. “Subestimamos a desaceleração e a taxa de crescimento agora é realmente preocupante. O problema de ter algumas pessoas online e outras não é que aumenta as desigualdades existentes”, refere Dhanaraj Thakur, director de investigação da Web Foundation.

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