Apple rejeita o “big hack”, mas Bloomberg mantém-se firme à investigação

Tim Cook diz que virou empresa do avesso à procura de dados que pudessem confirmar a história da revista Bloomberg Businessweek.

Tim Cook no lançamento dos novos iPhones, em Setembro de 2018 (foto via Apple/DR)

Em declarações ao BuzzFeed News no final da semana passada, o director executivo da Apple, Tim Cook, pediu uma retratação da história que a revista Bloomberg Businessweek publicou no início do mês, intitulada The Big Hack, e na qual revelou um alegado esquema de espionagem chinesa a 30 empresas e agências governamentais norte-americanas.

Entre essas 30 empresas está a Apple. Segundo a Bloomberg Businessweek, a tecnológica da maçã teve servidores infectados por um pequeno chip que espiões chineses terão instalado nas respectivas motherboards, através de uma empresa chamada Supermicro e que fabrica estas componentes. Desde a publicação da peça, a Apple tem rejeitado reiteradamente qualquer ligação entre a sua empresa e o caso reportado: prmeiro através de um longo e pormenorizado comunicado, e depois de uma carta dirigida ao Congresso norte-americano e assinada pelo seu vice-presidente de segurança de informação, George Stathakopoulos.

O envolvimento de Tim Cook é a mais recente posição de defesa da Apple relativamente à acusação da Bloomberg Businessweek. “Não existe qualquer verdade na história deles sobre a Apple. Eles precisam de fazer o que é certo e retraí-la”, disse ao BuzzFeed News, que vê as declarações do executivo como extraordinárias. De acordo com o BuzzFeed News, a Apple nunca antes tinha pedido publicamente que um órgão de comunicação social voltasse atrás numa história publicada, mesmo que ela contivesse erros ou fosse falsa.

“Estive envolvido na nossa resposta a esta história desde o início”, comentou ainda Tim Cook. “Falei pessoalmente com os repórteres da Bloomberg juntamente com o Bruce Sewell, que era então o nosso conselheiro geral.” No comunicado publicado anteriormente pela Apple, a empresa refere nunca ter encontrado quaisquer chips maliciosos no seu hardware e que “conduziu investigações internas e rigorosas” com base nos pedidos de esclarecimento submetidos pela Bloomberg.

“Virámos a empresa do avesso”

A companhia esclarece que, apesar de ter tido aproximadamente 2 mil servidores da Supermicro associados a um serviço de analytics chamado Topsy, em nenhum deles foram encontrados chips que não deveriam lá estar. A Apple diz também que os serviços da Supermicro nunca serviram a assistente pessoal Siri. Virámos a empresa do avesso. Pesquisas de e-mails, registos dos centros de dados, registos financeiros, documentos de vendas”, acrescentou Tim Cook. “E acabámos sempre a chegar à mesma conclusão: isso [o reportado pela Bloomberg] não aconteceu, não é verdade.”

Apesar de todas as negações (também da Amazon, igualmente envolvida), a Bloomberg Businessweek mantém-se firme à sua investigação, lembrando que durou mais de um ano e envolveu mais de 100 entrevistas. Em Fevereiro de 2017, já o The Information tinha associado a Apple à Supermicro, referindo que, depois de a primeira ter encontrado problemas de segurança, decidiu cortar relações com a segunda.