Apps da Google poderão custar às fabricantes de smartphones até 40 dólares/equipamento

Será o preço a pagar depois da multa e da decisão da Comissão Europeia.

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Os smartphones Android que empresas como a Samsung ou Huawei produzem e distribuem chegam às mãos dos consumidores com um conjunto de serviços da Google pré-instalados. São aplicações como o Google Search, o Chrome ou a Play Store, que a multinacional norte-americana licencia no mesmo pacote às fabricantes, ganhando dessa forma mais utilizadores e mais receitas publicitárias. A prática é ilegal à luz do enquadramento europeu e a Comissão Europeia (CE) decidiu multar a Google em 4,3 mil milhões de euros – multa que ainda não foi paga devido a um recurso da Google – e obrigar a empresa a alterar a sua política de operação na Europa.

No fundo, o que CE não quer é que a Google obrigue as fabricantes de smartphones a pré-instalar nos seus equipamentos o Google Search e o Chrome como condição para terem acesso à Play Store e aos outros serviços da multi-nacional, como o Gmail, o Google Maps e o YouTube.

Por isso, a tecnológica vai proceder a alterações na forma como licencia o Android e os seus serviços às fabricantes de smartphone: em vez de incluir tudo no mesmo pacote, irá separar mais as coisas. O sistema operativo Android vai permanecer aberto e gratuito. Contudo, se uma fabricante quiser integrar a Play Store e a suite de apps da Google (ou seja, os “Google Mobile Services”), terá de adquirir uma licença – segundo o The Verge, que teve acesso a documentos confidenciais, poderá custar até 35 euros por equipamento, dependendo do país e do tipo de smartphone. Esta licença não incluirá nem o Google Search, nem o Chrome, que poderão ser adquiridos à parte.

De acordo com a Google, a pré-instalação do Google Search e do Chrome juntamente com a Play Store e as outras aplicações da Google foi importante para “financiar o desenvolvimento e a distribuição gratuita do Android” ao longo do tempo.

O pacote com os “Google Mobile Services” deverá custar dependendo do nível económico de cada país, existindo três escaladas diferentes – na mais elevada, estão países como o Reino Unido, a Suécia, a Alemanha e a Noruega. Nestes países, o custo da licença deverá ser de 40 dólares por equipamento com densidade de pixeis de 550 ppi ou mais; de 20 dólares para smartphones de média gama; e de 10 dólares para telemóveis com menos de 400 ppi. Para dispositivos de baixa gama em países mais pobres, a taxa pode ser de apenas 2,50 dólares por equipamento. Para tablets, a estrutura de preço deverá ser completamente diferente.

Estes valores foram obtidos pelo The Verge, não existindo qualquer confirmação oficial por parte da Google, que apenas anunciou as mudanças que iriam ocorrer.