Portuguesa Aptoide processa Google e ganha na justiça portuguesa

Empresa que criou uma loja alternativa à Google Play Store queixa-se de concorrência desleal.

O Tribunal Judicial da Comarca de Évora veio, esta segunda-feira, dar razão à Aptoide, empresa portuguesa que desenvolveu uma loja de apps alternativa à Google Play Store, num processo contra a Google. No seguimento desta decisão positiva por parte da justiça portuguesa, a Aptoide vai agora proceder a uma acção principal com vista a uma indemnização pelos danos que diz terem sido causados pela gigante norte-americana.

Como base da queixa, está o programa de anti-vírus da loja digital da Google, o Play Protect, que verifica se as aplicações que os utilizadores têm instaladas no seu smartphones são seguras ou corruptas. Se o Play Protect pode ser bom para evitar malware nos equipamentos Android, para a Aptoide pode levar à desinstalação da sua loja. A empresa portuguesa afirma que, devido ao Play Protect, perdeu 2,2 milhões de utilizadores que receberam um aviso nos seus smartphones para desinstalar a Aptoide e que, apesar do aviso, constataram que a mesma deixara de funcionar impedindo a instalação de aplicações.

Screenshot que mostra o Play Protect a actuar na app da Aptoide

“Para nós, esta é uma vitoria importante para nivelar o mercado das app stores. Esperamos sinceramente que esta decisão possa ajudar outras startups a defenderem a inovação e a livre competição, independentemente da dimensão dos players concorrentes”, refere Paulo Trezentos, director executivo da Aptoide, numa nota enviada às redacções.

A Aptoide está actualmente a trabalhar com a sua equipa jurídica na preparação de uma acção principal para exigir da Google uma indemnização por todos os danos causados. Já em Julho deste ano, a Aptoide tinha feito uma queixa formal juntos dos órgãos anti-trust da União Europeia.

Aptoide em crescimento exponencial

A Aptoide diz fazer uma contínua monitorização de aplicações potencialmente indesejadas através de um complexo sistema de verificação de segurança. Em 2017, foram identificadas perto de quatro milhões de aplicações, que resultaram na protecção dos utilizadores contra quase dois milhões de aplicações infectadas. No ano passado foi ainda lançada uma ferramenta anti-malware interna capaz de responder muito mais rapidamente a novas ameaças e ataques do que outras ferramentas de terceiros sendo responsável por quase 50% das detecções do sistema de segurança da Aptoide.

Já em 2018, foi desenvolvido um centro de controlo que permite monitorizar, em tempo real, todo o sistema de segurança. Ao acompanhar várias métricas, incluindo o desempenho do sistema, detecções de malware ou ataques de segurança, é possível detectar violações de segurança e melhorar a resposta do sistema. Estes desenvolvimentos permitiram uma melhoria de 80 a 90% na disponibilidade e no tempo de resposta do sistema de segurança global para detectar novas ameaças, oferecendo uma protecção optimizada aos utilizadores da Aptoide.

Álvaro Pinto, COO e co-fundador da Aptoide, refere que “levamos a segurança muito a sério e é por isso que temos uma equipa totalmente de especialistas comprometida, com recurso a tecnologias de última geração para monitorizar e melhorar continuamente o nosso sistema de segurança. Os utilizadores da Aptoide podem confiar quando dizemos que estamos mais seguros do que nunca”.

No primeiro semestre de 2018, a Aptoide representou um crescimento exponencial. “Estamos confiantes que esta decisão irá contribuir para crescermos para 250 milhões de utilizadores únicos este ano, em comparação com os mais de 140 milhões de utilizadores únicos anuais em 2017”, projecta Paulo Trezentos.

As AppCoins permitem fazer compras in-app (imagem via Aptoide)

Ainda durante este ano, a Aptoide vai passar a utilizar, na sua própria loja, o AppCoins Protocol, uma revolução no mercado das apps, que se apresenta como uma alternativa ao actual mercado monopolista. Este é um protocolo padrão inovador, que qualquer outra loja de apps pode adoptar e usar imediatamente. O objectivo é criar uma nova linguagem comum que possa agregar valor a todos os players dentro do ecossistema, ultrapassando intermediários. Esta tecnologia regista os movimentos e transacções das criptomoedas (dinheiro virtual), funcionando como uma espécie de banco de dados, onde estão todos os movimentos registados, podendo inclusive, serem transferidos de utilizador para utilizador, numa lógica peer-to-peer.

A Aptoide encontra-se no top quatro das maiores app stores mundiais, com três escritórios em Lisboa, Shenzen e Singapura, com o apoio de empresas de capital de risco como a Golden Gate Ventures ou Gobi Partners. Recentemente foi considerada pela revista Wired UK como uma das 100 startups mais promissoras da Europa no ano de 2018.