Em 3 dias, 6 pacotes explosivos endereçados desde Soros a Obama

Os Estados Unidos estão explosivos. Este podia ser o título de um filme de acção, mas é a realidade que tem deixado as autoridades norte-americanas preocupadas com o país.

Momento em que soa o alarme na CNN

Tudo começou na segunda-feira, com o envio de um pacote para o correio da residência do multimilionário George Soros. Entre a noite de terça-feira e a manhã desta quarta-feira, os Serviços Secretos norte-americanos dizem ter encontrado mais dois pacotes com engenhos explosivos no correio endereçado às residências de Hillary e Bill Clinton, em Nova Iorque, e de Barack Obama, em Washington.

Um quarto pacote suspeito terá sido depois encontrado nas instalações da CNN em Manhattan, desta feita dirigido a John Brennan, ex-diretor da CIA. O quinto foi enviado para os escritórios do governador de Nova Iorque e um sexto pacote suspeito foi encontrado no escritório da congressista democrata da Florida Debbie Schultz, mas seria endereçado ao ex-procurador geral Eric Holder.

Todos os locais foram evacuados e os pacotes levados para locais seguros onde pudessem ser detonados. Seguiu-se o óbvio espetáculo mediático em torno do perigo da situação e da segurança dos visados. Do acompanhar dos pacotes a caminho da sua explosão controlada às reacções das vítimas, a imprensa tem explorado o tema e deixado a dúvida no ar, quem são os responsáveis?

A CNN estava a dar a notícia quando, em directo, foi accionado o alarme e se percebeu que o canal também seria um dos visados nesta história. A estação divulgou entretanto uma fotografia do engenho explosivo enviado para John Brennan com a morada do Time Warner Center. Parte do dispositivo vinha dentro de um envelope amarelo com seis selos da bandeira norte-americana e era endereçado não só para o ex-diretor da CIA — que neste momento é um comentador pago da NBC News –, mas também para “Time Warner Center (CIA)”. Outra parte do dispositivo vinha a descoberto e, segundo os jornalistas, tinha vários fios enrolados em fita isolante preta. A morada de origem era a do escritório da congressista Debbie Schultz.

É que, afinal, o pacote que inicialmente se pensava ser endereçado a Debbie Schultz tinha sido devolvido à morada de origem por não ter sido entregue com sucesso a Eric Holder, ex-procurador geral dos Estados Unidos. Como se tivesse sido a congressista a enviar os pacotes. A morada de Schultz também era indicada como sendo a da origem dos pacotes suspeitos enviados para as residências de Hillary Clinton e de Barack Obama — embora não haja indícios de que tenha sido ela a mandá-los.

Os engenhos encontrados eram de fabrico artesanal, mas funcionais.

Hillary Clinton já comentou o caso, dizendo: “Quando as pessoas me perguntam como estou, digo que como pessoa estou ótima, mas como americana estou preocupada. Estou bem porque, sem ofensa, temos os melhores netos do mundo. Mas é por ter essas pessoas preciosas que estou preocupada com a direção do nosso país”. Todos os visados são afectos de alguma forma ao Partido Democrata e as atenções têm-se virado por isso, para um possível ato terrorista por parte de apoiantes de Donald Trump.

Numa rara união entre rivais políticos, esquerda e direita têm-se unido na condenação a estes actos. O Presidente dos Estados Unidos disse entretanto que “Estamos muito zangados, furiosos e descontentes com o que aconteceu.” Assegurou ainda que a sua prioridade máxima “é a segurança dos americanos”. “Temos que nos unir e mandar uma mensagem forte e clara de que atos ou ameaças de violência política não têm espaço nos Estados Unidos”, disse o presidente norte-americano, garantindo ainda que já está a decorrer uma investigação e que os pacotes estão todos a ser analisados. “Vamos trazer justiça para o responsável por este ato desprezível”, acrescentou.