ClickSummit 2018: nem só de marketing e vendas online vive uma conferência de… marketing e vendas online

Nos dias 11 e 12 de Outubro de 2018 aconteceu a quinta edição do evento, em Lisboa – aquela que, no nosso entender, foi a melhor edição até agora.

O ClickSummit deu os seus primeiros passos de forma exclusivamente online. A sua primeira edição presencial foi a terceira da sua história de vida e aconteceu em 2016. O evento ganhou, assim, um novo fôlego e uma nova abordagem ao tema pelo qual se tem norteado: uma conferência de marketing e vendas online.

Nos dias 11 e 12 de Outubro de 2018 aconteceu a quinta edição do evento, em Lisboa – aquela que, no nosso entender, foi a melhor edição até agora – ainda que reflicta uma crise de identidade. Durante dois dias, as vendas online foram abordadas aqui e ali, tendo os temas de debate e/ou de apresentação revelado um foco diferente e mais abrangente. Foi o Frederico Carvalho que o afirmou algumas vezes no palco do auditório do Lispolis: “Estamos comprometidos em desenvolver a literacia digital.” E notem que a crise de identidade não está a ser, de todo, um obstáculo para avançar. Pelo contrário, trata-se de uma oportunidade para (re)começar em termos de posicionamento.

A morte faz parte da costumer journey?

Houve diversidade de temas abordados. A abertura do evento esteve a cargo de Florbela Borges (Multidados) que partilhou com a plateia dados sobre a presença e os hábitos do consumidor digital, em Portugal. Peter Wright (Digital Law) desmistificou o tão famoso RGPD alertando para a necessidade de o vermos como uma oportunidade e não como um obstáculo. Houve lugar para uma aula de hacking por parte de Alberto R. Rodas (Sophos) que, assim, nos alertou para aspectos relacionados com a nossa segurança online. E, ainda, para um debate entre Ricardo Vieira (Polícia Judiciária) e João Moura (PSP) sobre o lado negro das redes sociais.

Por fim, os participantes foram brindados com um tema difícil e que começa a ser pensado em termos digitais: o que acontece à nossa pegada digital, quando falecermos? Como podemos preparar a entrega desse legado? Sabiam que podem fazer tweets depois de morrer? Ou deixar planeada a playlist do vosso funeral, que pode ser transmitido em live streaming? Pois bem, confesso que foi uma surpresa ver como uma questão tão difícil está a ser trabalhada pela The Digital Legacy Association, da qual faz parte James Norris.

As boas práticas das (boas) parcerias

Inês Drummond Borges apresentou-nos a relação que a Worten tem construído com os influenciadores digitais a quem preferem chamar de parceiros. Reach, credibilidade e engagement foram identificados como os pilares da procura de influenciadores digitais, por parte da Worten. Inês Borges reforçou a palavra parceria como a chave de uma relação sólida, mais do que meramente comercial e partilhou um caso de social listening bem sucedido junto de uma figura conhecida do “mundo da Twitch”, apoiado na ideia de que as marcas devem deixar os influenciadores influenciar, ajudando-os a contar as suas próprias histórias.

A Control tomou conta do palco logo de seguida com a partilha honesta e transparente sobre o processo de estratégia e criação de conteúdos, lado a lado com a agência a quem delegou esse trabalho. Patrícia Nunes Coelho (Control) e Catarina Pestana (Bang Bang Agency) partilharam o lado mais íntimo (salvo seja) da sua relação: o tempo que investiram na relação e na transposição do tom da marca para as redes sociais (facebook e instagram). O humor é quem mais ordena, na posição assumida pela marca na interacção com os seguidores, com o seu público. Além disso, há uma componente de serviço público e de responsabilidade na educação sexual dos seus clientes: através do whatsapp é possível tirar dúvidas sobre questões de sexualidade. É caso para dizer: social media done right!

Literacia financeira, ética e empreendedorismo

Literacia financeira e o espaço da inovação numa empresa como a EasyJet foram temas abordados ainda no primeiro dia, antes mesmo de subir a palco o James Sinclair (Entrepeneurs Work). Foi uma apresentação cheia de energia e de humor: afinal, James já trabalhou como palhaço. A sua vida é um livro aberto no sentido em que são as suas histórias de sucesso e de menos sucesso que servem de mote à partilha das 8 lições que os empreendedores devem aprender e empreender, claro!

Pedro Xavier Mendonça (ISCEM e UNICDOM/IADE) e João Laborinho Lúcio (PRA – Sociedade de Advogados) trouxeram para a mesa o tema da ética digital e dos riscos da inovação. Afinal qual é a fronteira entre aquilo que podemos e o que devemos fazer?

Transformação digital, pornografia, alfaces e criatividade

Nelson Pimenta (Grupo Renascença) partilhou uma apresentação com conteúdos que não eram da sua autoria (mas devidamente creditados, diga-se!). A transformação digital foi o tema que nos levou a pensar na criatividade e onde é que ela reside. “As máquinas ajudam muito, mas a criatividade está do lado humano.” — em síntese:  não podemos abrir mão da nossa capacidade de pensamento crítico, da nossa criatividade.

A criatividade foi o tema do qual nos  falou João Vitória (Wavemaker) que fez questão de apresentar uma proposta concreta de aplicação e vivência da criatividade nas equipas de trabalho. Parece simples dizer “ok, vamos ser criativos”. E dizer é fácil, muito fácil. Criar as condições para que isso aconteça é que exige uma alteração de dentro para fora nos processos vividos pelas pessoas, nas suas equipas.

Querem bons exemplos para se inspirarem? “Watch porn”, foi o conselho de João Vitória. No painel partilhado com Eric Fulwiler (Vaynermedia) e Gabriel Augusto (Flag) falou-se da empatia e da autenticidade como pilares das marcas nos canais digitais – e não só because “eu sou uma alface do Lidl” foi uma campanha que começou online e que conquistou canais tradicionais como a televisão.

E no final do dia… estamos lá para vender? Estamos, sim. MAS.

Algumas métricas: segundo dados da organização foram 500 os participantes neste evento, com cerca de 40 oradores. O que cada um de nós levou daqui pode ter ficado registado em tweets ou posts, que também podem ser contabilizados. O que não se consegue medir, num número exacto e inequívoco, são as ideias, as partilhas, os sorrisos, os cartões de visita trocados (sim, imaginem só!) e o valor do que aprendemos e que podemos pôr em prática.

Ainda se pensa e ainda se está no marketing como se estivéssemos em 2009 (ou em 1999) – usamos aqui as palavras de Eric Fulwiler. Eventos como este fixam os nossos pés no presente, repetindo alguns mantras básicos e essenciais, e permitem-nos ter a cabeça nas nuvens e sonhar com aquilo que podemos fazer hoje, para sermos relevantes, amanhã.

Quanto à crise de identidade: reforçamos que foi a melhor coisa que aconteceu ao ClickSummit.