A cultura deve ser (MESMO) para todos. E esta associação dá uma ajuda

A associação Acesso Cultura criou uma agenda online que reúne todas as iniciativas de música, cinema, dança, etc. que sejam inclusivas a pessoas com deficiência visual ou auditiva.

Cultura Acessível é o nome de um novo portal online que promete reunir todos os eventos culturais, de norte a sul do país, que sejam acessíveis a pessoas com deficiências visuais, auditivas ou outras. O site é uma iniciativa da Acesso Cultura, uma associação cultural, sem fins lucrativos, que “promove o acesso – físico, social, intelectual – à participação cultural”.

Financiado pela Fundação Millennium BCP, o Cultura Acessível lista numa única página todas as iniciativas inclusivas de diferentes áreas – cinema, dança, música, performance, teatro, visita guiada, etc –, sendo possível realizar pesquisa por data, distrito ou audiência. O Cultura Acessível distingue a acessibilidade dos eventos em quatro categorias: “deficiência visual”, “surdos e deficiência auditiva”, “deficiência intelectual” e “outras necessidades específicas”.

O que é cultura acessível? De acordo com o site do projecto, tratam-se de eventos acompanhados por audiodescrição, com guiões com símbolos pictográficos ou materiais tácteis, ou traduzidos em língua gestual portuguesa. Podem também consistir em “sessões descontraídas”, um conceito que, ao jornal Público, a Acesso Cultura diz ter trazido para Portugal. Destinadas, por exemplo, a pessoas com défice de atenção, deficiência intelectual, condições do espectro autista ou deficiências sensoriais, as sessões descontraídas decorrem numa atmosfera mais informal e acolhedora e com regras mais tolerantes no que diz respeito ao movimento e ao barulho na sala, podendo ainda implicar pequenos ajustes na iluminação ou som do espectáculo ou no acolhimento do público.

A associação Acesso Cultura diz que este projecto visa dar maior visibilidade ao esforço de algumas entidades culturais em Portugal para tornar a sua oferta acessível a pessoas com diferentes necessidades e perfis, e espera poder inspirar mais instituições a fazê-lo também.

Maria Vlachou, directora executiva da associação, disse ao Público que o site “centra-se no acesso à programação, não no acesso físico aos espaços, porque, em primeiro lugar, este já é uma obrigação legal”, lembrando, sobre esses espaços que, “não basta dizerem: ‘somos acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada.’ É importante que a informação esteja detalhada. Estas pessoas têm de saber em pormenor quais as condições que vão encontrar, para poderem avaliar se podem sair sozinhas ou se vão precisar de ajuda”.

O Cultura Acessível arrancou com cerca de 50 eventos, número que Maria e a restante associação esperam que cresça. Para tal, a Acesso Cultura realizou uma parceria com o festival de cinema documental DocLisboa para a exibição de um filme com audiodescrição – Alma Clandestina, de José Barahona, que conta a história de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma activista política que lutou contra a ditadura brasileira nos anos 1960, acabando presa, torturada e banida do Brasil, e cometendo o suicídio mais tarde – e de uma “sessão descontraída”, durante a qual serão apresentados os filmes Wild Berries (Marianna Vas, Hedda Bednarszky e Romulus Balazs) e Vacas E Rainhas (Laura Marques).