Exército norte-americano de olho na realidade aumentada, à beira de novo contrato

O caso recorda outros como o o famoso projecto Maven, um contrato celebrado pela Google para desenvolvimento de sistemas de inteligência artificiai para operar Drones.

Screenshot via US Army/YouTube

Os equipamentos de realidade aumentada, como os óculos da Magic Leap ou os HoloLens da Microsoft, podem ter aplicações interessantes no campo empresarial, científico, governamental ou até militar, mais que o mercado comercial. Estes dispositivos sobrepõem imagens digitais num mundo físico; e, em situações de combate, podem ajudar um soldado a ter um mapa do terreno à sua frente ou informações tácticas sobre o inimigo.

O exército norte-americano está, por isso, de olho na realidade aumentada; e tem estado a sondar diversas empresas, incluindo a semi-misteriosa Magic Leap e a gigante Microsoft. Segundo a Bloomberg, que teve acesso a documentos governamentais e falou com alguns intervenientes familiarizados com o processo, pode passar pela aquisição de 100 mil equipamentos de realidade aumentada como parte de um projecto cujo custo total poderá exceder os 500 milhões de dólares.

O objectivo, segundo uma descrição do exército dos EUA, é “aumentar a letalidade, aumentando a capacidade de detectar o inimigo, de decidir e de interagir com ele”. De acordo com um porta-voz do exército, o comando de contratação está neste momento a avaliar as propostas. A Magic Leap deverá ser favorita e, a ser a escolhida, terá de ter capacidade de produção em larga escala para entregar 2500 dispositivos nos primeiros dois anos.

Revelados este ano, os óculos da Magic Leap, baptizados de One e com um preço de mais de 2 mil dólares, conseguem projectar imagens nos olhos dos utilizadores, dando um aspecto real aos objectos virtuais. E os Microsoft HoloLens de 5 mil dólares usam uma tecnologia semelhante de realidade mista.

Screenshot via US Army/YouTube

Há algum tempo já que o exército norte-americano quer investir em realidade aumentada. O programa já teve várias formas, e passa pelo desenvolvimento de óculos ou de outro tipo de equipamentos que dêem acesso a essa tecnologia, bem como pelo desenvolvimento de software que possa ser usado tanto em treino como em combate a sério.

Em treino, a realidade aumentada poderá ajudar os soldados a simular emboscadas e ataques químicos, quase como se de um videojogo se tratasse. Em combate, a tecnologia poderia ajudar os militares com mapas digitais, com o apontar das armas no terreno ou com comunicação interna. O exército espera que os óculos, uma vez finalizados, incorporem visão nocturna e sensores térmicos.

O caso recorda outros como o o famoso projecto Maven, um contrato celebrado pela Google para desenvolvimento de sistemas de inteligência artificiai para operar Drones, e mostra como tecnologias de ponta e grandes tecnológicas beneficiam do investimento de um dos exércitos mais activos do mundo. Nesse outro caso, o Projecto Maven, funcionários da Google uniram-se num abaixo assinado para que a empresa deixasse de colaborar com a indústria da guerra, uma reacção que ilustra os paradoxos a que estas estratégias de mercado e desenvolvimento acabam por conduzir trabalhadores e chefias.

Contratos desta dimensão — como os potenciais 500 milhões de dólares mencionados pela reportagem da Bloomberg — podem alterar por completo a trajectória de uma empresa e de uma tecnologia e até a sua capacidade de produção de tecnologia para o grande público a preços e condições mais vantajosas.