Fake Breaks: a diferença entre uma boa pausa e uma… menos boa

As pausas são boas, mas não as uses para pegar no smartphone e te manteres a par dos mais recentes “clickbaits” que circulam pela web.

As pausas são o combustível que, a meio do dia, te faz voltar à tarefa em que estavas a trabalhar mais concentrado e com mais energia. Na economia do conhecimento, em que nos encontramos, este efeito revitalizador, inerente aos “minis breaks”, é já um dado adquirido – resultado dos constantes estudos feitos sobre o assunto.

Mas com a importância crescente dedicada ao tema, e com cada vez mais pessoas a procurarem utilizar as suas pausas diárias de uma forma eficiente e produtiva, convém distinguirmos uma boa pausa de uma menos boa.

O objectivo de uma pausa é dar um descanso ao cérebro, da tarefa em que se encontrava, e permitir que este se desligue completamente do trabalho e dos problemas em que estava envolvido minutos atrás. Isto significa que uma pausa para ser bem feita têm mesmo de dar o tal “descanso ao cérebro”.

O problema surge quando muitos de nós estamos a usar essas pequenas pausas diárias para abrir os smartphones e nos mantermos a par dos mais recentes “clickbaits” que pela net circulam. De repente, usamos os nossos 10 minutos de descanso a ler sobre “10 ferramentas de produtividade” ou “5 livros para ler” e por aí fora – ou pela internet adentro.

Este uso, limitado, do nosso tempo livre, apesar de dar uma sensação de produtividade e de uma pausa bem utilizada, não passa de uma ilusão e prova disso é que 15 minutos depois nem te lembras do artigo que acabaste de ler.

Para piorar as coisas – e este é o ponto chave deste artigo –, não permitiste ao teu cérebro descansar e, por consequência, recuperar do desgaste em que esteve envolvido. Apenas o alimentaste com o que para ti é entretenimento e, como tal, a pausa soube-te bem (uma espécie de guloseima da produtividade).

Foto de Chad Madden via Unsplash

Nada de internet, nada de televisão, nada de notícias…

Se o título parece desanimador, garanto que apenas as primeiras vezes vão custar. Depois acabas por apreciar o momento e o teu corpo e mente agradecem – provavelmente o teu chefe também. Isto não significa que te tens de tornar o “monge dos intervalos” e meditar a cada 5 minutos de tempo livre disponível que tenhas. No entanto, quer dizer sim, que devias usar as tuas pausas para isso mesmo – fazer uma pausa!

Citando, Laura Vanderkam, autora do livro I Know How She Does It: How Successful Women Make the Most of Their Time:

O cérebro humano só se consegue concentrar por um período de tempo determinado. Quando não fazemos pausas reais, fazemos falsas, navegando pela web e seguindo os links “clickbait”. Paradoxalmente, podes trabalhar mais horas (ou seja, horas reais) fazendo uma pausa intencional em intervalos de algumas horas. Vai para fora. Liga para um ente querido. Vais regressar à tua mesa recarregado e pronto para recomeçar.

Em jeito de conclusão: relaxa, aproveita os momentos de pausa para não fazer nada, ouvir uma música, ligar a um amigo, enfim… aquilo que resultar para ti e que te faça sentir mais descansado (repito: descansado, não entretido), e pronto para voltar ao trabalho a velocidade de cruzeiro.

Para que este artigo possa trazer algum valor tangível a tua vida, deixo-te a minha playlist que criei no Spotify e que uso nos momentos de pura descontracção. Aconselho a perderes umas horas no fim-de-semana a criares a tua (até porque uma playlist, tal como uma estante de livros pessoal, têm um conjunto de temas e assunto que, como um todo, apenas fazem sentido para a pessoa que os criou). Garanto que de repente vais ter no teu bolso o teu próprio e personalizado “templo zen”.

https://open.spotify.com/playlist/5CiD2GjL9sEf02EPZZV3Zl