Google revela Pixel 3 e Pixel Slate. E cheira cada vez mais a maçã

De funcionalidades exclusivas a acessórios únicos, os Pixel parecem cada vez mais os iPhone, com a Google a não se limitar a lançar um ou dois smartphones mas toda uma família.

Foi novamente com a assinatura ‘Made By Google’ que a marca revelou um conjunto de novo hardware num evento esta terça-feira, em Nova Iorque. Entre as novidades estão os aguardados novos smartphones Pixel 3 e Pixel 3 XL, mas também um tablet para competir com o iPad Pro (chama-se Pixel Slate), um novo Chromecast e um novo membro da família Google Home, o Hub – falaremos deste mais tarde.

A Google bem tinha razão quando no dia anterior lançou um tweet e um vídeo a questionar: “Então pensas que já sabes tudo…”. A verdade é que os leaks relativamente à família Pixel 3 não foram poucos e praticamente tudo o que circulou sobre os novos telemóveis confirmou-se, mas mesmo com todos esses detalhes as surpresas existiram e não foram poucas.

O Pixel 3 e o Pixel 3 XL

Desde a introdução da linha Pixel há agora três anos, a Google conseguiu colocar os seus smartphones entre os melhores do mercado, com elogios especiais para a câmara. O Pixel 3 promete ser novamente excepcional na fotografia, sendo a “magia” conseguida, mais uma vez, através de software e não de hardware. Aliás, ao contrário de outros smartphones no mercado como o iPhone XS ou o Galaxy S9, o Pixel 3 mantém uma câmara simples de 12,2 megapixels na parte traseira.

Existiram melhoramentos no sensor, mas o desenvolvimento da nova câmara do Pixel foi, segundo a Google, sobretudo um trabalho no campo da inteligência artificial e aprendizagem automática. O Pixel 3 vem, aliás, com um novo chip – com o nome pomposo de Pixel Visual Core – dedicado a todo o processamento de imagem. A tecnológica diz que a câmara do Pixel 3 oferece um melhor HDR, permite fazer mais zoom, capta melhores imagens à noite, e é capaz de detectar um sorriso ou uma cara engraçada e fazer um registo desse momento sem o utilizar ter de clicar no botão. A câmara do Pixel 3 irá também sugerir-te stickers e outros objectos de realidade aumentada para adicionares às tuas fotos. Estes AR Stickers já tinham sido apresentados no ano passado, mas têm agora novas animações e um novo nome – Playground.

Com o modo de retrato, disponível também na câmara frontal, é agora possível ajustar o efeito de desfoque do fundo após a foto ter sido tirada, algo que também existe em equipamentos da Apple e Samsung, bem como fazer sobressair um rosto num fundo escuro. Uma outra funcionalidade, chamada Top Shot, recorre a algoritmos para ajudarem a escolher a melhor foto numa sequência. O Pixel 3 promete igualmente melhores vídeos em HD ou 4K, nomeadamente ao focar melhor objectos que estejam em movimento. Na frente é que encontramos agora dois sensores diferentes – um normal e outro de grande abertura – para poderes tirar selfies com espaço para toda a gente, sem necessidade de um daqueles acessórios.

Top Shot

De resto, o Pixel 3 tem um ecrã de 5,5 polegadas sem notch, mas antes com umas bordas finas em cima e em baixo. Já o Pixel 3 XL apresenta-se com 6,3 polegadas e uma notch. As características são iguais entre um modelo e o outro: processador Snapdragon 845, 4 GB de RAM, armazenamento interno de 64 ou 128 GB, resistente à água e poeiras (IP68), sem entrada para auscultadores, USB-C e carregamento rápido da bateria (consegues obter sete horas de uso com 15 minutos na tomada).

Pixel 3

O Pixel 3 tem uma bateria de 2915 mAh e a versão XL uma de 3430 mAh. Ambos os modelos apresentam um chip próprio, chamado Titan M, que a Google diz conferir maior segurança, protegendo dados, credenciais e outras informações encriptadas. Os telemóveis vão estão disponíveis em três cores – branco (ou “Clearly White”, como baptizou a Google), preto (“Just Black”) e um arrosado que a Google chama de “Not Pink”. Vão custar 799 e 899 dólares, respectivamente, sendo ligeiramente mais caros que os modelos lançados em 2017. Os novos Pixel incluem armazenamento ilimitado de fotos e vídeos em resolução original no Google Photos (até 2022) e seis meses de YouTube Music até final do ano – uma forma de a Google, talvez, acrescentar valor ao produto e também conseguir mais utilizadores para os seus serviços.

O Pixel parece cada vez mais um iPhone

Apesar de o Pixel 3 estar a ser lançado em mais mercados este ano que o seu antecessor, não chegará oficialmente a Portugal. No Twitter, a empresa partilhou: “Desenhámos uma câmara incrível e colocámo-la no telemóvel mais útil do mundo.” Esta frase apresenta o Pixel 3 e parece resumir bem este telemóvel ou, pelo menos, como a Google quer que o vejamos. Há um conjunto de funcionalidades que, apesar de fazerem parte do mundo Android e do ecossistema Google, chegarão primeiro ao Pixel 3, uma estratégia que a empresa já tem vindo a seguir. Por exemplo, em 2017, a estreia do Google Lens foi no Pixel 2 e agora a ferramenta de pesquisa visual vai aparecer integrada directamente na câmara do Pixel 3.

O Pixel 3 será também o primeiro a receber o Google Duplex, o sistema de inteligência artificial anunciado em Maio e que permite usar o Google Assistant para fazer chamadas a reservar uma mesa num restaurante ou fazer uma reserva no cabeleireiro. Também será no Pixel 3 que os utilizadores do Gmail terão a estreia do Smart Compose, que oferecerá sugestões para completar um e-mail à medida que o escrevemos. De acordo com a Google, o Smart Compose – que já está disponível na versão desktop do Gmail – vai começar a suportar português (além de outras línguas) e chegará a outros equipamentos em 2019.

Exclusivo do Pixel 3 será também uma ajuda que o Google Assistant dará em relação a chamadas de spam. O assistente irá detectar chamadas indesejadas, atendê-las por ti e transcrever em tempo real o que é dito; dessa forma, os utilizadores poderão decidir se querem mesmo atender, desligar ou bloquear o número.

Google Assistant vai transcrever chamadas de spam

Não é só ao nível do software que a Google pretende tornar o Pixel único, disponibilizando também uma colecção de acessórios. Além de capas para proteger ou dar uma nova cor ao teu telemóvel, há um novo par de auscultadores que se ligam por USB-C e que estão incluídos na caixa. Chamam-se Pixel USB-C Earbuds e chegam para fazer companhia aos Pixel Buds. Vendido em separado será o Pixel Stand, que permitirá carregar o Pixel sem fios. Porque com o Pixel Stand o telemóvel pode ser carregado num ângulo semi-vertical, poderás transformá-lo numa moldura digital que mostra as tuas fotos, fazer uma pergunta ao Google Assistant ou pedir-lhe para tocar um podcast como se de um Google Home improvisado se tratasse, ou usá-lo como relógio de mesa de cabeceira.

Pixel Stand

De funcionalidades exclusivas a acessórios únicos, os Pixel parecem cada vez mais os iPhone, com a Google a não se limitar a lançar um ou dois smartphones mas toda uma família. Quem decidir comprar um Pixel 3 irá ter acesso a software da Google que não está disponível noutros equipamentos Android e a um conjunto de extras que complementam a experiência, como virem Earbuds na caixa com o Pixel (da mesma forma que com o iPhone vêm EarPods). A Google inclusive já oferece garantias Preferred Care, semelhantes às do Apple Care.

O Pixel Slate

Não é o primeiro tablet da Google com a marca Pixel, mas a principal diferença entre Pixel C, apresentado em 2015, e o Pixel Slate, lançado agora, é o sistema operativo. O novo modelo vem com Chrome OS, que substitui o Android pois este continua a não ser um bom sistema operativo para tablets. Tal como o Pixel C, o Pixel Slate é a Google a piscar o olho tanto ao iPad Pro como ao Surface Pro, da Apple e da Microsoft, respectivamente. O Chrome OS é pensado tanto para produtividade como para entretenimento, estando incluídas apps como Google Drive, Gmail, YouTube, Netflix, Slack, Evernote e Google Duo, podendo estas ser usadas em modo multitasking (uma ao lado da outra).

O Pixel Slate oferece um ecrã de 12,3 polegadas (que a Google baptizou de Molecular Display) com duas câmaras, uma frontal e outra traseira, ambas de 8 megapixels. Há dois altifalantes, não há entrada para auscultadores, o chip de segurança Titan M está integrado, e é possível desbloqueio com impressões digitais usando o Pixel Imprint. O preço do Pixel Slate varia entre os 599 e os 1599 dólares, dependendo do processador (existem quatro opções da Intel), memória RAM (entre 4 e 16 GB) e do armazenamento interno (entre 32 e 128 GB) escolhidos. A bateria é de 48Wh e pode ser carregada em modo rápido (15 minutos na tomada dão 2 horas de autonomia). Existem duas portas USB-C para carregamento, transferência de ficheiros ou ligar a um monitor 4K, podendo dessa forma o Pixel Slate ser usado como um computador tradicional (ao estilo do Note 9 da Samsung).

Pixel Stand

O Pixel Slate vai estar disponível numa única cor – “Navy Blue” – e poderá ser adquirido com um teclado e caneta. Contudo, estes dois acessórios são vendidos em separado por 199 e 99 dólares, respectivamente. O Bluetooth Pixel Slate Keyboard é um teclado arredondado e que tem luz nas teclas para ambientes de pouca luminosidade. A caneta pode ser partilhada com o Pixelbook. A Google não avançou datas para a chegada do Slate ao mercado, mas, tal como nos Pixel 3, Portugal não deverá estar na lista.

Novo Chromecast

Há três anos que a Google não actualizava o Chromecast e fê-lo agora. A terceira geração do pequeno dispositivo que permite transformar uma televisão numa espécie de Smart TV tem um novo design e o ícone ‘G’ da Google a substituir o do Chrome. Apesar de o nome “Chromecast” ter sido mantido e não mudado para algo como “Pixelcast”, o produto passa a suportar streaming de conteúdos a 1080p e 60fps e pode agora ser sincronizado com um Google Home, por exemplo, para tocar a mesma música.

Novo Chromecast

Disponível em branco e preto, o Chromecast vai continuar a ser vendido por 35 dólares e, para quem procura 4K, continuará a ter disponível o Chromecast Ultra por 69 dólares. Portugal só deverá receber o novo Chromecast em 2019; a geração geração está disponível na Google Store por 39 euros.