IBM avança para a aquisição mais cara de uma empresa de software: 34 mil milhões

A IBM e a Red Hat vão unir esforços no desenvolvimento da IBM Cloud, ao mesmo tempo que partilham uma filosofia open source.

Infra-estrutura da IBM Cloud em Dallas (foto via IBM)

Em 2014, o Facebook comprou o WhatsApp por 22 mil milhões. Em 2016, a Microsoft anunciou e concluiu a compra do LinkedIn, num negócio de 26,2 mil milhões de dólares. Estas foram até aqui as duas aquisições de empresas de software mais caras, mas a IBM pretende agora suplantá-las, com a compra avaliada em aproximadamente 34 mil milhões da Red Hat, uma empresa focada em código aberto.

A Red Hat assenta o seu negócio no valor do open-source, disponibilizando o código dos seus produtos de forma gratuita para que outros possam usá-lo. Além de um sistema operativo destinado ao mundo empresarial – o Red Hat Enterprise Linux –, a Red Hat dispõe de outras soluções de software que passam pela nuvem (ou, melhor, pela hybrid cloud), pelo Linux, pelos chamados containers, pelas tecnologias Kubernetes e pela automatação. Com a ajuda da Red Hat, empresas podem desenvolver plataformas baseadas na nuvem para os seus centros de dados ou gerir aplicações que correm em diferentes serviços de cloud.

Ginni Rometty, presidente e CEO da IBM, à direita, com James M. Whitehurst, CEO da Red Hat, à esquerda (foto via IBM)

Se a IBM também bebe um pouco da filosofia do código aberto, o match com a Red Hat dá-se por razões de negócio. Ora, em Junho, as acções da Red Hat desceram 14% num só dia depois de a firma ter desapontado os investidores; e têm vindo a descer 17% desde então, segundo reporta a revista Wired. Por seu lado, a IBM não tem conseguido modernizar o seu negócio de alojamento para a nova era da cloud, apresentando uma oferta à altura da Amazon Web Services, da Microsoft Azure ou da Google Cloud. A empresa centenária tem vindo a trabalhar com a Red Hat nesse sentido e a ideia é agora estreitar essa relação. Uma vez concluído o negócio, a Red Hat integrará a equipa de Hybrid Cloud da IBM, que já representa um negócio de 19 mil milhões de dólares, mas será uma unidade distinta e permanecerá focada em software open source.

“Com esta aquisição, a IBM continuará comprometida com a gestão aberta, as contribuições de código aberto, a participação na comunidade de código aberto e o modelo de desenvolvimento da Red Hat, além de promover seu amplo ecossistema de programadores. Além disso, a IBM e a Red Hat continuarão comprometidas com a contínua liberdade do código aberto, através de esforços como o Patent Promise, o GPL Cooperation Commitment, a Open Invention Network e a LOT Network”, lê-se no comunicado da IBM, onde acrescenta que, apesar dos esforços conjuntos para desenvolver a IBM Cloud, vai manter parcerias com a Amazon, Microsoft, Google, Alibaba e outras empresas com serviços de cloud.

O negócio entre a IBM e a Red Hat está agora sujeito às autorizações administrativas e regulatórias, prevendo-se a sua conclusão em meados de 2019. A IBM irá pagar 190 dólares em dinheiro por acção da Red Hat, o que poderá totalizar 34 mil milhões de dólares.