IKEA e HP comprometem-se a ajudar a manter os oceanos sem plástico

A iniciativa NextWave Plastics, que conta agora com o apoio de empresas como a IKEA e a HP, quer evitar que o lixo que ainda não chegou ao oceano lá chegue.

Foto de Javardh via Unsplash

Lembras-te daquele vídeo do mergulhador, numa praia em Bali, rodeado de plástico? Esse vídeo mostra o que acontece quando o lixo da rua passa para os sistemas de drenagem das cidades, quando os temporais arrastam lixo para os rios ou quando este é despejado directamente no mar. Pelo caminho, transforma-se em pedaços cada vez mais pequenos que vão interferindo na vida marinha das mais variadas formas, até originarem os microplásticos, que acabam por passar para a cadeia alimentar e, inevitavelmente, chegam ao nosso prato.

É, por isso, importante encontrar maneiras de capturar este fluxo de plásticos, particularmente na China, na Indonésia, nas Filipinas, na Tailândia e no Vietname, países que despejam mais resíduos plásticos no mar do que o resto do mundo combinado.

A iniciativa NextWave Plastics, que conta agora com o apoio de empresas como a IKEA e a HP, quer encontrar uma solução para este problema, focando-se em recolher o lixo que ainda não chegou ao oceano e que é classificado como “lixo mal gerido”, ou seja, plástico que não é recolhido (e que provavelmente não o será) e que se encontra no chão num raio de 50 km de uma via fluvial ou área costeira.

Actualmente, os plásticos aproveitados são do tipo PET, HDPE e nylon, normalmente de redes de pesca descartadas. Enquanto as redes de pesca são recolhidas para não acabarem no mar, os objectos dos outros tipos de plástico são reaproveitados. As empresas que integram a NextWave comprometem-se, ainda, a ter em consideração a distância que os materiais têm de percorrer até às fábricas, procurando sempre reduzir a pegada ecológica.

Lançada originalmente pelas Dell Technologies e a incubadora de ideias Lonely Whale, a NextWave surge, em 2017, como resposta aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS 14: Proteger a Vida Marinha). Assim, o grupo de trabalho visa garantir que as cadeias de funcionamento open source têm a infraestrutura e o suporte necessários para dar conta da procura, alinhando-se aos padrões sociais e ambientais globais, e criar a primeira rede mundial de fornecimento de plástico oceânico.

No comunicado que anuncia a nova parceria com a HP e o IKEA, a NextWave diz que os novos membros estão empenhados (e no caminho certo) para dar resposta a este ODS e desviar um mínimo de 25 mil toneladas de plásticos, o equivalente a 1,2 mil milhões de garrafas plásticas de uso único, até o final do ano de 2025.

Desde 2016 que uma parte dos tinteiros de impressoras da HP são produzidos a partir de garrafas de plástico apanhadas nas ruas e nos canais de Port-au-Prince, no Haiti. Colaborando com pessoas locais, a empresa já conseguiu evitar que cerca de 12 milhões de garrafas acabassem nos mares das Caraíbas. A HP dá, agora, mais um passo no combate à poluição marinha, juntando-se à NextWave para alargar a sua área de impacto.

O IKEA, que em Junho deste ano se comprometeu a acabar com os produtos de plástico de uso único até 2020 e a conceber todos os seus novos produtos baseados em princípios de economia circular até 2030, usando apenas materiais renováveis e reciclados, vai assim começar a explorar como dar uso a estes plásticos. Está previsto que os seus primeiros protótipos sejam anunciados até ao final de 2019.

Ellen Jackowski, chefe global de estratégia de sustentabilidade e inovação da HP, diz que a chave para nós, enquanto sociedade, é olhar para o plástico como valor, não como desperdício. Hoje, toda a gente o vê como um desperdício. Como geramos procura suficiente para que as pessoas vejam o plástico como valor e não algo que se quer deitar fora? O plástico é um material incrível. Nós entusiasmámo-nos um pouco com ele. Então, como colocamos os processos certos na nossa sociedade para que haja valor suficiente para continuarmos a reutilizá-lo, em vez de criar mais?”.