Apoiante de Assange quer levar a beleza e humanidade da música clássica à porta do exílio

"Temos um génio preso dentro de uma garrafa e tu podes tornar esta justiça travestida um pouco mais humana."

Foto de Snapperjack via Wikimedia

Julian Assange está desde o dia 19 de Junho de 2012 confinado ao espaço da embaixada do Equador em Londres. Depois das revelações que surpreenderam todo o mundo e deixaram a nu crimes e más práticas das mais altas figuras, tornando-se procurado especialmente nos EUA, onde poderia enfrentar uma pena de prisão perpétua, e pela Suécia que emitiu dois mandatos de prisão em nome do australiano.

Caso não tivesse conseguido exílio, Assange estaria nesta altura provavelmente preso como esteve, por exemplo, Chelsea Maning. Contudo, o anterior Governo equatoriano permitiu que o agora ex-editor da Wikileaks se quedasse na sua embaixada em Londres e lá passou os últimos anos. Depois de cinco anos com condições mínimas para a permanência em asilo – acesso à internet, possibilidade de receber visitas, etc –, a eleição do novo presidente do equador – Lenín Moreno substituiu Rafael Correa – e algumas mensagens que publicou no Twitter fizeram com que lhe fossem revogados esses direitos.

Agora, Gordon Parnell, um canadiano de 62 anos, a viver no México há 27, quer levar um pouco de beleza até Julian Assange, encetando esforços online para organizar um concerto de música clássica à porta da embaixada.

“Eu não sou um músico mas sei o prazer que a música é para a alma especialmente quando a mente está presa a algo e com falta de estímulo”, explica Gordon Parnell ao jornal Evening Standard, acrescentando que considera Assange num verdadeiro herói por revelar verdades que o poder não queria que se tornassem públicas.

A primeira tentativa de Gordon surgiu na Craiglist, onde publicou um anúncio requisitando músicos para tocar no concerto que deseja organizar. A ideia completa foi exposta num artigo escrito pelo próprio no site OpEdNews, no qual explica com mais detalhe o porquê desta ideia, quem o pode ajudar e como tenciona organizar:  “O ponto: tornar as horas do Julian dentro da embaixada um pouco mais suportáveis; estou a pedir músicos de todo o lado para tocar música ao vivo no exterior da Embaixada Equatoriana em Londres para proporcionar um momento de módica beleza à existência sombria dentro da embaixada.”

“Temos um génio preso dentro de uma garrafa e tu podes tornar esta justiça travestida um pouco mais humana. algo que nunca esquecerias e que ficarias eternamente grato por ter participado”, acrescentou.