Kanye West reafirma apoio a Trump e gera controvérsia da televisão até à internet

"Isto representa o bom e a America a tornar-se completa novamente", comentou o rapper, referindo-se ao boné vermelho de Trump.

Foto via Kany West/Twitter

Que Kanye West apoia Donald Trump não é propriamente notícia desde que em 2016 o rapper norte-americano o disse publicamente num concerto. Kanye pode não ter votado em Trump, como referiu nesse mesmo palco, mas garantiu que se o tivesse feito teria dado a cruzinha ao actual Presidente dos EUA. Os dois chegaram a encontrar-SE na Trump Tower em Nova Iorque nesse ano para “discutir assuntos multi-culturais”, conforme partilhou na altura no Twitter.

Já no início deste ano, especificamente no dia 25 dia Abril, Kanye West fez questão de lembrar os seus seguidores de que está ao lado de Donald Trump: “Somos ambos energia do dragão. Ele é meu irmão”, escreveu num tweet que entretanto eliminou, onde também dizia não concordar com tudo o que alguém faz e que “isso é o que nos torna indivíduos”. Noutro tweet, reforçou esta última ideia a pedido – segundo disse – da mulher, Kim Kardashian.

Kayne fala sobre a 13ª Emenda

O assunto Kanye e Trump não ficou por aí. O músico de descendência afro-americana partilhou este domingo nas suas redes sociais, Twitter e Instagram, uma foto sua a usar o icónico boné vermelho com o slogan gritante da campanha eleitoral de 2016: “MAKE AMERICA GREAT AGAIN” – juntamente com alguns comentários à 13ª emenda da Constituição dos EUA:

“Isto representa o bom e a America a tornar-se completa novamente. Nós não vamos mais terceirizar para outros países. Construímos fábricas aqui na América e criamos empregos. Proporcionaremos empregos para todos os que estão livres de prisões à medida que abolirmos a 13ª Emenda. Mensagem enviada com amor”

Para contextualização, importa referir que a 13ª Emenda é a parte da Constituição norte-americana que aboliu em 1865 a escravatura e qualquer tipo de trabalhos forçados, e continua a proibi-los desde então “nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição”, “salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado”.

A resposta de Lana Del Rey

A publicação de Kanye foi acompanhada por mais dois tweets, nos quais esclarece que não pretendia eliminar a emenda, mas antes alterá-la. “A 13ª Emenda é escravidão disfarçada, o que significa que nunca acaba. Nós somos a solução que resolve”, disse num deles, completando: “Não abolir, mas vamos emendar a 13ª Emenda. Aplicamos as opiniões de todos à nossa plataforma”. Como seria expectável, as declarações do músico não caíram bem, inclusive entre músicos. Lana Del Rey fez questão de deixar a seguinte resposta no Instagram:

“O Trump tornar-se o nosso Presidente foi uma perda para o país mas tu dares-lhe o teu apoio é uma perda para a cultura. Só consigo presumir que te relacionas com a sua personalidade em algum nível. Megalomania, questões extremas com o narcisismo – nenhuma das quais seria motivo de discussão se não estivéssemos a falar sobre o homem que lidera o nosso país. Se achas que é certo apoiar alguém que acredita que é certo ‘agarrar uma mulher pela vagina’ [expressão de Trump] só porque ela é famosa – então você precisa de uma intervenção tanto quanto ele precisa – algo que muitos narcisistas nunca conseguirão porque simplesmente não há ajuda suficiente para o assunto. Mensagem enviada com preocupação que nunca será resolvida.”

Outras personalidades criticaram Kanye, entre elas o actor norte-americano Chris Evans ou ainda Snoop Dogg, que lhe disse, também no Instagram, “para fazer música boa novamente”.

De notar que Kanye West não é a única celebridade que apoia Trump, mas as suas palavras acabam por ter algum peso pelo seu peso mediático e por ser um afroamericano do universo do Hip Hop geralmente avesso a Donald Trump. Os comentários de Kanye este domingo nas redes sociais surgiram depois da sua participação no programa Saturday Night Live da NBC, no dia anterior, quando estava previsto o lançamento do seu novo álbumentretanto adiado.

A polémica no Saturday Night Live

No talk show, cantou “I Love It” com Lil Pump e “We Got Love” com Teyana Taylor sem qualquer momento anormal, mas quando regressou, já no final do programa, para cantar “Ghost Town”‘ com Kid Cudi e 070 Shake trouxe na cabeça o chapéu vermelho e a vontade de fazer um discurso pró-Trump.

O segmento acabou por não ser emitido na televisão por questões de tempo, explicou a NBC, mas quem assistiu ao vivo não deixou de partilhar o que aconteceu: um Kanye West a queixar-se de que tentaram, nos bastidores, impedi-lo de levar o boné. “Fizeram bullying comigo. Riram-se de mim e pediram-me para não ir para o programa com o chapéu. Deixem-me usar a minha capa de super-herói porque isto significa que não me podem dizer o que fazer”, disse.

Toda a situação já teve direito a um comentário no Twitter do próprio Donald Trump. O Presidente norte-americano disse que “como muitos, não vê o Saturday Night Live (apesar de no passado já o ter apresentado” (sim, apresentou-o mesmo), acrescentando que o programa já não tem interesse e não passa de publicidade aos Democratas. Congratulou, contudo, Kanye por ter usado o boné vermelho mesmo depois de lhe terem dito para não o fazer. “Ele está a liderar a mudança”, concluiu no tweet que já teve a partilha, claro, do rapper.