Experimentei as trotinetas a caminho do trabalho e foi… estranho

Estava uma trotineta eléctrica da Lime à porta de casa, deixada por alguém. Decidi pegar nela para me deslocar até Benfica. Um percurso que me custou 2,40 euros (porque tive desconto de 1 euro) e que demorou 15 minutos.

Foi no início de Outubro que as trotinetas da Lime, uma empresa norte-americana presente em mais de uma centena de cidades, chegaram a Lisboa. Uma start-up lisboeta chamada Iomo prepara-se para lançar um serviço concorrente e há uma equipa brasileira também de olho na capital portuguesa, onde pretende estrear mundialmente a sua plataforma.

Nos primeiros dias da Lime em Lisboa, pude observar várias pessoas a utilizar o serviço e, num dia em que uma trotineta me apareceu à porta de casa, decidi experimentá-la na deslocação até ao trabalho. Uma viagem que de bicicleta costuma demorar 15-20 minutos e a pé uns 30-45 minutos, e que é feita entre Telheiras e o Palácio Baldaya, em Benfica, onde está localizado o escritório do Shifter.

O primeiro passo foi fazer o registo e introduzir um método de pagamento – não existe a opção de PayPal, pelo que optei por criar um cartão virtual no MB Way. Introduzidos todos os dados necessários, aproximei-me da trotineta, que estava no meio de um passeio, li com a app o código QR localizado na mesma e esperei uns segundos pelo desbloqueio. Caso pegasse na trotineta bloqueada, ela teria activado um ligeiro alarme sonoro, de forma a alertar quem estivesse por perto de um possível roubo.

Estava com receio de não me conseguir equilibrar na trotineta, pelo que testei-a um pouco no passeio. Muito rapidamente percebi que atingir o equilíbrio é básico e arrisquei-me na estrada. Do lado esquerdo do guiador há um travão e uma campainha e à direita um manípulo para activar a assistência eléctrica, permitindo velocidades até 20 km/h.

A viagem não exigiu qualquer esforço físico da minha parte. Com a assistência eléctrica quase sempre ligada, foi ter os dois pés em cima da base da trotineta e deixar-me ir, travando, claro, sempre que necessário. Só usava o “modo tradicional” – isto é, um pé na trotineta e outro a empurrar o chão – no arranque para ganhar algum balanço. As trotinetas podem circular na estrada e nas ciclovias. Se existir pouco movimento, a estrada faz-se bem mas é preciso estar atento àquele e outro buraco. Nas ciclovias, a piores partes são as interrupções de calçada (usar uma Lime aí é doloroso por causa da irregularidade das pedras) e os baixos degraus entre a ciclovia e a estrada. Se de bicicleta essas imperfeições pouco se notam dado o tamanho das rodas, as rodas das Lime são pequenas e, além disso, não existe qualquer amortecedor.

Não vou negar que, algumas vezes durante o percurso, senti a estranheza de alguns olhares, principalmente à chegada a Benfica, onde uma trotineta deve ser algo invulgar. Aliás, a Lime que deixei à porta do Palácio Baldaya ali ficou durante o resto do dia e abrindo o mapa era a única em Benfica – uma zona periférica em termos de cobertura para a Lime; mais uns metros e não poderia estacionar a trotineta sem me arriscar a uma multa de 25 euros. Para concluir a viagem, basta carregar no botão correspondente na app e tirar uma foto ao veículo parado – existe também a opção de pausa. O custo é contado ao minuto com uma tarifa de 15 cêntimos, existindo um valor base de 1 euro só pelo desbloqueio da trotineta. Demorei 15 minutos e paguei 2,40 euros porque tive um euro de desconto por se tratar da minha primeira viagem.

Um utilizador da Lime pode apanhar uma trotineta qualquer que encontre na rua e, concluída a viagem, deixá-la em qualquer lado. Se for num dos 90 locais “oficiais” (pré-definidos pela Lime e pela Câmara Municipal de Lisboa), melhor, mas caso não exista um por perto deverá deixá-la junto a um estacionamento de bicicletas ou num sítio que não importune a circulação de peões – foi o que fiz.