Já começou a Mostra Internacional de Cinema Anti-Racismo

Das Mulheres da Aurora Dourada até Human Flow de Ai Weiwei; Conhece aqui os filmes em cartaz.

Frame do filme Human Flow de Ai Weiwei

Já começou a Mostra Internacional de Cinema Anti-Racismo; uma produção tornada possível através do apoio da Câmara Municipal do Porto, do Teatro Municipal Rivoli e ainda do Goethe Institut. Decorre entre os dias 4 a 7 de Outubro e é promovida pela associação SOS Racismo, uma associação que, em parceria com outras associações internacionais, visa combater o Racismo, a Xenofobia, a opinião negativa da Imigração através de projetos de inclusão social e apoio na construção de valores e vida em sociedade.

Durante os três dias do evento, que já vai na sua quinta edição, serão exibidas obras cinematográficas que focam na temática do racismo, da imigração e das minorias étnicas, complementadas por debates entre convidados e o próprio público.

Os filmes em exibição:

Golden Dawn Girls de Håvard Bustnes

5 OUTUBRO – 15H

O Golden Dawn (Aurora Dourada) é um partido nacionalista de extrema direita que na Grécia que nos últimos anos tem vindo a conseguir representação parlamentar e notoriedade social. Quando os homens que ocupavam as principais posições no partido são acusados de participação em criminalidade organizada, as suas esposas, mães e filhas assumem a liderança do partido e conduzem a sua campanha eleitoral. Acompanhando estas mulheres, o documentário dá-nos conta das suas perspectivas, valores e personalidades, num momento em que procuram dar às suas ideologias neo-nazis uma imagem mais agradável, cuidadosamente construída. Explorando as tensões que se vão abrindo, o filme dá conta da presente e crescente distância entre a imagem política construída por este partido nacionalista e a mais negra realidade das suas posições.

VÉNUS NEGRA de Abdellatif Kechich

5 OUT – 17H30

O filme ficciona a história verídica duma negra Sul Africana,  Saartjie Baartman, que é trazida para a Europa com promessas duma vida melhor. Em pleno século XIX, viaja por toda a Inglaterra e França em “Freak shows”, onde é explorada pela sua estrutura física e pelo seu simulado “estado selvagem”, num misto de exotismo e erotismo, numa exploração decadente e repugnante da mulher negra. Paralelamente o seu corpo é estudado por conceituados naturalistas e anatomistas com o intuito de formular a teoria das raças, inferiorizando os negros pelas suas características, e assim legitimando a escravatura. Saartjie Baartman entra num processo de decadência e alcoolismo e morre em Dezembro de 1815. O seu corpo é doado ao Musée de l ́Home em Paris, alguns órgãos são mantidos em formol para serem exibidos até 1974. A pedido de Nelson Mandela, os restos mortais são devolvidos ao seu país em 2002.

ROADMAP TO APARTHEID de Ana Nogueira e Eron Davidson

5 OUT – 21H30

“Uma menina judaica que eu conheço, depois do seu último ano de escola na África do Sul, foi com seus colegas para Israel para um encontro cultural. A dada altura tomou conhecimento que judeus e árabes não se podem se casar. “Mas não é como o apartheid?“, diz ela…” Este foi o mote para o documentário, que, de uma forma cativante, traça as comparações entre o Apartheid Sul Africano e o regime opressor de Israel nos territórios ocupados da Palestina. Numa longa sequência em tela dividida: à esquerda, o apartheid da África do Sul; à direita imagens espelhadas, e em tudo semelhantes, de Israel – soldados verificando passes, a polícia a bater com bastões em civis desarmados, soldados impedindo filmagens, jovens a arremessar pedras a carros blindados, costas nuas mostrando as feridas da tortura, os cadáveres dos desordeiros, pneus queimados, retro-escavadoras demolindo casas, despejos, acampamentos de tendas, funerais políticos, mulheres chorosas – imagens omnipresentes encontradas em qualquer lugar em que um Estado mostra a sua autoridade pela violência.

TWELVE ANGRY MEN de Sidney Lumet

6OUT–15H

No dia mais quente do ano, doze jurados são chamados a deliberar sobre o destino dum jovem acusado de matar o seu pai. A açcão decorre numa pequena sala sufocante, com a tensão a surgir do conflito de personalidades, do diálogo e da linguagem corporal, e onde a lógica e a emoção se disputam em constantes argumentações. Parte-se do princípio que o jovem é culpado, com base em provas e testemunhos aparentemente irrefutáveis, considerando os seus antecedentes e o bairro onde vive. É pela discussão em torno de preconceitos que os jurados vão afirmando a sua posição ao longo do filme e embora a discriminação racial não seja evidenciada na narrativa, ela representa um papel importante nas argumentações a favor e contra a inocência do arguido.

DIGNIDADE de Catarina Príncipe e Pedro Rodrigues
6 OUT – 17H30

“A comunidade cigana vive no Conjunto Habitacional da Marinha desde 1984. Anteriormente ocupavam um terreno em São João de Ovar, de onde tiveram que sair para dar lugar ao que é hoje o Salão Paroquial. As 9 famílias foram “realojadas” numa antiga coelheira na Marinha sem quaisquer condições de habitabilidade. Só com o passar dos anos e por insistência da comunidade foram construídas pela autarquia algumas infraestruturas básicas. As promessas de realojamento são frequentes e variadas. Passados mais de 30 anos tudo continua na mesma.

CHARLIE’S COUNTRY de Rolf de Heer

6 OUT – 17H50

“Charlie vive numa reserva para aborígenes, criada pelo governo australiano. Cansado de se sentir aprisionado na terra onde nasceu, decide abandonar a comunidade e iniciar uma viagem em busca da sua própria emancipação, da sua liberdade e dignidade. “Charlie’s Country” é, sobretudo, um exercício de reflexão sobre a condição de colonizado.”

MIKAMBARU E NÔS TERRA de Vanessa Fernandes

6 OUT – 21H30

“Mikambaru” é uma palavra inventada pelo alter-ego de um dos personagens. O filme faz uma reflexão sobre a diáspora africana pós-colonialista, e a relação com o “Outro”. Questiona as fronteiras mentais que se vão alterando de geração em geração, através do poema “Construir” de Alda Espírito Santo.

NÔS TERRA de Anna Tica, Nuno Pedro e Toni Polo

6OUT – 22H

Os pais vieram de uma antiga colónia portuguesa. Os filhos nasceram em Lisboa mas sentem-se mais cabo-verdianos do que portugueses. Saíram do seu bairro de infância para ir viver para um bairro social. Falam português, mas cedo aprenderam crioulo. Em Nôs Terra, conversam sobre a dualidade e a conflitualidade de pertencer a dois mundos que vivem de costas voltadas, mas que, apesar de tudo, lhes pertencem como um só. É um documentário centrado no processo de construção de um contra-discurso protagonizado por jovens negros portugueses.

SAMI BLOOD de Amanda Kernell

7 OUT – 15H

“Sami Blood” tem por cenário a Lapónia dos anos 30 e acompanha a vida de Elle Marja, uma jovem sami que é integrada num colégio interno, para aí prosseguir os seus estudos. Já no estabelecimento de ensino, e juntamente com as restantes estudantes sami, vivencia uma traumática experiência antropológica imposta pelo estado Sueco para catalogar o povo Sami como seres inferiores. Desejosa de seguir novos caminhos, Elle abandona o internato e, escondendo os seus laços familiares, tenta assumir uma nova identidade.

HUMAN FLOW de Ai Weiwei

7 OUT – 17H30

Pela câmara do artista, realizador e ativista chinês Ai Weiwei, e num percurso que inclui passagem por 23 países – Quénia, Bangladesh, Turquia, México, Afeganistão, Iraque, Alemanha, França e Grécia, entre outros – Human Flow põe à mostra algumas das questões mais prementes sobre a migração. Desde uma perspectiva mais pessoal, do sofrimento individual dos/as que se vêm forçados/as a migrar, até uma perspectiva claramente global, focada nas relações entre povos e sublinhando o consequente impacto de uns sobre outros, o documentário procura encontrar respostas para os motivos que forçam milhões de pessoas a abandonarem as suas casas.

GENESIS de Árpád Bogdán

7 OUT – 21H30

Tendo como pano de fundo os ataques racistas perpetrados contra a população cigana na Hungria, entre 2008 e 2009, Genesis conta a história de três diferentes protagonistas: um menino que assiste ao assassinato da sua família; uma jovem mulher que se envolve com um dos assassinos; uma advogada que é chamada a defendê-lo.

Com entrada gratuita, é o objetivo deste festival e de muitos outros festivais do Porto, promover o acesso de todos os cidadãos à cultura e ao usufruto de todos os espaços culturais da cidade. O programa completo pode ser consultado aqui.