Presidenciais Brasil 2018: conhece os nomes que dividem o maior país da América Latina

Compilámos de forma resumida e concisa tudo o que deves saber sobre os 13 candidatos a votos no próximo domingo nas Presidenciais no Brasil.

Na imagem os candidatos que lideram as sondagens e ilustram a polarização social: Fernando Haddad e Jair Bolsonaro

Brasil e eleições presidenciais colocam-nos sempre algumas palavras e ideias na mente. A primeira tem necessariamente correspondência com o número de candidatos, de partidos e de coligações. São 13 no total, e é impossível conhecer todos e acompanhar a par e passo as dissidências, fusões ou extinções. A segunda premissa relaciona-se com a primeira. Há candidatos para todos os gostos, da esquerda à direita, com programas e ideias assentes na religião ou não, pobres, ricos ou classe média. A terceira e última indicação deriva na quase certeza que teremos uma segunda volta que aglutinará os 13 candidatos em 2. Aqui no Shifter, compilámos de forma resumida e concisa o que deves saber de cada candidato a votação no próximo domingo.

Fernando Haddad (PT)

É um dos candidatos mais recentes, escolhido para suceder a Lula da Silva na frente do Partido dos Trabalhadores, depois da Justiça brasileira ter impedido o ex-Presidente de se candidatar.

Haddad enfrenta não só as acusações de corrupção do Partido, como a pressão de ter tido pouco tempo de campanha para se tornar conhecido da população e de se projectar como “a voz de Lula”.

O candidato do PT tem currículo académico e passagem pelo sistema financeiro onde trabalhou como analista de investimentos do Unibanco. É formado em Direito, Mestre em Economia e Doutor em Filosofia. Ascendeu no PT ocupando cargos de gestão e foi Ministro da Educação em 2005. Ainda assim, tem pouca experiência nas urnas. Soma até agora a participação em duas eleições, ambas para perfeito de São Paulo. Só venceu uma delas, em 2012, e perdeu a segunda em 2016, para João Dória do PSDB, quando o PT vivia o auge do seu desgaste com as denúncias de corrupção na Petrobras e o impeachment de Dilma Rousseff.

O seu principal desafio é herdar as intenções de voto em Lula — que contava com o voto declarado de quase 40% do eleitorado até ser oficialmente impedido de concorrer às eleições. Não é claro nos estudos feitos até agora, se os outros candidatos da esquerda, podem beneficiar com a ausência de Lula na corrida.

Jair Bolsonaro (PSL)

Uma espécie de Donald Trump brasileiro, Jair Bolsonaro tem sido mais um exemplo claro de como a má publicidade é melhor que nenhuma publicidade, e tem visto as suas posições polémicas levarem o seu nome além fronteiras e além sondagens. O deputado federal aparece em primeiro lugar nos inquéritos de opinião nos cenários eleitorais sem Lula. De acordo com uma das últimas sondagens, Bolsonaro alcança 31% das intenções de votos.

Da sua candidatura à sua campanha, todo o seu percurso eleitoral tem dado nas vistas. Começou por trocar de partido para poder disputar as eleições, não uma, mas duas vezes. Bolsonaro estava filiado ao PSC (Partido Social Cristão) e chegou a assinar os papéis para pertencer ao PEN (Partido Ecológico Nacional). Acabou por se filiar ao PSL (Partido Social Liberal).

Já durante a campanha foi vítima de um ataque que a oposição depressa acusou de ter sido encenado. Bolsonaro foi esfaqueado e acabou por sofrer lesões graves nos órgãos intra-abdominais. Todo o episódio atrasou as suas acções de campanha e fez com que faltasse ao último debate, escolhendo dar uma entrevista em simultâneo para o canal detido por Edir Macedo, bispo da igreja evangélica.

Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 – acumula sete mandatos por cinco partidos diferentes (sendo que já foi filiado a nove partidos ao longo de toda a sua carreira política). Até agora, já disse que pretende fundir os ministérios da Fazenda e do Planeamento; e da Agriculta e do Meio Ambiente. Também tem falado sobre possíveis privatizações de empresas e órgãos estatais.

Um congressista radical, apoiado pelas elites empresariais do Brasil. Nostálgico da época de Ditadura Militar, por diversas vezes fala publicamente do tema e é mais conhecido pelos seus ataques verbais contra os homossexuais e afro-brasileiros do que pelo seu apoio ao mercado livre.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin assumiu em Dezembro a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre manter ou tirar o apoio ao governo de Michel Temer (MDB).

O seu principal desafio é aparecer melhor colocado nas sondagens. Apesar de ser o cabeça de lista de um dos maiores partidos do país, não tem conseguido alcançar mais de 10% das intenções de voto.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves. O próprio foi acusado de receber 10 milhões de reais em quantias não declaradas da Odebrecht, acusação que nega.

Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno. Alckmin enfrenta rejeição de 24%, a terceira maior entre os eleitores.

Marina Silva (Rede)

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente está, de acordo com as últimas sondagens, em quarto lugar, atrás de Ciro Gomes.

Uma das dificuldades que deve enfrentar é o pouco tempo de campanha na rádio e na TV. A ex-ministra também tem respondido a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento firme sobre temas centrais ou disputas políticas.

Avessa a embates e a ataques, Marina Silva, disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Começou a sua carreira política no PT – onde chegou a ser ministra do Meio Ambiente, durante o governo Lula (2003-2010).

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará é até até agora uma das que, à esquerda, vai melhor nas pesquisas. Ciro aparece em terceiro lugar, com cerca de 9% das intenções de votos.

Ainda segundo o Datafolha, o pedetista tem uma rejeição de 20% do eleitorado – abaixo da rejeição de Bolsonaro (43%), Marina (29%), Alckmin (24%) e Haddad (22%).

A falta de aliados para fortalecer a candidatura é um obstáculo. Ciro já foi perfeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional). Passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Álvaro Dias (Podemos)

Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista (do PT) e por ser integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

Durante anos foi filiado ao PSDB. No ano passado, ele trocou o PV pelo Podemos – antigo PTN – com a expectativa de se lançar candidato, apesar de ser um nome pouco conhecido no território brasileiro.

Álvaro Dias é licenciado em História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná.

João Amoêdo (Novo)

Ex-executivo do sistema financeiro, João Amoêdo, afastou-se da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência – pelas regras do Novo, os candidatos não podem exercer funções partidárias nos 15 meses anteriores à eleição.

Amoedo enfrenta o desafio de se fazer mais conhecido entre os eleitores e tentar ajudar o Novo a eleger representantes nas Assembleias e na Câmara.

Com cerca de 3% das intenções de voto, segundo o Datafolha de Agosto, Amoêdo era o segundo candidato mais desconhecido do país – só perdia para Vera Lúcia (PSTU).

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais. Formado em Engenharia Civil e Administração, Amoêdo começou a carreira profissional como bancário e chegou a ser vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Actualmente, é sócio do Instituto de Estudos de Política Económica/Casa das Garças.

Guilherme Boulos (PSOL)

O Partido Socialismo e Liberdade aparece nestas eleições em coligação com o Partido Comunista Brasileiro. Esta coligação é encabeçada por Guilherme Boulos, homem forte do PSOL (partido criado após dissidências no PT) e líder do Movimento dos Trabalhadores sem Tecto, movimento social que reivindica o principio democrático de habitação para todos os brasileiros. Boulos é um homem de classe média alta, que leva ideias maioritariamente de esquerda ao escrutínio eleitoral. Apontado por muitos como o “novo Lula”,  o candidato às presidenciais é um liberal de costumes, elevando a pilares fundamentais a legalização do aborto e o casamento por pessoas do mesmo sexo. Na área económica, pretende um forte investimento do estado na economia nomeadamente em obras públicas.

A “chapa” eleitoral que encabeça conta na vice presidência com Sónia Guajajara, a primeira candidata de origem indígena à presidência da república brasileira. A mais recente sondagem da Globo dá perto de 1% ao candidato Boulos.

Vera Lúcia (PSTU)

Vera Lúcia é a cara do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado para as eleições de 2018. Depois da herança pesada de José Maria de Almeida, líder do partido e candidato às eleições em 1998, 2002, 2010 e 2014, chegou a vez de Vera Lúcia assumir a candidatura e apresentar-se ao escrutínio sem qualquer coligação. O programa do PSTU assenta essencialmente na reposição e no aumento dos direitos dos trabalhadores. Segundo a candidata, o Brasil necessita de parar com o pagamento da divida, auditando esta , de modo a utilizar esses fundos para aumentar salários e diminuir a jornada de trabalho. Como medida fundamental, Vera Lúcia aponta a necessidade nacionalizar as maiores empresas do Brasil, colocando o Estado como ator central no tecido económico do país.

João Vicente Goulart (PPL)

João Goulart Filho ou João Vicente Goulart é o homem lançado pelo Partido Pátria Livre às eleições presidenciais. Filho do ex-presidente João Goulart, o político ex-PDT, ingressou no PPL em 2017 e agora quer expor as suas ideias “nacionalistas” que na voz de Goulart defendem o povo brasileiro e a nação. A medida mais mediática exposta no espaço público consistiu na duplicação do salário mínimo em 4 anos. Além de uma visão heliocentrista do estado brasileiro, existe a intenção da equipa de candidatura em voltar à Constituição de 1988, revogando as emendas e leis dos governos seguintes.

O vice da candidatura é o advogado Léo da Silva Alves. De acordo com a sondagem já aqui mencionada, também nos 0% andará a perspectiva de votação na candidatura de João Goulart Filho.

Eymael (DC)

Não há eleição presidencial brasileira sem Eymael e a Democracia Cristã. Fundador de líder do partido há mais de 20 anos, Eymael candidata-se em 2018 ao sexto ato presidencial eleitoral em busca de um resultado superior à anterior votação. Como o próprio nome indica, o partido Democracia Cristã, ex- Partido Social Democrata Cristão, assente em valores religiosos cristãos, onde a família e os valores éticos que a suportam, desempenham um papel primordial. Em termos económicos, o discurso alinha pelo paradigma habitual onde o Estado deve fomentar as obras públicas.

O professor do ensino superior, Helvio Costa, é o candidato a vice-presidente do DC. As sondagens não surpreendem os responsáveis do partido e colocam-no com indicações bem abaixo do 1%.

Cabo Daciolo (Patriota)

O último candidato mas não menos importante neste desfile de possibilidades de presidência é o Cabo Daciolo. Daciolo é bombeiro militar, daí a patente Cabo, e deputado federal pelo Rio de Janeiro. Expulso do PSOL em 2015, o político é o cabeça de lista pelo partido Patriota, depois desta formação partidária ter acolhido Jair Bolsonaro no seio do grupo mas este ter saído antes das campanha eleitoral. Cabo Daciolo e o Patriota têm sido um caso de buzz mediático nestas eleições. Estes dois elementos assentam a retórica em premissas religiosas e conservadoras. O programa eleitoral “Plano de Acção para a Colónia Brasileira”, que contêm diversas evocações a Deus, aponta a meta de 10% do PIB na educação a recuperação da soberania como vectores fundamentais

Texto de: Rita Pinto e Rui Sousa