Produtividade improdutiva: quando a procura pela produtividade te torna improdutivo

É preciso saber equilibrar as coisas tendo noção de que mais nem sempre é melhor.

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(Este texto é, sobretudo, dirigido a todos os amantes de: truques, hacks e dicas de produtividade — onde pessoalmente me incluo)

Se alguma vez: deste por ti a ler um livro, de fio a pavio, passando por todos os capítulos, sem parar para refletir sobre a informação nova que acabaste de aprender…então és como eu e, acredito, como muita boa gente. A intenção era boa – ler faz bem logo quanto mais leres melhor, certo? Errado!!!

Nunca o ser humano teve acesso a tanta informação e conhecimento de qualidade como nos dias de hoje. Vivemos numa era sem barreiras temporais para: inovações, descobertas, opiniões, noticias, etc. Por outro lado, também vivemos numa época em que tudo isto entra pela nossa vida dentro de forma excessiva. Todos os dias somos “bombardeados” com nova informação, vinda de todo o lado, sem filtros e, sem perguntar se pode entrar – tu já lhe deste essa autorização no dia em clicaste “seguir”. Por este motivo é preciso saber equilibrar as coisas tendo noção de que mais não é melhor e de que somos nós os responsáveis pelo que deixamos entrar no nosso “feed mental”.

Os perigos de querer saber tudo

É muito fácil, hoje em dia, entrar numa rotina viciante de consumir todo o tipo de conteúdo sobre estas áreas (produtividade) e, no entanto, não trazer dessa informação absolutamente nada de novo para a nossa vida – o que era exatamente o propósito inicial. Isto acontece porque em vez de agarrar na informação nova e relevante que acabámos de aprender num artigo que demorou 5 minutos a ler e horas a produzir, é mais tentador – e fácil -, passar para o próximo artigo, e para o próximo, e para o próximo… sem na realidade aplicar nada daquilo que aprendemos.

Para quem, como eu, gosta de conhecer todos os truques e técnicas para potencializar o seu desempenho diário – na vida, no trabalho, no amor…em tudo -,  este ciclo vicioso pode-se tornar num jogo bastante perigoso, onde obtemos uma falsa sensação de “aprendizagem prática” mas, na realidade, estamos “apenas” a aumentar a nossa bagagem de número de artigos, livros ou vídeos – isto nas alturas em que reténs o que aprendeste -, acabando por não gerar dessas novas ideias aprendidas nenhum valor para o nosso dia-a-dia.

Um pouco ao estilo do “aspirante a empreendedor” – que passa uma vida inteira a estudar tudo o que existe sobre negócios e, no final, acaba por nunca ter feito nada -, também a procura incessante por nova informação pode ter o efeito exatamente oposto ao esperado inicialmente – consumir informação nova nestas áreas, sem dela retirar nenhuma conclusão prática, torna-se numa perda de tempo – que poderias utilizar noutras coisas e, logo, ser mais produtivo.

Soluções práticas

Se te revês nas palavras escrita em cima então está na altura de mudar as coisas e voltar a ganhar o controlo…

  1. Escolhe apenas as melhores fontes – Sejam livros, sites, páginas ou vídeos, sugiro que escolhas estrategicamente aqueles que deixas entrar na tua vida (se houver um novo conceito milagroso que tenhas medo de perder, não te preocupes – se é assim tão bom, mais tarde ou mais cedo, as páginas que segues vão falar nele).
  2. Não te deixes seduzir pelo “Clickbait” – A verdade é que, num mundo cada vez mais competitivo, todos lutam pela tua atenção e, para isso, usam as técnicas mais sofisticadas, para te levar a escolher aquele artigo em vez do próximo. Cabe-te a ti saber separar “o trigo do joio”, nunca julgando um livro pela sua capa, nem um artigo pelo seu headline.
  3. Moderação acima de tudo – Cria espaço e liberdade na tua vida, para desvios da rotina e das regras. Se ter uma boa rotina é essencial para ganhares o controlo de ti mesmo e, “não te deixares levar para onde o vento sopra”, é também de grande importância criar liberdade para, simplesmente, fazer o que te apetece no momento. Não queiras ser um robô – não vais conseguir.
  4. Devagar se vai longe – Todos conhecemos a história da tartaruga e da lebre, no entanto, nem todos colocamos os ensinamentos desta fantástica e elementar fábula em prática. A ideia é simples: em vez de quereres aprender tudo de uma só vez – e acabar por não fazer nada -, procura trazer para a tua vida – e rotina -, um conceito novo e desafiador por mês, ou semana… Se fores consistente, ao fim de um ano, vais ver que aqueles pequenos truques, que deixaste entrar na tua vida, quando agrupados, se tornam numa grande bagagem que agora tens ao teu dispor. Pelo contrário, se tentares fazer tudo de uma só vez, o resultado é simples e inevitável – e tu sabes qual é.
  5. Faz do bloco de notas o teu melhor amigo – Não confies demasiado no teu poder mental para guardar informação nova e coisas que queres fazer no futuro. Utiliza um bloco de notas ou uma aplicação, como o Evernote, para estruturar e guardar o que achas que vale a pena ser estruturado e guardado. Isto vai-te obrigar a pensar no que estás a escrever e a treinar o teu espirito critico.
  6. Pratica o que pregas – Se a informação nova que aprendeste for suficientemente boa para partilhares com toda a gente que esteja disposta a ouvir, então, é sinal de que devias estar a usar esses mesmos conceitos na tua vida pessoal. Se não estás, então já percebeste o porquê deste artigo 😉