Reino Unido nomeia ministro para o suicídio, em Portugal linha de apoio pode acabar

Em 2016, suicidaram-se no Reino Unido 5965 pessoas. Theresa May anunciou a disponibilização de uma verba de 1,8 milhões de libras para assegurar o funcionamento, por mais quatro anos, da linha de apoio Samaritans.

Os serviços de saúde do Reino Unido estão com falta de recursos, assegurou o secretário de Estado para a Saúde, Matt Hancock, ao mesmo tempo que anunciou a criação do cargo de ministro para a prevenção do suicídio. O cargo será assumido por Jackie Doyle-Price que se torna assim a primeira ministra para a prevenção do suicídio designada em todo o mundo.

A primeira tarefa da nova ministra é assegurar que todos os municípios dispõem de planos eficazes para tentar travar o problema e procurar soluções a nível tecnológico que permitam identificar quem se encontra em maior risco.

Matt Hancock revelou também que, apesar de alguns avanços na matéria, ainda se faz notar uma grande insuficiência na prestação de serviços no campo da saúde mental. “A verdade é que, por demasiado tempo, a saúde mental não dispôs do mesmo nível de apoio – tanto em termos de recursos, como em termos da maneira como a sociedade fala sobre ela – comparativamente à saúde física, e nós queremos mudar isso”, declarou Hancock no programa “Today” da BBC Radio 4.

Doyle-Price vai receber o título de ministra para a Saúde Mental, Desigualdades e Prevenção do Suicídio. Em comunicado, a nova ministra disse entender “o quão trágico, devastador e duradouro é o efeito do suicídio para as famílias e comunidades”. “Durante o meu [anterior] mandato como ministra, tive a oportunidade de conhecer famílias devastadas por situações de suicídio e as suas histórias de dor e sofrimento vão me acompanhar para o resto da vida”, concluiu.

Neste seguimento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou uma verba de 1,8 milhões de libras que pretende assegurar a continuidade do funcionamento gratuito da linha telefónica Samaritans, nos próximos quatro anos, e prometeu ainda apostar em novas equipas de profissionais da área da saúde mental que actuem nas escolas.

Apesar da maior incidência de apoios direccionados aos mais jovens, os dados de 2016, publicados pelo Gabinete Nacional de Estatística britânico, revelam que a maior taxa de incidência do suicídio atingira adultos entre 40 aos 44 anos. É de notar também uma diminuição de 3,6% nesta matéria por relação ao ano anterior ao levantamente. Mais especificamente, em 2016 foram reportados 5965 suícidios. Já em 2015, o número era de 6188. Note-se que três quartos das quase 6 mil mortes registadas em 2016 eram homens e o método mais utilizado, em termos gerais, foi o enforcamento.

Em Portugal…

Em 2016, registaram-se 829 suicídios em Portugal, segundo os dados do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML). Este foi o valor mais baixo em 15 anos.

Apesar de a Direcção-Geral de Saúde não assumir existir uma relação directa entre a crise financeira de 2008 e o aumento dos casos de suicídio, entre 2008 e 2012, Portugal assistiu a um crescimento de 22,6% nesta matéria nesse mesmo período. Em 2012, a taxa apontava para, aproximadamente, 10 mortes por 100 mil habitantes.

Neste seguimento, na semana passada, o presidente da linha SOS Voz Amiga, Francisco Paulino, revelou que o serviço está na iminência de acabar devido à necessidade de abandonar as instalações onde funciona, em Lisboa. Contrariamente ao caso britânico, a linha de apoio portuguesa não dispõe de apoios financeiros por parte do Estado desde 2007 e mantém-se através das quotas dos sócios, de donativos e da consignação de 0,5% do IRS por parte dos contribuintes.

Sem orçamento que possibilite suportar uma renda em Lisboa, os responsáveis da linha enviaram um pedido ao primeiro-ministro, António Costa, há três meses, a disponibilização de um espaço que permita “condignamente continuar a ajudar a população”.