CEO do YouTube endurece críticas à reforma europeia dos Direitos de Autor

Susan Wojcicki diz que, tal como está escrita, a proposta "ameaça centenas de milhares de empregos, criadores europeus, negócios, artistas e todos os que estes empregam".

Susan Wojcicki, CEO do YouTube, numa conferência da Fortune em 2015 (foto de Kevin Moloney/Fortune via Flickr)

Decorre esta quinta-feira uma nova ronda de negociações entre o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia para finalizar a grande reforma de direitos de autor que tanto tem dado que falar. Dias antes, a directora executiva (ou CEO) do YouTube, Susan Wojcicki, apresentou numa carta aberta aos criadores que publicam o seu trabalho na plataforma as suas preocupações quanto à reforma em curso, particularmente sobre o Artigo 13.

Já antes tínhamos ouvido um executivo do YouTube comentar o Artigo 13, mas as críticas chegaram agora pela voz de topo da empresa. Na carta que publicou aqui, Susan Wojcicki refere que a actual economia criativa em crescimento está em risco e explica que o novo Artigo 13, se for implementado igual à versão aprovada no Parlamento Europeu, vai impedir que youtubers peguem em excertos de conteúdo de outros e usem esses pedaços no seu trabalho. A proposta europeia, acrescenta Susan, “ameaça centenas de milhares de empregos, criadores europeus, negócios, artistas e todos os que estes empregam” e “pode forçar plataformas, como o YouTube, a permitir apenas conteúdo de um pequeno número de grandes empresas”.

Actualmente, os criadores podem pegar em excertos de conteúdos protegidos por direitos de autor e usá-los em vídeos seus, desde que o façam com um propósito limitado de comentar, criticar ou parodiar esse material – não precisam de pedir autorização. Por todo o YouTube é possível encontrar inúmeros exemplos de vídeos que recorrem a conteúdos de terceiros de forma criativa ou para ilustrar um ponto. “Essa legislação representa uma ameaça tanto para o vosso sustento como para a vossa capacidade de partilhar a vossa voz com o mundo”, escreve a CEO do YouTube.

“Percebemos a importância de todos os detentores de direitos serem justamente compensados”, acrescenta, referindo que no YouTube existem mecanismos que impedem que conteúdos de terceiros sejam integralmente carregados para a plataforma sem a sua autorização e ferramentas que permitem a reutilização de material protegido por direitos de autor por parte dos criadores com compensações financeiras para quem deles é proprietário. “Estamos comprometidos em trabalhar com a indústria para encontrar um caminho melhor.”