A empresa portuguesa que compete com as grandes da gestão de redes

Como diz o seu fundador, João Pedro Cortinhas: "sem ses e sem medos e sem olhar para trás".

Não são uma empresa top of mind e (ainda) não são um unicórnio a dar nas vistas no meio das start-ups nacionais. No entanto, a Swonkie é uma empresa a actuar num sector estratégico importante para quem – como nós – lida diariamente com gestão de redes sociais e notabilizou-se no Shark Tank por, entre algumas boas ideias e outras bugigangas, apresentar um software. Passado pouco mais de um ano dessa experiência continuam activos e em crescimento, gozando do investimento que conquistaram no programa e do importante contacto que de lá trouxeram – Miguel Ribeiro Ferreira.

A propósito da parceria entre o Shifter e a Swonkie (é o software que usamos na gestão das nossas redes sociais), quisemos saber mais sobre esta empresa e os seus dois anos de vida e entrevistámos o seu fundador, João Pedro Cortinhas, um jovem português com uma atitude contagiante e que depois de ouvir falar se torna difícil de esquecer pelo seu entusiasmo.

A Swonkie é, nada mais nada menos, que uma plataforma de gestão de redes sociais que permite num só painel controlar todas as contas das diversas plataformas; concorre com marcas internacionais reconhecidas como o Buffer ou o Hootsuite, mas sem medo de lhes fazer frente tendo sempre como ponto norteador o querer ser a plataforma mais completa para o efeito. Como diz o seu fundador: “sem ses e sem medos e sem olhar para trás.”

Foi entre viagens Portugal-Brasil que conseguimos uns minutos da atenção do João — habitualmente virada para o trabalho. O empresário explicou-nos o percurso da empresa até aqui e, sucintamente, os próximos passos desta jovem empresa, que agora pretende deixar este jardim à beira mar plantado para angariar clientes em países como o Brasil onde o número de potenciais clientes é muito superior ao nosso.

Quando tiverem dúvidas sobre aquilo que faço, é isto: Escrevo a minha própria história, sem "ses", sem medo, sem olhar para trás (ponto).

Publicado por João Cortinhas em Terça-feira, 2 de Outubro de 2018

 

Antes de mais, apresenta-nos a Swonkie: quem são, quantos são, onde estão e para onde vão.

Swonkie vem do acrónimo de “Switch On Network” e o “IE” é só para parecer um nome mais sexy. Somos uma plataforma de gestão de redes sociais direccionada para Agências, Marcas e Gestores de Redes Sociais que procuram uma melhor performance nas redes sociais, sendo mais produtivos e com melhores resultados.

Os únicos malucos em Portugal para terem entrado neste mercado como às vezes nos dizem.

Em 2015, juntei-me com o Daniel o meu sócio que na altura tinha 17 anos, para começarmos a construir aquilo que viemos a lançar em 2016. Somos orgulhosamente Portugueses, uma equipa de 7 pessoas que trabalha por 14, por 21 ou por mais quando é preciso e só por isso chegamos ao nível onde estamos hoje.

Longe daquele que queremos estar, mas muito mais longe daquele que nos vaticinaram quando disseram que não éramos capazes. O nosso objectivo continua a ser o mesmo desde o primeiro dia, ser a maior plataforma de gestão de redes sociais no mercado mas, até lá chegarmos, seremos certamente a melhor plataforma no mercado.

A Swonkie no Shark Tank Portugal (screenshot via SIC)

Vocês passaram pelo Shark Tank e são uma das empresas que desde então se mantém no activo, como tem sido esse lado da experiência e o contacto com o investidor?

O Shark Tank foi o nosso grande momento, não pela exposição e todo o glamour da TV, mas pelas pessoas e pela experiência que tivemos lá. Foi uma aprendizagem e hoje, eu e o Daniel, faríamos tudo igual. O Shark Tank é um programa que não devia estar parado e devia ser recorrente como são muitos programas televisivos, muitos deles sem qualquer valor para o público. É um programa educativo, não é um reality-show, mas muda muitas vidas e mudou a nossa.

Quis o destino que o único Tubarão que quis apostar em nós, apostasse não pelo negócio em si, mas pelas pessoas que estavam em frente a ele. Para quem lutou tanto como nós para chegarmos até aqui, só nos podia ter mesmo calhado aquele Tubarão e hoje percebemos a sorte que tivemos em ter sido ele.

O Miguel, nunca se posicionou como um investidor. Lembro-me uma das primeiras conversa que tivemos em que ele nos diz: Quero fazer isto convosco, temos este investimento para vermos se isto dá certo. No final, avaliamos e seguimos em frente, senão estiver a dar certo, encontraremos outra coisa para fazermos. Quando tens alguém que te diz isto, desta forma assim clara percebes logo, tens um sócio e não um investidor.

Lembro-me de ver algumas pessoas nas redes sociais a criticar o Shark Tank Portugal vs o Americano mas muitos deles hoje são aqueles que continuam com os “seus projectos” na gaveta porque não decidiram arriscar num Shark Tank e em conseguir um parceiro para concretizarem os seus objetivos mas continuam a queixarem-se de “falta de oportunidade”.

Tonight on Shark Tank! Swonkie Will Rock 💪👉 www.swonkie.com 👈#SharkTank #Swonkie #EntrepreneurShip

Publicado por Swonkie em Sábado, 17 de Dezembro de 2016

Sentem-se concorrentes dos grandes players do mercado? E com arcaboiço para os alcançar ou são duas ligas diferentes?

“Do big or go home”. Nem sempre se aplica, mas a nossa visão é que não precisamos de ser o maior player no mercado mas temos de querer chegar lá, tem de estar nos nossos objetivos sermos o maior player no mercado. Queremos jogar a Liga dos Campeões, sem receios, e mesmo com diferenças de escala conseguir os nossos objetivos.

Para quem acha que não podemos ambicionar ser o maior player no mercado, que analise os dados mais recentes de onde estavam há 20 anos atrás, há 10 anos atrás, hoje as marcas mais valiosas do mundo. Neste mundo da “internet” as coisas mudam com uma velocidade tão grande que sim, podemos almejar qualquer coisa porque o mercado muda e se aproveitarmos as oportunidades que ele nos dá, podes fazer xeque-mate a qualquer momento.

Recentemente passaram pelo Brasil para conferências e palestras, passa por aí a vossa estratégia de internacionalização apostando primeiro na língua portuguesa de modo a facilitar a comunicação?

Em boa da verdade esse não foi o nosso factor de decisão. Aliás a nossa plataforma esteve um ano em Português e Inglês e só há pouco tempo traduzimos para PT-BR.

O Brasil e os mercados LATAM foram escolhidos pelo volume e dimensão que tem, pelo potencial que tem na área digital e porque os players internacionais não tem uma estratégia muito forte nesses países. Queremos ser líderes nos mercados onde os nossos concorrentes não são. É esse o nosso verdadeiro posicionamento. Mas sem dúvida, que é hoje, uma grande aposta para nós.

A Swonkie no ClickSummit (foto via Swonkie)

Não receiam o decaimento das redes sociais tradicionais? Estão preparados para as próximas? Como é o vosso processo de desenvolvimento nesse sentido, já estão a pensar como agarrar e melhorar a próxima?

Muito sinceramente, e não querendo parecer o Velho do Restelo, ainda estamos muito longe de terminarem as redes sociais e mais, estamos longe de termos uma nova rede social a surgir nos próximos 2, 3 anos no Top 10.

Hoje o Facebook tem o seu negócio muito bem protegido, além disso, o potencial do Instagram e LinkedIn ainda estão a explodir massivamente agora e por isso acredito que no futuro vale mais a pena estar atento aos players existentes e acompanhá-los do que preocupado com a “next big thing” das redes sociais.

O Facebook tem incubadores por todo o mundo onde existe empreendedores e startups a trabalharem sobre a alçada deles, estão muito atentos para não serem o MySpace ou um Hi5 da vida. Iremos continuar a estar atentos, mas muito mais atentos ao que já existe porque aí, a volatilidade é muito grande e com provas dadas do potencial que trás no mercado e ao negócio.

Sendo vocês uma equipa jovem, passamos pelo tradicional, se tivessem de dar uma dica a alguém nos primeiros anos de um projecto ambicioso como o vosso, qual seria?

Façam, mas façam rápido. Não deixem que ninguém vos diga que não é possível, não deixem ninguém dizer-vos que não vão conseguir, não respondam a essas pessoas, ouçam apenas e mostrem resultados. Não tenham medo de vender, se querem ter um negócio, vendam o vosso produto ou serviço. A melhor recompensa que podem ter do vosso trabalho é alguém o comprar.

Não queiram ter 100% de nada, dividam o vosso negócio com pessoas capazes, que querem os mesmos resultados que vocês e por fim, tenham sempre alguém para vos suportar porque em algum momento da jornada, vocês vão estar perdidos, vão estar desmotivados e talvez derrotados e em algum momento vão precisar de alguém que vos diga, eu acredito em ti, porque não acreditas também?